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A universitária Beatriz do Nascimento, 23 anos, garante que não. Ela e Luiz Carlos França, 37, estão juntos há quatro anos e se casaram no final de 2007. "No caso, eu é que sou jovem, ele não", se diverte Beatriz. "Para a gente foi natural, eu não achava que ia me casar tão jovem". O primo de Luiz apresentou o casal e o relacionamento progrediu sem problemas: viraram amigos, depois namorados, noivos e, finalmente, marido e mulher. Olhando para trás, Beatriz não vê problemas em ter se comprometido cedo. "Acho que depende muito do parceiro, não da idade - ele me ajuda muito. O lado bom é poder construir uma vida junto com a outra pessoa".
Para os dois, casar cedo não é sinal de conservadorismo. Eles, inclusive, adotaram o sobrenome um do outro. Ela agora é Beatriz do Nascimento França, e ele, Luiz Carlos França do Nascimento. "A gente achou legal, tira o machismo e coloca a mulher mais em igualdade com o homem".
Sem idade para olhar o futuro
Histórias como a de Beatriz inspiram outros casais jovens que planejam dar o passo em direção ao altar. Que o diga Ludmilla Sales, 18 anos, e Junior Milhorance, 23. O casal está junto há um ano e meio e mal pode esperar pela vida em família. "Para ser sincera, sabíamos que íamos nos casar desde o primeiro dia que começamos nosso relacionamento. Tudo o que eu sempre quis foi alguém igual a ele. Então, tomamos essa decisão. Com quatro meses de namoro, já estávamos planejando o casamento, onde íamos morar, essas coisas. Demoramos a ficar oficialmente noivos, mas o desejo de ficarmos juntos ‘para sempre' sempre existiu", conta.
A família da noiva acredita que ela é jovem demais para assumir esse compromisso, mas parece ser consenso entre os jovens apaixonados de que o fundamental não é a idade, mas a convicção de estar fazendo a coisa certa. "Acho que o casamento é uma decisão muito importante que só deve ser tomada quando se tiver certeza. Acho que existe uma pessoa certa para casar", defende Ludmila.
Na opinião da psicóloga Sueli Meirelles, esta ânsia pelo altar é mais do que natural na juventude de hoje em dia. "As mulheres, embora independentes, ainda vivenciam uma espécie de ‘Complexo de Cinderela', que as levam a alimentar o sonho de um casamento romântico". Ou seja, por mais que lutem por direitos iguais, independência e liberdade, sempre há aquele lado sentimental que espera encontrar o seu príncipe encantado. E algumas acham que quanto mais cedo, melhor.
A estudante Júlia Sales concorda com Sueli. "Se deixar para casar tarde, você pode não conseguir. Mas eu acho que se casar cedo demais com alguém que você não tem certeza pode acabar com a sua vida... No meu caso, isso não aconteceu, a gente se completa em tudo", conta, apixonada.
Júlia e Diego Fernandes estão juntos desde 2005 e resolveram cedo abrir mão de muito mais do que uma vida de solteirice. Hoje em dia, não vivem uma vida a dois, mas a quatro. Com apenas 22 anos cada e alguns meses juntos, o casal engravidou e a surpresa veio em dobro: nasceram os gêmeos Gabriel e Victória. Júlia afirma que assumir o compromisso tão cedo foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida: "O lado bom é saber que se tem aquela pessoa do seu lado para contar, que você e ela se ajudam mutuamente, aí tudo fica mais fácil, porque duas cabeças são melhor que uma... Mudou tudo na minha vida! Quando tivemos os filhos, eu estranhei muito não ter mais vida própria, mas eu prefiro minha vida atual. Quando a gente não é mais um só, tem que aprender a dividir tudo, até sua vida, seu tempo... mas a gente se acostuma e depois fica melhor do que parece."
Casar cedo pode parecer um retrocesso para quem admira a custosa luta pela independência feminina. Mas para os jovens casais apaixonados, independência é ter a escolha de fazer o que quiser com a sua liberdade, inclusive abrir mão dela.
Aninha Vianna   Leia mais deste autor.
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