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Ser verde está na moda
Grifes e estilistas se rendem à tendência ecologicamente correta
Por Ana Luiza Silveira • 19/08/2008

Em tempos de grande preocupação com o futuro do meio ambiente, a moda também está fazendo sua parte. Peles, couro, lã, pena, seda e uma série de outros materiais que são obtidos através do sofrimento dos animais estão sendo abolidos e dando lugar à criatividade no uso de elementos naturais. Agora é a vez de materiais sintéticos e fibras naturais, sementes, frutos, cascas e uma infinidade de opções que não agridem o planeta e ainda colaboram com a sua sustentabilidade. É a chamada moda ecologicamente correta, que vem surgindo com a tomada de consciência das pessoas sobre seu papel na preservação do mundo e a preocupação com a procedência de tudo o que consomem.

A moda ecológica não é nenhuma novidade. Surgiu em todo o mundo no início da década de 90, quando organizações de defesa do meio ambiente começaram a tornar mais acirrada a sua luta contra o extermínio de animais para a fabricação de peças de vestuário. E eles não reclamavam à toa. Todos os anos, milhares de animais - especialmente gatos e cachorros - são abatidos para fornecer sua pele para roupas e acessórios. Atualmente, segundo dados da Fur-Free Alliance, que reúne trinta organizações de proteção animal, a indústria da pele mata cerca de 50 milhões de animais a cada ano. E pouca gente sabe que a matança de animais para o uso de pele e couro na moda também tem impacto ambiental. A criação e o abate contamina as águas e destrói a biodiversidade, contribuindo para as mudanças climáticas.

A reciclagem também entra nessa gama de produtos, como as lonas construídas com trama de fio de poliéster reciclado a partir de garrafas PET

Questão de criatividade

Produtos de origem animal continuam a ser fabricados, mas é cada vez maior o número de consumidores interessados em abandoná-los e investir em produtos orgânicos de vestuário. De acordo com a ONG Organic Exchange, dos Estados Unidos, o faturamento gerado por esses produtos em todo o mundo foi de 245 milhões de dólares para 1 bilhão de dólares entre os anos de 2001 a 2005. Acredita-se que essa cifra vá triplicar nos próximos anos.

"Estamos vivendo um momento de consciência ambiental. E nada melhor do que ´vestir´ essa idéia. Mais do que vestir uma camiseta com slogan ambientalista, é vestir um produto ecologicamente correto. A questão básica é o consumo ético e consciente, respeitando o meio ambiente e os animais", afirma Lu Catoira, coordenadora do curso de Bacharelado em Design de Moda do Senai-Cetiqt - que ensina os alunos a lidar com materiais reciclados e corantes naturais, entre outras alternativas sustentáveis, para fabricar peças de vestuário e bijuterias.

Segundo ela, os materiais utilizados na moda ecológica são produtos cujos processos são mais limpos e eficientes, fazendo parte da manutenção do meio ambiente. Algodão colorido, fibras, botões e bijuterias de bambu, côco e chifre são apenas alguns exemplos de matérias-primas. "A reciclagem também entra nessa gama de produtos, como as lonas construídas com trama de fio de poliéster reciclado a partir de garrafas PET. Também com o PET são produzidos fios mistos que unem algumas vantagens dos filamentos sintéticos, como alta tenacidade, às características suaves das fibras naturais", comenta Lu Catoira.







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