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Você já se perguntou para onde vão os resíduos do seu dia-a-dia depois que você dá adeus a eles? É bom se perguntar... A cada dia cresce a preocupação com o meio ambiente e com as conseqüências trágicas que nossas atitudes acarretam para o planeta. O lixo continua existindo depois que o jogamos na lixeira e a "varinha mágica" que pode fazê-lo desaparecer corretamente chama-se reciclagem. É aí que entra a coleta seletiva. A melhor solução é separar o lixo que produzimos e pesquisar as alternativas de destinação, ecologicamente corretas, mais próximas.
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Coleta seletiva e reciclagem: quem faz?
Segundo Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, os três "Rs" (reduzir, reutilizar e reciclar) têm importância fundamental. "É possível gerar menos lixo e provocar um impacto ambiental menor reduzindo o consumo de produtos desnecessários, reutilizando sempre que possível e separando sempre os materiais recicláveis", analisa.
O objetivo da coleta seletiva é permitir essa reciclagem do lixo. "Quando misturamos o lixo orgânico (restos de alimentos, por exemplo) com o lixo reciclável, nós 'sujamos' o material retornável, praticamente inviabilizando a reciclagem. E a reciclagem é um processo muito importante porque reaproveita as matérias-primas, fazendo com que não tenham que ser novamente extraídas da natureza", explica Helio.
A reciclagem faz bem para o meio ambiente também porque, além de economizar matéria-prima, a fabricação de um produto a partir da reciclagem costuma consumir menos água e energia do que a partir do material virgem. "Para fabricar uma latinha de alumínio reciclada é preciso apenas 5% da energia demandada para produzir uma latinha a partir do alumínio virgem", conta Helio.
Dados alarmantes
Para você ter uma idéia do volume de lixo produzido diariamente, Helio Mattar dá um exemplo: "O montante produzido no Brasil todos os dias daria para pavimentar com 11 centímetros de lixo as duas pistas de uma estrada com 500 quilômetros de extensão. É um volume imenso. Naturalmente, este lixo precisa ser coletado, transportado e destinado pelo poder público, o que custa caro". No mundo inteiro, entre lixo domiciliar e comercial, são produzidos, por dia, dois milhões de toneladas.
Você sabe o quanto de lixo uma só pessoa produz ao longo de sua existência? Pare para analisar. "O Akatu fez um cálculo que mostrou que uma única pessoa, ao longo de sua vida (72 anos, em média), produz lixo suficiente para encher até o teto um apartamento de 50 metros quadrados. Se isso parece pouco, basta fazer esse cálculo para cinco famílias de quatro pessoas, que precisarão de um prédio inteiro de dez andares, com dois apartamentos de 50 metros quadrados por andar, para colocar todo o seu lixo. E se levarmos este cálculo à Zona Metropolitana de São Paulo e seus 17 milhões de habitantes, precisaríamos de 850 mil prédios. Para efeito de comparação, a cidade de São Paulo não chega a ter 25 mil prédios", contabiliza Helio.
Os números são mesmo alarmantes. Por isso, os benefícios da coleta seletiva são muitos. Segundo o diretor do Akatu, a coleta especificamente em bairros, clubes e pequenas comunidades, tem, também, a função de criar um movimento de a conscientização das questões relacionadas ao lixo, ao uso exagerado de embalagens e ao desperdício de alimentos.
Solucionando o problema
Em geral, a população pensa que cada um de nós faz pouca diferença com o volume de seu lixo individual. Mas esta preocupação precisa ser disseminada devagar e sempre. "É importante lembrar que, em longo prazo, o impacto dessas pequenas atitudes, multiplicadas por um número cada vez maior de indivíduos e que vivem cada vez mais tempo, pode definir o futuro do planeta em que vivemos. Isto porque, apesar de simples, tais atos têm um efeito em cadeia", ratifica Helio.
Os bons exemplos vêm das classes mais baixas, que representam a maioria dos consumidores conscientes. "O estudo Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente, divulgado pelo Instituto Akatu em 2007, revelava que, entre os consumidores conscientes brasileiros, 11% pertencem à classe A, 32% à classe B, 36% à classe C e 21% às classes D e E", diz o diretor.
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