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Parece uma praga. Não se vê um jornal, uma revista ou um noticiário sem ser bombardeado por informações sobre a atual crise financeira mundial. Mas não tem jeito: a situação é mesmo grave. Inflação, quedas na Bolsa e nos investimentos, baixa no consumo são apenas alguns dos efeitos que aos poucos vão se concretizando na vida de muita gente. Em dezembro e janeiro, a preocupação pode ser ainda maior, já que o período é naturalmente cheio de gastos. Mas você já se conscientizou dos problemas que esta crise gerou ou pode gerar?
Apesar de termos começado a ouvir falar mais sobre o assunto este ano, os pilares dessa crise começaram a ser construídos lá atrás, em 2001. Foi uma sucessão de fatos desastrosos nos Estados Unidos: o 11 de Setembro, a invasão do Iraque, uma pequena recessão, o furacão Katrina (e outros tantos desastres naturais) e a crescente perda de aceitação do governo Bush. Tudo isso só colaborou para aumentar a bola de neve que desencadeou na crise atual.
Uma saída para todos esses problemas adotada pelo governo americano foi a concessão de crédito fácil para as classes menos favorecidas... e assim cresceu o mercado chamado subprime. Com a supervalorização desses papéis, muitas empresas e pessoas de vários setores da economia acharam que ganhariam dinheiro fácil e rápido. Então, quando aquelas pessoas que ganharam o crédito começaram a não conseguir mais pagar suas dívidas, já era tarde: todo o mundo estava contaminado.
Mas e quem não investe em bolsa, muito menos em títulos subprime, nem entende nada de mercado financeiro? Será que já percebeu reflexos dessa crise generalizada no seu dia-a-dia?
Para o economista e consultor financeiro Lauro Faria, o consumidor comum ainda não está conseguindo perceber bem os efeitos da crise. “Ele já percebeu que há um problema sério, mas ainda não sentiu no bolso. Os preços nos supermercados pouco se mexeram, idem no caso da gasolina, e a crise ainda não chegou ao nível do emprego, pois, por enquanto, as empresas apenas adiaram projetos de investimento”, explica.
Dados divulgados recentemente pelo IBGE confirmam a informação. Segundo o instituto, em outubro, a taxa de desocupação ficou estável (7,5%) em relação a setembro e 11,8% menor em relação ao mesmo período de 2007. O rendimento médio real do trabalhador caiu 1,3% em relação ao mês anterior, mas aumentou 4,5% em comparação a outubro de 2007. Até o comércio varejista tem tido motivos para sorrir. Em setembro, o volume de vendas cresceu 1,2% em relação a agosto e a receita nominal das vendas aumentaram 1,3%.
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