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Renda fixa: resultados
Investiu em renda fixa? Então, confira os números do primeiro semestre
Por Sandra Blanco • 05/07/2007

Seis meses já se passaram do ano 2007. Estamos começando um novo semestre. Puxa, como passou rápido! Hora de avaliar os investimentos. No quesito renda fixa, já é evidente o impacto da queda do juro nas rentabilidades. Não conseguimos mais a rentabilidade com o número mágico de 1% ao mês. Esse mês a taxa do DI, que é a referência para os nossos investimentos em renda fixa, já foi de 0,90%. A rentabilidade da poupança foi de 0,67%.

Mas quem passou os primeiros seis meses do ano investido em um "bom fundo" conservador de renda fixa, mesmo depois de deduzir o imposto de renda, conseguiu um bom retorno quando comparado ao retorno da caderneta de poupança.

A queda de juros é fato e não adianta reclamar que vamos ganhar menos. Não queremos um Brasil desenvolvido? Competitivo? Pois é assim em todo o mundo e quem quer mais rentabilidade precisa arriscar mais, buscando outros investimentos

Mas o que é um "bom fundo"? Um fundo que tenha apresentado retorno de, pelo menos, 80% do DI. Se o DI acumulado em 2007 é de 6,06%, um "bom fundo" acumulou pelo menos 4,85% nesse período. Só que essa rentabilidade é bruta, pois sobre os ganhos em fundos de investimento incide imposto de renda conforme alíquotas de tabela regressiva por tempo de permanência na aplicação. No caso desses "bons fundos" a rentabilidade líquida ainda superou a rentabilidade da caderneta.

Mas em junho a história foi outra. A variação do DI foi de 0,90%. Um "bom fundo" apresentou retorno de 0,72%, o que depois de descontado o imposto de renda vai ficar abaixo dos 0,67% da caderneta de poupança. Isso mesmo, fundo rendendo menos do que a caderneta de poupança.

E é chamando a sua atenção para esse fato que eu estou escrevendo hoje. Daqui para frente, o "bom fundo" vai ter que pagar pelos menos 95% do DI para se igualar à rentabilidade da caderneta de poupança. Para superar, vai ser preciso chegar muito próximo a 100%, o que significa uma taxa de administração muito, mas muito pequena, que em geral, só está disponível para os clientes com aplicações acima R$100.000.

Para quem ainda não tem esse valor e quer o investimento de menor risco possível, o negócio daqui para frente é voltar a aplicar na caderneta de poupança. Mas não vejam isso como um retrocesso. É apenas o mercado se adaptando à condição de país de juro baixo. Ainda bem que já temos a conta de investimentos e podemos fazer essa migração ou transferência sem pagar CPMF.

A queda de juros é fato e não adianta reclamar que vamos ganhar menos. Não queremos um Brasil desenvolvido? Competitivo? Pois é assim em todo o mundo e quem quer mais rentabilidade precisa arriscar mais, buscando outros investimentos.

Daí para frente é só continuar acompanhando. Talvez num futuro não muito distante a competição vai exigir das instituições taxas de administração mais baixas e então poderemos voltar a aplicar em fundos de renda fixa com menos recursos.



Sandra Blanco é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, Sandra assina a coluna do portal que tem foco na educação financeira para mulheres.  Leia mais deste autor.





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