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Muita gente acha o Português uma língua difícil. Com a virada do ano, uma reviravolta na ortografia está dificultando ainda mais o ato de ler e escrever. Desde o primeiro dia de 2009, entrou em vigor a reforma ortográfica do nosso idioma. A partir deste ano, os brasileiros terão que conviver com uma nova escrita do português nos jornais, revistas e livros - e não tem como fugir! No entanto, há uma exceção para os livros didáticos. Estes só serão obrigados a exibir o novo Português em janeiro de 2012. Até lá, serão consideradas corretas as obras que apresentarem as duas normas.
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Mas por que a necessidade de mais uma reforma na Língua Portuguesa? Representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa acreditam que o novo acordo ortográfico fará com que o idioma fique mais importante internacionalmente. O Português é a língua oficial em oito Estados soberanos e tem duas ortografias corretas, a do Brasil e a de Portugal. Isto acaba provocando problemas dentro da própria comunidade, já que podem existir traduções literárias diferentes para os dois países. A CPLP alega que existem quatro grandes línguas (Inglês, Francês, Português e Espanhol) e que o Português é a única com duas grafias oficiais.
A reforma ortográfica foi proposta em 1990, ainda no governo do presidente José Sarney. No entanto, com o processo de independência do Timor Leste, demorou a ser discutida entre os países membros da CPLP. No Brasil, o assunto foi aprovado pelo Congresso Nacional em 1995, mas ainda não tinha sido implantado porque, para que isto acontecesse, eram necessárias assinaturas de três países concordando com o processo. E somente em dezembro de 2006 é que o governo de São Tomé e Príncipe aderiu à iniciativa. Antes, além do Brasil, Cabo Verde já tinha assinado o documento.
Segundo o presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação, a nova escrita poderia ter sido adotada no Brasil em janeiro de 2007, mas o órgão preferiu esperar por Portugal, que só teve o acordo aprovado no Parlamento há dois meses. O escritor Godofredo Oliveira Neto afirma que a reforma será importante e não irá confundir os brasileiros: "A população não precisa se apavorar. Haverá todo o tempo do mundo para as pessoas se acostumarem com a decisão", garante.
A Academia Brasileira de Letras é uma das incentivadoras da reforma ortográfica. A instituição é coautora do acordo e a representante brasileira da adesão. Para a ABL, "a adesão de Portugal ao acordo foi um marco histórico e representa uma demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade de defesa, difusão e ilustração da Língua Portuguesa", segundo comunicado divulgado na época pelo presidente da ABL, Cícero Sandroni.
Unificação
Para o acadêmico e filólogo Evanildo Bechara, a reforma é necessária porque antes Brasil e Portugal não tinham muita expressão mundial, mas hoje a situação é diferente. "Quando Portugal e Brasil não tinham expressão, tudo bem, mas à medida que a União Européia deu nova esperança ao país e o Brasil conquistou posição invejável no cenário mundial, a língua tem que acompanhar os destinos dos povos que a falam", explica.
Segundo Bechara, a Espanha tem 22 academias de letras e uma só ortografia. "A pronúncia é diferente, mas na hora de escrever é igual. E a penetração de um povo no futuro se faz pela língua escrita e não pela oral", afirma. O filólogo conta que, em 2007, a ABL doou 500 livros para Angola, mas todos eles foram devolvidos "porque a ortografia diferente podia atrapalhar as crianças". E, para ele, as crianças são parte importante desta mudança, pois "a reforma nunca é para agora, mas sim para o futuro".
O acadêmico reconhece que, apesar de necessária, a reforma não é a ideal ainda. De acordo com ele, há algumas imperfeições que devem ser corrigidas. "Mas são tão poucas que não vale a pena esperar mais", garante. Bechara concorda que algumas pessoas podem ser contra a reforma. "Todos temos tendência em deixar as coisas como estão. Nenhum de nós gosta de mudar de hábito por menor que seja a alteração", justifica.
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