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Pratique sem moderação
Criatividade, característica muito valorizada no mercado de trabalho
Por Ana Brasil • 03/08/2008

O que seria do homem sem a capacidade de criar? Não teríamos automóveis ou computadores. Ninguém pensaria em ir à Lua, nem sequer a outros países. A vida seria mais simples e, certamente, muito mais sem graça e pobre de espírito também. Ou você pode imaginar um mundo sem música e livros? Provavelmente, nada da evolução como conhecemos existiria e os seres humanos sequer teriam saído das cavernas. Neste caso, eu não estaria aqui para escrever este texto, e nem você aí para lê-lo. De pequenas descobertas a grandes realizações, tudo começa com ela, a criatividade. E ultimamente esta tem sido uma qualidade muito valorizada no mercado de trabalho.

Você é inovadora? Veja exercícios para treinar seu poder criativo

A criatividade envolve muito mais do que simplesmente resolver problemas de uma nova maneira (apesar de esta ser uma aplicação muito importante). Há várias definições, mas em resumo, ser criativo é possuir a capacidade de criar, produzir ou até mesmo unir idéias, teorias e produtos; e ter como resultado algo original ou singular. A diferença encontra-se na utilidade do que foi formado. Assim, quando a criatividade é empregada na criação de algo pessoal e eventualmente incoerente para o resto do mundo, ela recebe o nome de ‘pura'. Já quando é utilizada para solucionar questões inerentes ao mundo à sua volta, diz-se que é ‘aplicada'.

A procura de originalidade e inovação não está restrita à criação. Ela se estende aos métodos de produção e distribuição, e na experiência do cliente com os produtos e serviços da empresa. Isto envolve a todos

Mas é um dom? Todos possuem? Como aproveitá-la no ambiente profissional? Vamos por partes! Ser criativo é uma característica humana, e tal como a flexibilidade ou o dinamismo, sua intensidade varia para cada pessoa. Mas isto não significa que é impossível aumentá-la, muito pelo contrário. A arte de criar e resolver pode e deve ser treinada todos os dias.

Superaplicada

Visto que a intenção é poder utilizar a criatividade no trabalho e outros aspectos da vida que imploram para ser otimizados, o foco aqui irá para a criatividade aplicada. De acordo com Daniele Mendonça, gerente de negócios da empresa Across Gestão de Carreiras, é importante que o profissional seja criativo o suficiente para resolver problemas antigos com soluções novas, e problemas novos com soluções antigas. Para isso, deve desenvolver seu repertório de idéias. "É importante aumentar a cultura geral cada vez mais, ler sobre temas diversos, conviver com pessoas diferentes. O repertório está muito ligado à intuição, aos conhecimentos adquiridos em todas as áreas. Não adianta só ler livros técnicos", afirma.

Portanto, relaxe um pouco e dedique-se a explorar assuntos extra-escritório. Veja um filme, ande pela cidade, invente uma nova receita. Sua mente ficará renovada. O diretor de Arte e Negócios da Cast Comunicação, Victor Hugo Campos, concorda. Ele diz que a criatividade aparece naturalmente nos momentos mais descontraídos do dia-a-dia. "O estresse diário nos bloqueia, assim como normas e regras que precisam ser quebradas ou repensadas. Devemos ser espontâneos, sem pensar em adequar uma lógica às questões", comenta. Victor garante ainda que um bom filme ou algumas horas com sua prancha de surf abastecem sua inventividade. Então, inspire-se!

Vista a camisa!

Afinal, o bom desempenho de um membro da equipe afeta os outros, pode dinamizar processos e gerar lucros à empresa. No fim do dia, a criatividade é tão valorizada porque todos saem ganhando. Mas nem sempre foi assim. Até o final dos anos 80, as corporações eram muito hierarquizadas, com vários níveis de liderança. Desta forma, era difícil para o funcionário lá na base da cadeia conseguir expressar suas idéias.

Já em meados da década de 90, com o mundo tomado pela globalização, as pessoas passaram a ter de desenvolver a capacidade de lidar com um número maior de tarefas, mesmo sem ser especialista nelas. Aliás, esta figura do funcionário especializado em apenas um assunto vem sendo deixada de lado progressivamente. Hoje, as empresas abraçam profissionais multidisciplinares, que circulam entre vários departamentos com desembaraço. A capacidade criadora é especialmente importante neste momento, já que permitirá o jogo de cintura para solucionar questões com as quais não se tem tanta familiaridade. E mais uma vez, entra a questão do repertório: quanto mais background você possui de áreas variadas, mais desenvoltura terá com o que lhe parecer incomum.

Jairo Siqueira, engenheiro e criador do site Criatividade Aplicada, comenta que saber criar tornou-se necessário em todas as funções. "A procura de originalidade e inovação não está restrita à criação. Ela se estende aos métodos de produção e distribuição, e na experiência do cliente com os produtos e serviços da empresa. Isto envolve a todos", garante.







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