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Poupando para o futuro
Para ter uma aposentadoria tranqüila, invista em previdência privada
Por Sandra Blanco • 15/11/2007

A pedidos, hoje vou falar de Previdência Privada, e sobre os planos, do tipo aberto, vendidos pelas instituições financeiras e seguradoras a quem estiver interessado, contribuinte ou não da Previdência Social.

Primeiramente, é importante que fique bem claro porque devemos pensar Previdência Privada. Ela é um complemento à Previdência Social. Você já parou para pensar de onde virá o dinheiro quando não tiver mais idade ou saúde para trabalhar? Quem é jovem não consegue pensar sobre o assunto, e quem já se aposentou sempre se lamenta, questionando as razões por não ter pensado no assunto anteriormente. Essa é a realidade.

Um plano de Previdência Privada é um produto relativamente novo no Brasil, tem pouco mais de dez anos. E nesse tempo, muitas vezes as regras já foram mudadas

Só que a renda da Previdência Social tem um teto e fica abaixo de R$ 1.500. Portanto, quem hoje vive com uma renda acima deste valor vai ter um problema de fluxo de caixa no futuro: receita menor que as despesas. E como resolver isso? Só tem duas alternativas - ou diminui o padrão de vida, diminuindo as despesas; ou complementa a renda da Previdência Social com renda da Previdência Privada.

Os planos de Previdência Privada são fundos de investimentos e apresentam duas etapas bem definidas: a fase de contribuição ou acumulação de riqueza e a fase de recebimento ou benefício. A rentabilidade não é garantida, nem mesmo tem o compromisso de acompanhar a inflação. Você escolhe o fundo de acordo com seu perfil de risco (conservador, moderado ou agressivo).

Há dois tipos:

PGBL (Plano Gerador de Beneficio Livre): IR incide sobre o total aplicado e é mais indicado para as assalariadas.

VGBL (Vida Gerador de Beneficio Livre): IR incide somente sobre os ganhos de capital e é mais indicado para as autônomas e profissionais liberais.

Um plano de Previdência Privada é um produto relativamente novo no Brasil, tem pouco mais de dez anos. E nesse tempo, muitas vezes as regras já foram mudadas. Eu, particularmente, não gosto desses planos - mas que isso fique entre a gente. E um dos motivos é por causa das mudanças de regras no meio do caminho. Outro motivo é que os planos ainda são muito caros: além da taxa de administração anual alta, é cobrada um taxa de carregamento sobre cada aplicação, o que onera seus investimentos de longo prazo. A outra desvantagem desses planos é que quando você entra na idade de receber a renda que você deu muito duro para guardar e, por uma fatalidade, morre em seguida, aquele dinheiro acumulado já era, ninguém da sua família vai ver a cara dele. Claro, você tem a opção de resgatar tudo quando se aposentar, mas aí sua conta fica mais alta com o Leão.

Mais um cuidado que devemos ter é considerar a idade. Se você está se aproximando dos 50 e já pensando em se aposentar, um plano de Previdência Privada é o último lugar para você aplicar seu dinheiro. Você vai perder a liberdade de fazer o que quiser e quando quiser com ele, e ainda vai pagar um imposto de renda alto. Sinto uma mistura de vergonha com raiva de gerentes de banco que oferecem Previdência Privada a senhoras aposentadas. Quantas delas já bateram no meu escritório ou me mandaram e-mails indignadas com essa atitude...

Também não vamos só ver o lado ruim dos planos de Previdência Privada, eles também têm seu lado bom: a segurança de ter uma instituição especialista no negócio cuidando do seu dinheiro. Uma outra, que eu não acho que seja vantagem e sim desculpa esfarrapada, mas que a maioria das mulheres alegam, é ter o boleto para pagar. Elas dizem que essa obrigação de ter de pagar essa conta é um fator relevante nas suas escolhas. Eu não posso negar que quando uma mulher me dá essa razão como explicação eu fico mesmo triste. Não devemos colocar num boleto a responsabilidade da nossa qualidade de vida no futuro. Quando seremos suficientemente responsáveis para fazermos uma aplicação todo mês sem precisar de um boleto?

No mercado financeiro usamos o termo homemade para referenciar um produto financeiro que nós mesmas fazemos. Então, aqui fica minha sugestão para sua Previdência Privada homemade:

- Faça aplicações mensais, você determina o valor. Quanto mais alta forem, melhor.

- Aplique parte em fundo de ações. Assim você diversifica seus investimentos e espera maiores retornos de longo prazo.

- Faça um seguro de vida se tiver dependentes financeiros.



Sandra Blanco é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, Sandra assina a coluna do portal que tem foco na educação financeira para mulheres.  Leia mais deste autor.





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