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Português nota 10
Muita gente vive preocupada em aprender novos idiomas. Mas esse pessoal se esquece de que falar corretamente o bom e velho português, além de ser a base para todo o resto, é o que rege, de maneira definitiva, os rumos de um profissional.
"Daqui há uma semana haverão vários eventos emperdíveis. O público espera à anos para assistir o espetáculo tão experado. Verem o show para estas pessoas é qüestão de honra!" Amiga leitora, se você não se contorceu ao ler esse comunicado (e até achou o texto bem transadinho), por favor, preste atenção nesta matéria. Expressar-se bem em português é essencial para a sua carreira, além de ser um grande diferencial na hora de uma entrevista de emprego.
Depois da exigência de fluência em inglês e espanhol, as empresas voltaram dar valor ao domínio da boa e velha Língua Portuguesa. Preocupadas com a falta de concisão, clareza e conhecimentos gramaticais básicos — além do excessivo uso de estrangeirismo —, algumas empresas estão "convidando" seus executivos a voltar para a escola. "Hoje, o nosso curso de aprimoramento da qualidade na comunicação escrita é um dos mais procurados, tanto por médias como por grandes empresas", diz Luiz Adriano Dantas, da Eschola.com. Dedicar um pouquinho de tempo para a leitura e para a prática do português pode ser um bom caminho para você se destacar na sua firma, "afinal, a forma como você fala ou escreve é seu cartão de visita", lembra a professora Ivanosca de Medeiros, sócia-gerente do curso IVM.
Com o uso freqüente do e-mail, muitas pessoas, que antes não precisavam exercitar a escrita diariamente, hoje têm que trocar muitas mensagens. Assim, acabam mostrando suas dificuldades de expressar idéias simples e de escrever sem erros ortográficos. "Executivos de altíssimo nível, com domínio de vários idiomas, muitas vezes, não são capazes de escrever o próprio currículo. Não conhecem as regras básicas da sua língua natal", diz a responsável pela área de consultoria da ATIVA RH , Nydia Rocha. "Isso acontece por vários motivos, mas os principais são a noção de que a nossa língua não tem valor no mercado, a origem humilde de alguns executivos e até o fato de terem sempre um assessor encarregado por seus textos, o que é um paliativo e não solução", acrescenta ela.
Erros de concordância, estrutura, coerência, regência e ortografia são os principais problemas encontrados nos textos. "A falta de leitura e a pouca atenção à gramática determinam um nível de português bem básico", diz a professora Ivanosca. "Por isso, indicamos que os nossos clientes tentem escrever de forma simples, concreta, com sentenças curtas e sem palavras desconhecidas", afirma ela. Os principais erros acontecem quando a pessoa tenta rebuscar o texto ou escrever "bonito" sem, no entanto, dominar a língua (ou sem ter carga cultural para tanto). As melhores pérolas se vêem nas redações de vestibular. A UFRJ, no Rio de Janeiro, já recolheu dezenas de frases e textos incrivelmente mal escritos, tais como "Precisamos tirar as fendas dos olhos para enxergar com clareza o número de famigerados que almenta (sic)" ou "O bem star (sic) dos abtantes endependente (sic) de roça, religião, sexo e vegetarianos, está preocupan-do-nos".
As provas de português são cada vez mais importantes nos vestibulares, nos concursos públicos, nos processos de seleção para emprego ou para aquela pós-graduação que você quer tanto fazer. Além disso, escrever memorandos, relatórios, emails, propostas e apresentações empresariais são provas de fogo que você precisa estar apta a vencer sem pestanejar. "Certa vez, cheguei no meu escritório e tinha um bilhete escrito assim: 'conversei com o seu editor e marcamos uma entrevista em sua sala às 9 horas'. Deu uma encrenca danada, pois eu achei que fosse no escritório dele e era no meu, achei que era às nove da manhã e era às nove de noite", conta o jornalista Henrique Dias. Pequenos deslizes ou a falta de domínio do idioma podem causar problemas, além de prejudicar a eficiência da comunicação e de diminuir a produtividade. Um relatório ou um email bem redigido pode ajudar a diminuir o tempo gasto com reuniões infindáveis.
"Com o advento do correio eletrônico, a necessidade de o profissional escrever bem aumentou, sem dúvida. Mais do que isso, as empresas têm procurado profissionais com essa habilidade. Afinal, o profissional faz parte da empresa e sua escrita é relacionada à qualidade dos produtos e serviços de sua organização", diz a coordenadora de cursos do CAP Clarice Andrade. "Se houver erros e inadequações, eles estarão registrados no email e poderão ser divulgados, com o nome do escritor assinado embaixo", lembra a coordenadora. Clarice ainda dá algumas sugestões para um bom email:
1) "Questões de qualidade do texto empresarial, como objetividade, clareza e coerência, são fundamentais. Apesar de o correio eletrônico ser uma forma mais rápida de comunicação, não se pode menosprezar a disposição do seu conteúdo".
2) "O cumprimento e o fecho deixam o email mais elegante e simpático", indica a coordenadora.
Gilberto Rhescky, gerente de RH de uma multinacional alemã no Brasil, afirma que a empresa conseguiu uma melhora significativa na comunicação interna, depois que fizeram um treinamento para melhorar a qualidade dos textos. "Antes, o funcionário escrevia uma página de email e só dizia o que queria lá no final da mensagem. Isso quando conseguia dizer alguma coisa, pois eram tantos erros ortográficos que ficava difícil compreender. Outro problema também era - e ainda é - a quantidade de palavras em inglês que se usa. Quando um executivo usa isso numa apresentação, tudo bem, mas não é legal ficar usando determinados termos com quem, muitas vezes, nem fala o idioma", conta Gilberto.
O estrangeirismo é uma das questões mais debatidas entre os lingüísticos e professores de português. "É inevitável o uso de termos estrangeiros, mas o que não pode acontecer é o uso excessivo. É importante que falemos de acordo com a carga cultural que adquirimos", diz a professora Ivanosca. "É preciso falar corretamente e sem afetação", afirma ela. "No Brasil, as pessoas não sabem ou não querem mais traduzir as palavras. Preferem falar 'executive search' a falar 'busca de executivos' ou 'outplacement' em vez de 'recolocação', mas quando vão falar em português dizem 'menas coisas'", afirma a consultora Nydia Rocha.
Depois da exigência de fluência em inglês e espanhol, as empresas voltaram dar valor ao domínio da boa e velha Língua Portuguesa. Preocupadas com a falta de concisão, clareza e conhecimentos gramaticais básicos — além do excessivo uso de estrangeirismo —, algumas empresas estão "convidando" seus executivos a voltar para a escola. "Hoje, o nosso curso de aprimoramento da qualidade na comunicação escrita é um dos mais procurados, tanto por médias como por grandes empresas", diz Luiz Adriano Dantas, da Eschola.com. Dedicar um pouquinho de tempo para a leitura e para a prática do português pode ser um bom caminho para você se destacar na sua firma, "afinal, a forma como você fala ou escreve é seu cartão de visita", lembra a professora Ivanosca de Medeiros, sócia-gerente do curso IVM.
Com o uso freqüente do e-mail, muitas pessoas, que antes não precisavam exercitar a escrita diariamente, hoje têm que trocar muitas mensagens. Assim, acabam mostrando suas dificuldades de expressar idéias simples e de escrever sem erros ortográficos. "Executivos de altíssimo nível, com domínio de vários idiomas, muitas vezes, não são capazes de escrever o próprio currículo. Não conhecem as regras básicas da sua língua natal", diz a responsável pela área de consultoria da ATIVA RH , Nydia Rocha. "Isso acontece por vários motivos, mas os principais são a noção de que a nossa língua não tem valor no mercado, a origem humilde de alguns executivos e até o fato de terem sempre um assessor encarregado por seus textos, o que é um paliativo e não solução", acrescenta ela.
Erros de concordância, estrutura, coerência, regência e ortografia são os principais problemas encontrados nos textos. "A falta de leitura e a pouca atenção à gramática determinam um nível de português bem básico", diz a professora Ivanosca. "Por isso, indicamos que os nossos clientes tentem escrever de forma simples, concreta, com sentenças curtas e sem palavras desconhecidas", afirma ela. Os principais erros acontecem quando a pessoa tenta rebuscar o texto ou escrever "bonito" sem, no entanto, dominar a língua (ou sem ter carga cultural para tanto). As melhores pérolas se vêem nas redações de vestibular. A UFRJ, no Rio de Janeiro, já recolheu dezenas de frases e textos incrivelmente mal escritos, tais como "Precisamos tirar as fendas dos olhos para enxergar com clareza o número de famigerados que almenta (sic)" ou "O bem star (sic) dos abtantes endependente (sic) de roça, religião, sexo e vegetarianos, está preocupan-do-nos".
As provas de português são cada vez mais importantes nos vestibulares, nos concursos públicos, nos processos de seleção para emprego ou para aquela pós-graduação que você quer tanto fazer. Além disso, escrever memorandos, relatórios, emails, propostas e apresentações empresariais são provas de fogo que você precisa estar apta a vencer sem pestanejar. "Certa vez, cheguei no meu escritório e tinha um bilhete escrito assim: 'conversei com o seu editor e marcamos uma entrevista em sua sala às 9 horas'. Deu uma encrenca danada, pois eu achei que fosse no escritório dele e era no meu, achei que era às nove da manhã e era às nove de noite", conta o jornalista Henrique Dias. Pequenos deslizes ou a falta de domínio do idioma podem causar problemas, além de prejudicar a eficiência da comunicação e de diminuir a produtividade. Um relatório ou um email bem redigido pode ajudar a diminuir o tempo gasto com reuniões infindáveis.
"Com o advento do correio eletrônico, a necessidade de o profissional escrever bem aumentou, sem dúvida. Mais do que isso, as empresas têm procurado profissionais com essa habilidade. Afinal, o profissional faz parte da empresa e sua escrita é relacionada à qualidade dos produtos e serviços de sua organização", diz a coordenadora de cursos do CAP Clarice Andrade. "Se houver erros e inadequações, eles estarão registrados no email e poderão ser divulgados, com o nome do escritor assinado embaixo", lembra a coordenadora. Clarice ainda dá algumas sugestões para um bom email:
1) "Questões de qualidade do texto empresarial, como objetividade, clareza e coerência, são fundamentais. Apesar de o correio eletrônico ser uma forma mais rápida de comunicação, não se pode menosprezar a disposição do seu conteúdo".
2) "O cumprimento e o fecho deixam o email mais elegante e simpático", indica a coordenadora.
Gilberto Rhescky, gerente de RH de uma multinacional alemã no Brasil, afirma que a empresa conseguiu uma melhora significativa na comunicação interna, depois que fizeram um treinamento para melhorar a qualidade dos textos. "Antes, o funcionário escrevia uma página de email e só dizia o que queria lá no final da mensagem. Isso quando conseguia dizer alguma coisa, pois eram tantos erros ortográficos que ficava difícil compreender. Outro problema também era - e ainda é - a quantidade de palavras em inglês que se usa. Quando um executivo usa isso numa apresentação, tudo bem, mas não é legal ficar usando determinados termos com quem, muitas vezes, nem fala o idioma", conta Gilberto.
O estrangeirismo é uma das questões mais debatidas entre os lingüísticos e professores de português. "É inevitável o uso de termos estrangeiros, mas o que não pode acontecer é o uso excessivo. É importante que falemos de acordo com a carga cultural que adquirimos", diz a professora Ivanosca. "É preciso falar corretamente e sem afetação", afirma ela. "No Brasil, as pessoas não sabem ou não querem mais traduzir as palavras. Preferem falar 'executive search' a falar 'busca de executivos' ou 'outplacement' em vez de 'recolocação', mas quando vão falar em português dizem 'menas coisas'", afirma a consultora Nydia Rocha.
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