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Pedindo as contas
Sair do emprego é encerrar um ciclo. Você está preparada para isso?
Por Lívia Diniz • 01/06/2007

Existem certas situações em que é preciso tomar uma atitude: escolher que carreira seguir, decidir se casa ou não, optar pelo mestrado ou MBA, entre tantos outros exemplos. Um desses momentos-chave é a hora de pedir demissão. Para muitos, isso é uma questão impensável, seja por razões financeiras, medo, comodismo ou falta de iniciativa; para outros, no entanto, é a chance de se libertar e... recomeçar! Se você está insatisfeita no seu trabalho, por que não tentar? Mas antes de jogar tudo para o alto e limpar as gavetas do escritório, veja as recomendações e os cuidados que deve ter ao dar tchau ao seu emprego.

A publicitária Ana Mattos, 36 anos, não hesita na hora de pedir o boné - já o fez cinco vezes, em mais de quinze anos de vida profissional. Ela alerta que essas mudanças não foram à toa, mas sim por duas razões especiais. "Ou eu decidia sair para por projetos pessoais ligados ao estudo, ou porque o meu então chefe já não me servia de exemplo profissional e eu não aprendia mais nada", conta.

Eu sempre segui um princípio: você nunca pode se violentar. Às vezes é preciso tomar uma decisão de choque. Não acredito que tomar uma atitude assim é trocar o certo pelo duvidoso. Estabilidade hoje você só encontra no serviço público

Para muitos colegas de trabalho, a atitude de Ana era um exemplar ato de coragem que a maioria assume que não conseguiria ter. Para a publicitária, no entanto, foi uma maneira de investir na carreira. "Eu sempre segui um princípio: você nunca pode se violentar. Às vezes é preciso tomar uma decisão de choque. Não acredito que tomar uma atitude assim é trocar o certo pelo duvidoso. Estabilidade hoje você só encontra no serviço público", opina a publicitária. O importante, segundo ela, ao optar por uma escolha como essa, é ter segurança porque o retorno que você espera ou então a recolocação no mercado pode demorar e esta é uma realidade que terá que enfrentar com disciplina e confiança.

Mas largar tudo não era um ato inconseqüente. "Sempre foi um risco calculado. Tinha um planejamento financeiro para estas situações e tinha certeza que o retorno viria. Você precisa desenvolver a sensibilidade para perceber o melhor momento de fazer isso. Além do que, já tinha construído toda minha rede de contatos, já era conhecida no mercado. As outras empresas estavam atentas à minha movimentação".

Analise

Em tempos de mercado de trabalho saturado, pedir demissão pode ser bastante arriscado. Para uma atitude como esta, é preciso levar em consideração três aspectos principais, segundo Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação Executiva: as perspectivas de crescimento na empresa que você está e a que pretende ir, o ambiente de trabalho e, por fim, mas não por último, a remuneração fixa e benefícios. "Desses três pontos, a companhia deve oferecer pelo menos duas. Sair por apenas um motivo não é aconselhável, principalmente se a razão for apenas financeira", afirma.

Segundo ele, o ideal é que a pessoa peça demissão tendo alguma outra oportunidade em vista. Uma recolocação imediata depende de vários fatores como o cargo pretendido, o nível de especialização solicitado e, logicamente, as vagas disponíveis. Quanto mais nova a pessoa, maior a mobilidade. Além de poderem arriscar menos por causa das responsabilidades, as pessoas mais velhas têm mais dificuldade de recolocação por causa do salário e dos cargos em questão. "A mobilidade deve ser mais estratégica", sugere Constantino. Geralmente, quem tem mais idade tende, com o pedido de demissão, mudar o sistema de contratação, deixando a CLT para virar prestador de serviço, como consultor, fornecendo o know-how de anos de trabalho.

Deixe as portas abertas

Um das falhas de quem pede demissão é sair sem aviso prévio, deixando a empresa a ver navios. Erro gravíssimo! Lembre-se que os seus colegas de escritório poderão ser o seus futuros empregadores. Além disso, se as coisas não derem certo, saber que você é bem quisto na empresa e ter a garantia de portas abertas é um tanto reconfortante. Para isso, veja os conselhos de Constantino Cavalheiro:

1. Não deixe nada por fazer. Se tiver projetos em andamento, negocie prazos para deixar as tarefas prontas tanto com o atual quanto com o futuro empregador. Isso pega bem até para a nova empresa, mostrando que você é um profissional de responsabilidade.

2. Sempre deixe claro para o seu atual patrão as razões da sua saída, sejam elas por questões profissionais, financeiras ou de relacionamento.

3. Nunca faça leilão com as propostas que você receber. Ao ser contatado por uma companhia e surgir interesse numa transferência, repasse a proposta para seu atual empregador e espere uma contraproposta. Seja muito objetivo neste caso e nunca fique nesse jogo de ir e vir, vendo quem paga mais. Além de desgastar as relações, essa atitude pega mal.

4. Se atualmente você estiver num cargo substituindo um profissional temporariamente, é recomendável que você não peça demissão. Deixar um cargo de confiança dá a impressão de falta de compromisso.

5. Cumpra sempre o período de aviso prévio e se coloque à disposição para ajudar quem ficar no seu lugar depois de sair da empresa, mesmo que isso signifique trabalhar nos fins de semana ou além do horário de expediente. Isso deixa uma imagem positiva e demonstra que você "vestiu a camisa" da companhia.

Demorar a voltar para o mercado é um risco que todo profissional corre. Evite ficar defasado no que acontece na sua área de atuação. Mantenha contato, faça cursos, e tente se manter atualizada porque o mercado muda muito rápido.

Seus direitos

Mesmo quem pede demissão tem direito a receber benefícios: o saldo de salário, 13º e férias proporcionais. "Mas, para isso, é preciso avisar com um mês de antecedência a saída da empresa", orienta Sérgio Batalha, advogado trabalhista e conselheiro da OAB-RJ. É recomendável que o funcionário escreva uma carta à empresa comunicando a rescisão de contrato e informando o último dia de trabalho. Não esqueça de pedir um recibo em que se confirme o recebimento da carta. "Essa carta é fundamental para que o trabalhador tenha seus direitos garantidos se houver algum problema. Em dúvidas sobre rescisão de contrato, procure sempre um advogado trabalhista", diz ele.

Depois dessas dicas é com você! Preparada para recomeçar?



Lívia Diniz   Leia mais deste autor.





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