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Você continua sem entender o que está acontecendo no mundo ou ainda nem se deu conta que estamos passando por uma crise mundial?
Como afirmado por Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) e Luiz César Fernandes (fundador do Banco Pactual), estamos vivendo uma crise sistêmica. Não há o que fazer que nos livre deste momento. Todos vão sentir no bolso - quem tem muito dinheiro, quem tem pouco dinheiro, quem está no Brasil, quem está em qualquer outra parte do mundo, inclusive, e principalmente, os americanos.
Empresas de crédito imobiliário como Fannie Mae e Freddie Mac cediam empréstimos hipotecários às famílias que vivem nos Estados Unidos, bons pagadores e maus pagadores, sem distinção. Esses empréstimos eram securitizados, ou seja, eram "empacotados" e vendidos em forma de títulos para os investidores. Os investidores eram instituições de renome como Bear Stears, Washington Mutual, Lehman Brothers, AIG, Merrill Lynch e Wachovia. Isso sem mencionar pequenos investidores e as instituições européias, porque a lista é grande.
Com a queda dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, que começou em 2007, as famílias não conseguiram mais pagar suas prestações. Fannie Mae e Freddie Mac assumiram, então, no início de agosto, prejuízos de bilhões de dólares. Aqueles títulos "empacotados" passaram a não valer nada. Perdem os investidores, perdem as empresas de crédito imobiliário, perdem as famílias. Efeito dominó.
O pior é que não pára por aí. Esses investidores têm investimentos em outros lugares do mundo, como, por exemplo, em ações brasileiras. Mas, na necessidade, começam a resgatar e vender tudo o que não é de casa. Esse movimento faz o preço das ações despencarem. A irracionalidade toma conta. Perde-se a confiança no sistema.
Essa crise afeta o lado real da economia. O impacto na renda e no emprego será inevitável. Recessão ou apenas desaceleração econômica? Não sei, ainda não dá para dizer. A história não acabou. O governo americano ensaiou uma ajuda ao mercado financeiro de US$ 700 bilhões, mas o congresso rejeitou. Os congressistas não querem desagradar os eleitores a essa altura do campeonato.
O dólar em alta afeta os balanços das empresas porque aumenta as despesas financeiras e ainda pode gerar alta maior de preços no curto prazo, aumentando a preocupação com a inflação.
Nenhuma economia moderna pode sobreviver sem o sistema financeiro. Famílias e empresas precisam de crédito, mas a hora é de pôr ordem na casa. Não tem nada que possamos fazer neste momento. Mas o que será do futuro? Quem faz a lição de casa não tem o que temer. Não faça dívidas, não acredite em ganhos extraordinários. O que vem fácil é frágil, vai fácil.
Sandra Blanco é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, Sandra assina a coluna do portal que tem foco na educação financeira para mulheres.  Leia mais deste autor.
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