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Paixão no trabalho
Paixão não costuma combinar com carreira profissional, mas como evitá-la se, às vezes, passamos a maior parte do nosso tempo no trabalho?
Por Redação • 11/06/2001
"Onde se ganha o pão não se come a carne", já dizia o velho ditado. Repetindo: "dizia", no pretérito imperfeito mesmo. Segundo a famosa escritora americana Shere Hite, que esteve há poucos dias no Brasil, 62% das mulheres e 71% dos homens já tiveram algum affair com um colega de trabalho. Mais comuns do que se imagina, os relacionamentos amorosos no ambiente corporativo podem trazer vantagens para os enamorados, mas nem sempre são bem vistos pelas empresas.
A administradora de empresas Juliana Marques diz que conheceu seu atual namorado na empresa onde estagiava e acha muito natural que isso tenha acontecido, já que ficava mais de nove horas na firma. Não é de se surpreender, pois além de o trabalho tomar a maior parte do dia, é lá que as pessoas que compartilham os mesmos interesses se encontram. De acordo com o professor de Relacionamento Amoroso do departamento de Psicologia da USP Ailton Amélio da Silva, autor do livro recém-lançado "O Mapa Amoroso", 37% dos romances começam a partir de um relacionamento extra-amoroso. "Isso quer dizer: passam de relacionamentos profissionais, amistosos ou de coleguismo para o amoroso. Isso é natural, pois o ambiente de trabalho facilita os contatos, o que, muitas vezes, não acontece nos outros lugares. Por exemplo, certamente você encontraria pessoas interessantes num concerto, mas como você entraria em contato com elas? A interação no ambiente de trabalho é natural", explica ele.
Vantagens e desvantagens
Passar o dia junto, sair para almoçar, ter compreensão total na hora do aperto... saber exatamente onde está pisando. Essas são algumas das vantagens de se trabalhar a alguns passos do seu amor. Para o professor Ailton Amélio da Silva, a grande vantagem de um envolvimento amoroso com alguém do trabalho "é que se conhece melhor a pessoa antes de se relacionar com ela. Assim, há uma margem menor de decepções". Outra característica é o prazo de validade da paixão. "O meu estudo mostra que o namoro que começa por esse caminho dura muito mais", afirma o psicólogo.
O jornalista Rômulo de Gusmão conheceu sua namorada, Marina Lima, na época em que os dois ainda eram estagiários de um site de notícias na Internet. Hoje, ambos ocupam o cargo de editor e o namoro continua firme. "No caso específico da nossa profissão, namorar uma jornalista facilita as coisas. Acho que, no meu atual ritmo de trabalho, só alguém da área é capaz de compreender minha absoluta falta de horários. Além disso, pudemos concatenar os plantões, o que também é muito bom. Fosse uma jornalista de outra empresa, que também trabalhasse com notícias diárias, o namoro seria inviável", diz Rômulo. Marina, entretanto, deixa claro que nem tudo são flores. "A gente se vê o dia inteiro e às vezes não temos mais novidades para compartilhar quando estamos sozinhos. Também é chato quando brigamos no trabalho, ou mesmo fora dele - não dá para simplesmente ignorar o assunto porque a pessoa com quem você discutiu está ali, perto de você", conta.
Além do inevitável desgaste da relação, há outros pequenos inconvenientes, como o ciúme, por exemplo. A jornalista do TCINet Yami Trequesser, que namora o também jornalista Fernando Villela, conta que o namoro melhorou consideralvelmente depois que eles deixaram de trabalhar juntos. "Um dos motivos é o fato de eu ser muito ciumenta. Eu ficava sem concentração no trabalho, toda vez ele tinha reuniões com mulheres bonitas", confessa Yami. Outra razão, para ela, é a questão da saudade. "Quando você não está junto o tempo todo, chega no final do dia e sente saudades, além de ter coisas para contar no final do dia. Acho isso indispensável para a relação", completa a jornalista.
A administradora de redes da Módulo Security Solutions Marcia Bolesina trabalha na mesma empresa que o marido e acha que o dia-a-dia fica bem mais fácil, dessa maneira. "Em primeiro lugar, podemos ir e voltar juntos do trabalho. Além disso, podemos fazer academia e aulas de inglês juntos, o que é um incentivo enorme, um não deixa o outro desistir, o que é muito fácil de acontecer no ambiente de trabalho quando as tarefas do dia-a-dia acabam tomando o lugar dos compromissos pessoais", conta ela. O casal ainda cita mais benefícios: "é muito bom ter um grupo de amigos em comum e poder aproveitar os momentos de descontração com os amigos da empresa (festas, chopes e viagens) sem aquele desconforto de ter que dar atenção ao grupo e ao namorado que não conhece todo mundo", acrescenta Márcia. Já a pedagoga Selma Nogueira acha que ter todos os amigos em comum mais atrapalha do que ajuda. "Eu não acho bom ter todos os espaços e grupos em comum. Acho que cada um tem que ter o seu mundinho, para ter mais liberdade também. Meu relacionamento com um colega de trabalho acabou por isso. Eu não tinha mais nada que fosse só meu, era tudo dos dois", reclama.
O que pensam as empresas
Cientes de que o trabalho é um ambiente propício para novos relacionamentos, as empresas estão de olho nos casaizinhos. Algumas adotam uma política bem liberal — permitindo os relacionamentos e, por vezes, até incentivando —, outras são mais severas e não admitem relações pessoais entre funcionários. A Módulo Security Solutions e a Motorola, por exemplo, não vêem problema nos relacionamentos amorosos dentro da empresa. "Para nós, desde que ambas as partes sejam solteiras, não há nenhum problema em namorarem. Mas é claro que isso não pode afetar o ambiente e o desempenho do trabalho", diz Claudia Gargione, da equipe de recrutamento da Motorola. A administradora de redes da Módulo, Marcia Bolesina, garante que a empresa tem uma política bastante liberal, pois ela mesma era casada com um colega. "Na verdade, eu e o Gustavo já éramos casados quando começamos a trabalhar na Módulo. Durante a fase de seleção, a Módulo sempre teve conhecimento do nosso relacionamento. Fomos selecionados no mesmo período e, em nenhum momento, o fato de sermos casados e estarmos interessados em trabalhar na mesma empresa nos atrapalhou", conta Marcia.
A Herbarium e a NSI Training, no entanto, não acham bom que funcionários se relacionem. "Nós nunca tivemos uma postura muito severa em relação a isso, mas estamos pensando em mudar as normas da casa, pois acabamos de ter um a experiência difícil nesse sentido. Temos duas pessoas, que se conheceram na empresa e acabaram se casando, que ocupam cargos estratégicos. Só que, por um determinado motivo, um deles teve que ser demitido e tivemos muita dificuldade em tomar essa decisão, pois não queríamos criar nenhum constrangimento com a outra parte. Isso gerou um problema sério para nós", conta a consultora de recursos humanos da Herbarium, Joanita Plombom. O Diretor de Operações da NSI Training José Maria de Vasconcellos e Sá diz que a empresa não permite, em hipótese alguma, namoricos no ambiente de trabalho. Ele explica que isso acontece porque a firma não é suficientemente grande para que os casais possam trabalhar em departamentos totalmente separados. "Assim, no nosso caso, todos interagem com todos. Isso dificulta muito um relacionamento pessoal porque sempre há atritos de convivência entre as pessoas. Se a empresa tivesse uma estrutura que permitisse a separação física das pessoas poderia até abrir mão disso, mas hoje esta opção é inviável", afirma ele.
E "quando o amor acontece"? No caso da NSI Training, e da maioria das empresas que adotam a política do "não pode", um dos dois enamorados deve pedir demissão. Se não chegarem a uma conclusão, os dois vão para a rua. Foi um drama desses que atormentou a vida da economista Júlia Telles, que trabalha numa grande instituição financeira. "Eu sabia que o banco não permitia romances, principalmente entre pessoas do mesmo setor, mas não pude evitar. Conheci o Marcelo e ficamos apaixonados. Tentamos esconder ao máximo, mas um dia não deu mais. Tivemos que escolher quem pediria demissão e isso foi um drama horroroso. Acabou que ele conseguiu outro emprego melhor e resolveu nossa situação", conta Júlia. "Acabamos nos casando, mas ficou o trauma da escolha", completa.
Agradecimentos:
Merrill Lynch – www.ml.com
Motorola – www.motorola.com.br
Módulo Security Solutions – www.modulo.com.br
Herbarium – www.herbarium.net
NSI Training – www.nsi.com.br
TciNet – www.tcinet.com.br
IG – www.ig.com.br
Serviços:
Dr. Ailton Amélio da Silva
(11) 3021-5833
Shere Hite – Sexo e Negócios - www.sexandbusiness.com
A administradora de empresas Juliana Marques diz que conheceu seu atual namorado na empresa onde estagiava e acha muito natural que isso tenha acontecido, já que ficava mais de nove horas na firma. Não é de se surpreender, pois além de o trabalho tomar a maior parte do dia, é lá que as pessoas que compartilham os mesmos interesses se encontram. De acordo com o professor de Relacionamento Amoroso do departamento de Psicologia da USP Ailton Amélio da Silva, autor do livro recém-lançado "O Mapa Amoroso", 37% dos romances começam a partir de um relacionamento extra-amoroso. "Isso quer dizer: passam de relacionamentos profissionais, amistosos ou de coleguismo para o amoroso. Isso é natural, pois o ambiente de trabalho facilita os contatos, o que, muitas vezes, não acontece nos outros lugares. Por exemplo, certamente você encontraria pessoas interessantes num concerto, mas como você entraria em contato com elas? A interação no ambiente de trabalho é natural", explica ele.
Vantagens e desvantagens
Passar o dia junto, sair para almoçar, ter compreensão total na hora do aperto... saber exatamente onde está pisando. Essas são algumas das vantagens de se trabalhar a alguns passos do seu amor. Para o professor Ailton Amélio da Silva, a grande vantagem de um envolvimento amoroso com alguém do trabalho "é que se conhece melhor a pessoa antes de se relacionar com ela. Assim, há uma margem menor de decepções". Outra característica é o prazo de validade da paixão. "O meu estudo mostra que o namoro que começa por esse caminho dura muito mais", afirma o psicólogo.
O jornalista Rômulo de Gusmão conheceu sua namorada, Marina Lima, na época em que os dois ainda eram estagiários de um site de notícias na Internet. Hoje, ambos ocupam o cargo de editor e o namoro continua firme. "No caso específico da nossa profissão, namorar uma jornalista facilita as coisas. Acho que, no meu atual ritmo de trabalho, só alguém da área é capaz de compreender minha absoluta falta de horários. Além disso, pudemos concatenar os plantões, o que também é muito bom. Fosse uma jornalista de outra empresa, que também trabalhasse com notícias diárias, o namoro seria inviável", diz Rômulo. Marina, entretanto, deixa claro que nem tudo são flores. "A gente se vê o dia inteiro e às vezes não temos mais novidades para compartilhar quando estamos sozinhos. Também é chato quando brigamos no trabalho, ou mesmo fora dele - não dá para simplesmente ignorar o assunto porque a pessoa com quem você discutiu está ali, perto de você", conta.
Além do inevitável desgaste da relação, há outros pequenos inconvenientes, como o ciúme, por exemplo. A jornalista do TCINet Yami Trequesser, que namora o também jornalista Fernando Villela, conta que o namoro melhorou consideralvelmente depois que eles deixaram de trabalhar juntos. "Um dos motivos é o fato de eu ser muito ciumenta. Eu ficava sem concentração no trabalho, toda vez ele tinha reuniões com mulheres bonitas", confessa Yami. Outra razão, para ela, é a questão da saudade. "Quando você não está junto o tempo todo, chega no final do dia e sente saudades, além de ter coisas para contar no final do dia. Acho isso indispensável para a relação", completa a jornalista.
A administradora de redes da Módulo Security Solutions Marcia Bolesina trabalha na mesma empresa que o marido e acha que o dia-a-dia fica bem mais fácil, dessa maneira. "Em primeiro lugar, podemos ir e voltar juntos do trabalho. Além disso, podemos fazer academia e aulas de inglês juntos, o que é um incentivo enorme, um não deixa o outro desistir, o que é muito fácil de acontecer no ambiente de trabalho quando as tarefas do dia-a-dia acabam tomando o lugar dos compromissos pessoais", conta ela. O casal ainda cita mais benefícios: "é muito bom ter um grupo de amigos em comum e poder aproveitar os momentos de descontração com os amigos da empresa (festas, chopes e viagens) sem aquele desconforto de ter que dar atenção ao grupo e ao namorado que não conhece todo mundo", acrescenta Márcia. Já a pedagoga Selma Nogueira acha que ter todos os amigos em comum mais atrapalha do que ajuda. "Eu não acho bom ter todos os espaços e grupos em comum. Acho que cada um tem que ter o seu mundinho, para ter mais liberdade também. Meu relacionamento com um colega de trabalho acabou por isso. Eu não tinha mais nada que fosse só meu, era tudo dos dois", reclama.
O que pensam as empresas
Cientes de que o trabalho é um ambiente propício para novos relacionamentos, as empresas estão de olho nos casaizinhos. Algumas adotam uma política bem liberal — permitindo os relacionamentos e, por vezes, até incentivando —, outras são mais severas e não admitem relações pessoais entre funcionários. A Módulo Security Solutions e a Motorola, por exemplo, não vêem problema nos relacionamentos amorosos dentro da empresa. "Para nós, desde que ambas as partes sejam solteiras, não há nenhum problema em namorarem. Mas é claro que isso não pode afetar o ambiente e o desempenho do trabalho", diz Claudia Gargione, da equipe de recrutamento da Motorola. A administradora de redes da Módulo, Marcia Bolesina, garante que a empresa tem uma política bastante liberal, pois ela mesma era casada com um colega. "Na verdade, eu e o Gustavo já éramos casados quando começamos a trabalhar na Módulo. Durante a fase de seleção, a Módulo sempre teve conhecimento do nosso relacionamento. Fomos selecionados no mesmo período e, em nenhum momento, o fato de sermos casados e estarmos interessados em trabalhar na mesma empresa nos atrapalhou", conta Marcia.
A Herbarium e a NSI Training, no entanto, não acham bom que funcionários se relacionem. "Nós nunca tivemos uma postura muito severa em relação a isso, mas estamos pensando em mudar as normas da casa, pois acabamos de ter um a experiência difícil nesse sentido. Temos duas pessoas, que se conheceram na empresa e acabaram se casando, que ocupam cargos estratégicos. Só que, por um determinado motivo, um deles teve que ser demitido e tivemos muita dificuldade em tomar essa decisão, pois não queríamos criar nenhum constrangimento com a outra parte. Isso gerou um problema sério para nós", conta a consultora de recursos humanos da Herbarium, Joanita Plombom. O Diretor de Operações da NSI Training José Maria de Vasconcellos e Sá diz que a empresa não permite, em hipótese alguma, namoricos no ambiente de trabalho. Ele explica que isso acontece porque a firma não é suficientemente grande para que os casais possam trabalhar em departamentos totalmente separados. "Assim, no nosso caso, todos interagem com todos. Isso dificulta muito um relacionamento pessoal porque sempre há atritos de convivência entre as pessoas. Se a empresa tivesse uma estrutura que permitisse a separação física das pessoas poderia até abrir mão disso, mas hoje esta opção é inviável", afirma ele.
E "quando o amor acontece"? No caso da NSI Training, e da maioria das empresas que adotam a política do "não pode", um dos dois enamorados deve pedir demissão. Se não chegarem a uma conclusão, os dois vão para a rua. Foi um drama desses que atormentou a vida da economista Júlia Telles, que trabalha numa grande instituição financeira. "Eu sabia que o banco não permitia romances, principalmente entre pessoas do mesmo setor, mas não pude evitar. Conheci o Marcelo e ficamos apaixonados. Tentamos esconder ao máximo, mas um dia não deu mais. Tivemos que escolher quem pediria demissão e isso foi um drama horroroso. Acabou que ele conseguiu outro emprego melhor e resolveu nossa situação", conta Júlia. "Acabamos nos casando, mas ficou o trauma da escolha", completa.
Agradecimentos:
Merrill Lynch – www.ml.com
Motorola – www.motorola.com.br
Módulo Security Solutions – www.modulo.com.br
Herbarium – www.herbarium.net
NSI Training – www.nsi.com.br
TciNet – www.tcinet.com.br
IG – www.ig.com.br
Serviços:
Dr. Ailton Amélio da Silva
(11) 3021-5833
Shere Hite – Sexo e Negócios - www.sexandbusiness.com
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