• Crédito: Pacha Urbano
Mulherinvest
Milagre da multiplicação
Investimento financeiro ainda é um bicho de sete cabeças para muita gente. No entanto, quem opta por economizar, mesmo as menores quantias para realizar pequenos sonhos, pode ter maravilhosas surpresas.
Por Thiene Barreto • 10/05/2004

"Mas eu ganho tão pouco!", "Não entendo nada de investimentos!", "Sou péssima em Matemática!". O que não faltam são desculpas para não investir uma parte do suado salário ou até mesmo aquela quantia que você ganhou, mas não sabe como usar. No entanto, quem opta por economizar e investir para atingir uma meta de futuro, como comprar um carro novo, a casa própria ou fazer aquela superviagem, garante que vale a pena. Antes de mais nada, é essencial ter mente apenas uma palavra mágica: economizar. A partir daí fica tudo mais fácil e nem o fato de a quantia guardada ser pequena funciona como desculpa: existem opções sob medida para investidoras iniciantes.

Passar um mês viajando pela Europa é o objetivo a médio prazo da jornalista Gabriela Novaes. Para concretizar sua meta, a profissional não poupou esforços. Assim que mudou de emprego e passou a ganhar um pouco mais, separou R$ 100 para investir em um fundo de renda fixa DI, considerado por ela uma das melhores opções do mercado. "Tenho que juntar entre R$ 6 mil e R$ 8 mil em um ano. Achei que essa é a melhor opção porque a renda fixa rende mais do que a caderneta de poupança e não é tão arriscada quanto a Bolsa de Valores. É um fundo conservador e que atende às minhas necessidades", justifica Gabriela, que pretende ir aumentando a quantia investida ao longo do ano. A jornalista ainda pretende investir em moeda estrangeira, ponto fundamental para realizar o seu sonho. Para isso, acompanha diariamente as oscilações do mercado para saber quais são as melhores opções para o seu caso. "Ainda estou dúvida entre comprar euro ou dólar. Apesar de o euro ser a moeda vigente na Europa, o dólar tem se mostrado mais vantajoso", acredita Gabriela, que nem de longe é uma especialista financeira.

Além de ter uma meta definida, antes de se tornar uma investidora é necessário ter dinheiro suficiente para realizar as aplicações. Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas não têm a noção de que é necessário economizar antes de se aventurar em um investimento em ações, por exemplo. Segundo Luís Carlos Ewald, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor de "Sobrou Dinheiro!" (Ed. Bertrand), outro cuidado antes de fazer uma aplicação é avaliar seu perfil de investidor, de acordo com os tipos de opções disponíveis.

De maneira simplificada, os investimentos podem ser divididos em dois tipos: renda fixa e renda variável. "A renda fixa é constituída por aplicação em títulos pré-fixados, aqueles que têm remuneração combinada no momento da compra, ou por títulos pós-fixados, que têm remuneração de acordo com a taxa de juros diárias vigente, praticamente igual à dos títulos do Governo, ambas com prazo a ser escolhido", explica Ewald. "A renda variável é a aplicação feita em ações, que remuneram o investidor com dividendos e com a valorização nos seus preços a longo prazo. Exatamente por essa valorização ser indefinida, podendo até perder valor, é que é classificada como renda variável. Quem quiser aplicar em ações, deve sempre lembrar que essa é uma aplicação a longo prazo", alerta.

Tendo em mente os conceitos, a investidora pode escolher os fundos de investimentos constituídos por títulos de renda fixa, pré ou pós, por ações, ou mistos. Segundo Ewald, uma boa indicação para adotar uma filosofia de investimento é ter em mente a expressão "não colocar todos os ovos na mesma cesta", regra que assegura um retorno aceitável, garante liquidez e reduz os riscos. Segundo o guia de finanças pessoais Financenter, depois de escolher o investimento que mais tenha a ver com seu perfil e objetivos, é fundamental que a investidora entenda todos os mecanismos de funcionamento do produto escolhido e itens como as variáveis de mercado que o afetam.

O acompanhamento também é fundamental, já que investir não se resume em aplicar corretamente, e sim em acompanhar periodicamente o desempenho de seus investimentos, mantendo-se informada sobre o mercado e reavaliando estratégias racionalmente, sem precipitação. Então, se você é do tipo que não suporta guardar dinheiro e prefere torrar tudo em uma calça nova, mas sempre reclama que nunca tem grana para nada, experimente investir uma pequena parcela do dinheiro. A surpresa pode ser mais do que agradável.

Thiene Barreto   Leia mais deste autor.





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