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Matemática X psicologia
Em finanças, às vezes, o emocional fala mais alto que a razão
Por Sandra Blanco • 14/06/2007

Na matemática, dois mais dois são quatro! Em estatística, a possibilidade ou probabilidade de dar cara ao jogar uma moeda é 50%. No entanto, na matemática das finanças a coisa não é tão racional assim. Quer ver? Se te oferecessem as seguintes opções A e B para ganhar um dinheiro, qual você escolheria?

A: R$1.000 com certeza

B: 89% de probabilidade de R$1.000

10% de probabilidade de R$5.000

1% de probabilidade de 0

Nesse estudo, a maioria das pessoas escolhem a alternativa A. Embora o retorno esperado da alternativa B seja maior. A "certeza" é o que pesa na escolha da maioria dos participantes. Diante da oportunidade de ganhar R$1.000 com certeza, por que arriscar, se existe a chance de não ganhar nada, zero? É o que pensa a maioria.

Embora a possibilidade de não ganhar nada seja muito pequena, apenas 1%, ela existe e para quem tem aversão ao risco, esse número pequeno toma uma dimensão muito maior do que realmente é. Vamos a outra escolha? C ou D?

C: R$1.000 com probabilidade de 11%

0 com probabilidade de 89%

D: R$5.000 com probabilidade de 10%

0 com probabilidade de 90%

O que você escolheu? D?

D é a escolha da maioria sempre. E é a melhor escolha, porque o valor esperado nessa alternativa é maior do que o da alternativa C. Mas quem escolhe A e depois escolhe D está se contradizendo. É aqui que a matemática e a estatística começam a adquirir uma fórmula mais complicada para alguns. É que entram fatores que são difíceis de medir e incluir no nosso modelo de decisão como autoconfiança, otimismo, conservadorismo ou agressividade, crenças, experiências e preferências. Isso explica porque ficamos muito mais tristes quando perdemos, do que felizes quando ganhamos. O prejuízo tem um peso maior do que o lucro para a maioria.

Por isso que é tão difícil tomar uma decisão entre investir em renda fixa ou em ações ou entre comprar ou alugar um apartamento. Cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. Com as informações que você tem disponíveis, você consegue calcular o valor esperado das suas alternativas, mas só os números não são suficientes para tomar uma decisão.



Sandra Blanco é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, Sandra assina a coluna do portal que tem foco na educação financeira para mulheres.  Leia mais deste autor.





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