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Marketing pessoal
No mundo corporativo, uma imagem realmente vale mais que mil palavras
Por Cynthia Magnani • 17/10/2008

Marketing de relacionamento, marketing direto, marketing esportivo... A sociedade moderna vive a "era do marketing". Mas, apesar de ser o termo da moda, o estudo do mercado (assim conhecido por não existir uma tradução direta do termo para o português) teve suas origens na época da Revolução Industrial, no século XVIII, a partir de um movimento que começava a exaltar mais o comprador, em vez do vendedor. Dessa forma, era preciso fornecer ao "freguês" - expressão antiga, mas muito utilizada até bem pouco tempo - informação e vantagens que o fizessem escolher determinado produto e não outro. E o conceito está sempre se adaptando. Hoje, num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a necessidade de exaltar as qualidades profissionais e pessoais é grande, fazendo surgir o marketing pessoal.

Nada mascara a inteligência por muito tempo. Há casos em que até se compra por um bom marketing pessoal, mas se a pessoa for vazia de opiniões, informações ou até capacidades só essa estratégia não a fará perdurar no trabalho

Segundo o administrador, especializado em Propaganda e Marketing, e professor da Universidade Estácio de Sá Ricardo Marinho, autor do livro "Marketing Pessoal só para Mulheres", o marketing pessoal é um conjunto de habilidades técnicas e pessoais, estrategicamente trabalhadas, visando atingir um público-alvo específico, ou vários objetivos. Ele surgiu nos EUA e passou a ser conhecido no Brasil na década de 1990, vindo a reboque da globalização. "Na mesma época, o país passava a entender o conceito de empregabilidade. Nesse contexto, o marketing pessoal passou a ser uma ferramenta fundamental para os profissionais mostrarem ao mercado suas qualidades e diferenciais competitivos", explica

Conceitos e estratégias à parte, o administrador lembra que, para se ter sucesso, o profissional moderno precisa passar por uma preparação muito mais ampla. "Mesmo sendo uma ferramenta fundamental para a vida pessoal e profissional, o marketing pessoal sozinho não se mantém. Ele deve ser visto como complemento de um conjunto de atitudes que todos devem ter para se posicionar bem no mercado. Uma boa formação, visão global, ousadia e motivação certamente vão contribuir efetivamente para o sucesso pessoal e profissional!", aconselha.

Essa modalidade não difere muito do marketing convencional, só que em vez de ser utilizado por uma empresa que se prepara para lançar um produto no mercado, ele trata de pessoas que se preparam para se lançarem ao mercado de trabalho. Por isso é importante frisar que o marketing pessoal trata de pessoas, não de produtos. Enquanto uma empresa cria uma imagem para seu produto, o homem não pode simplesmente "inventar" uma personalidade ou qualidades para si. É preciso realmente tê-las. Segundo a psicóloga Izabel Ciocca, "nada mascara a inteligência por muito tempo. Há casos em que até se ‘compra' por um bom marketing pessoal, mas se a pessoa for vazia de opiniões, informações ou até capacidades, só essa estratégia não a fará perdurar no trabalho. Não se engana todo mundo o tempo todo! O ditado é velho, mas verdadeiro", afirma.

Por falar em mercado de trabalho, uma questão que continua atual é a disparidade de salários entre homens e mulheres - e não só em relação ao "Terceiro Mundo". Recente pesquisa realizada pela Comissão Européia revelou que no Velho Mundo as mulheres ainda ganham, em média, 15% menos que os homens. Mas o que isso tem a ver com o tal do marketing pessoal? Tudo! Como o conceito une estratégias de mercado e personalidade (entenda-se também "emoções"), não é difícil imaginar que possa haver também diferenças entre o que é feito por homens e mulheres na competição por um "lugar ao sol". Para Izabel, "há mais de um século percebeu-se que as reações femininas são absolutamente diferenciadas das masculinas. Mulher tem útero, uma relação de afeto interna; o homem tem pênis, uma relação externa. É claro que todas as características de competitividade e busca por uma boa colocação no mercado de trabalho existem em ambos, mas por haver essa relação anterior bem definida, reagem de forma afetiva diferentemente. É só pensar nas funções dos homens das cavernas. Um cuida da caverna para dentro, o outro, da caverna para fora".







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