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Qual é o segredo para a multiplicação do dinheiro? Seria uma mágica? Uma reza? Nada disso! Numa sociedade capitalista, a estratégia é a melhor opção na hora de lidar com as finanças. Por uma simples razão: quem não tem planejamento, não consegue fazer seus rendimentos multiplicarem. A equação é bem simples - ter despesas menores do que a receita e aplicações financeiras adequadas a cada objetivo e perfil do investidor. Pensando nisso, o Bolsa de Mulher preparou um guia para você montar a sua estratégia e, finalmente, conseguir viver com tranqüilidade.
Para quem pretende seguir o caminho dos estrategistas, a hora de ganhar mais dinheiro pode ser agora. Para isso, é preciso saber trilhar bem essa estrada. E como? Em época de fim de ano, muitos recebem o décimo terceiro salário e o dinheiro das férias, mas entram no novo ano sem um tostão. E o pior. Com muitas dívidas. A saída é mudar o comportamento.
O primeiro passo é fazer um orçamento detalhado com todas as despesas, inclusive as menores, como gastos em padarias, bancas de jornal e estacionamento em dia de compras. Relacionar as receitas e eventuais dívidas, incluindo na lista os juros pagos e as datas de cada pagamento. Há planilhas eletrônicas disponíveis na internet que ajudam muito. Feito isso, é preciso saber quanto de dinheiro extra será depositado na conta, como décimo terceiro e o pagamento das férias.
O engenheiro Ricardo Stahlschmidt Pinto Silva, de 38 anos, está entre os brasileiros que cumpre a meta de fazer um controle mensal de suas despesas e receitas. "Eu faço um controle em planilha eletrônica com gastos previstos para o ano inteiro. Eu já tenho uma planilha até 2009. É a melhor forma para saber qual é o mês mais apertado e qual o mês que eu terei dinheiro", conta. Ele reconhece, no entanto, que tem de vencer a falta de tempo para atualizar a planilha. "Eu atualizava a planilha todo mês, mas agora, está mais difícil de fazer isso".
Com o controle de despesas, o engenheiro acredita que pode planejar melhor sua vida com sua mulher, a professora universitária Ilka, e seu filho, João Pedro, de três anos. Ele não abre mão de aplicar mensalmente parte de seus ganhos, mesmo que não sobre dinheiro no fim do mês. "Eu prefiro ficar no cheque especial a deixar de aplicar. Se eu entro no cheque especial num mês, eu batalho no mês seguinte para sair. O gerente do meu banco já me alertou que eu estou perdendo dinheiro, porque os juros do cheque especial são sempre mais altos. Eu sei que estou perdendo, mais eu sei que se não fizer a aplicação eu vou perder mais ainda", afirma. Ele tem um título de capitalização, um fundo previdenciário com prazo de dez anos, um fundo de aposentadoria como funcionário de uma empresa e uma poupança.
Orçando
Segundo o planejador financeiro pessoal Louis Frankenberg, o orçamento mensal de despesas e receitas é o caminho para a pessoa fazer investimentos. Além disso, com a planilha de gastos a pessoa saberá melhor como estruturar sua vida e pagar eventuais dívidas. Ele avalia que a melhor opção para quem tem dívidas é pagá-las no prazo e, se sobrar algum extra, investir. Caso não sobre nada, a saída é deixar a idéia de fazer investimentos para um outro momento.
"Tudo depende da situação. Quando converso com um cliente, a primeira pergunta que eu faço é se ele tem dívidas. Se ele disser que não, aí eu posso sentar com ele e conversar para escolher um bom investimento financeiro para aquela pessoa", diz Frankengerg.
O segundo passo é saber se a pessoa quer investir todo dinheiro que sobrar no mês ou se ela vai usar parte de seus ganhos com a aquisição de algum bem. Definido isso, é preciso saber qual será o objetivo do investidor ao decidir fazer uma aplicação financeira. Saber o perfil do cliente também é fundamental, como por exemplo, avaliar se ele aceita correr riscos ao fazer aplicações. "Há outras perguntas que a pessoa tem de responder: a retirada do investimento será a curto ou a longo prazo? Ela vai querer economizar para uma viagem daqui a seis meses? Isto porque, para cada resposta, teremos um indicativo de que tipo aplicação deve ser feita", afirma Frankenberg.
Na maioria das vezes, Frankenberg aconselha seus clientes a aplicar na poupança, um investimento de renda fixa, pelo fato de não haver incidência de imposto de renda. Além disso, a rentabilidade da poupança está num bom patamar - no mês passado ficou em 0,54% - e não há cobrança de taxa de administração, como ocorre nas aplicações dos fundos de renda fixa.
"Eu sempre acho que a poupança é uma boa saída para o investidor. Os primeiros R$ 10 mil, R$ 15 mil ou R$ 20 mil têm de ser aplicados na poupança. Não há imposto de renda e há plena liquidez", diz Frankenberg. O planejador financeiro é autor do livro "Sucesso e Independência", lançado recentemente pela editora Campus. Com dicas sobre a melhor forma de associar o sucesso na vida pessoal ao bom desempenho no campo profissional, Frankenberg fala da necessidade de usar o dinheiro com inteligência.
Segundo o consultor, a poupança ainda traz outras vantagens. Em caso de quebra da instituição financeira onde o dinheiro do cliente estará aplicado, o governo federal, por meio do Fundo Garantidor de Crédito, dá o direito de resgate de até R$ 60 mil. A outra vantagem é o fato de alguns bancos restituírem a CPMF se o dinheiro ficar por mais de 90 dias na poupança.
Segundo Frankenberg, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) traçou o perfil médio do investidor brasileiro numa pesquisa realizada em agosto de 2005. De acordo com o resultado, 38% dos investidores tinham mais de 50 anos, contra 26% dos investidores entre 40 e 49 anos. "O perfil médio traça as seguintes características: é um investidor com 50 anos de idade, casado e com filhos".
A pesquisa revelou que 5% dos investidores ganhavam até R$ 1,2 mil mensais, 24% de R$ 1,2 mil a R$ 4,8 mil, 30% de R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil e 10% recebiam R$ 19,2 mil por mês. O estudo também mostrou que 52% das pessoas que tinham aplicações em 2005 espalhavam seus investimentos em quatro fundos diferentes, 23% possuíam até R$ 5 mil em aplicados e 26% entre R$ 5 mil e R$ 20 mil.
Aplicando
Além da poupança, os fundos de renda variável (aplicações em ações) podem ser uma boa opção, desde que a pessoa esteja disposta a correr riscos. Do início do ano até o fim de setembro, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, teve uma rentabilidade acumulada de 35,96%, segundo a consultora de investimentos e colunista do Bolsa de Mulher Sandra Blanco.
Para aplicar em fundos de ações, a melhor decisão a tomar é ir até seu banco e conversar com um gerente por causa da variedade de aplicações. Para cada fundo, há um montante mínimo de investimento e um prazo em que o dinheiro tem de ficar aplicado. A opção pelo investimento em fundo de ações é arriscada, já que a rentabilidade da aplicação varia conforme as oscilações das ações na Bolsa de Valores.
Segundo Sandra Blanco, se a pessoa tiver R$ 1 mil, por exemplo, e não quiser arriscar muito, ela pode aplicar 75% em poupança e 25% em fundos de ações. Se for uma pessoa mais jovem com mais disposição para correr riscos, ela pode investir R$ 500 em poupança e R$ 500 em fundo de ações.
Atualmente, ela não recomenda investimento em CDB, nem em ouro, nem em câmbio. "O CDB não está rendendo muito. Só dá para a pessoa investir em dólar, se ela tem uma viagem prevista ou se pretende fazer um curso no exterior", diz. "O ouro é um investimento somente para épocas de guerra. Não é o nosso caso". Os títulos do governo podem ser uma boa opção para o investidor que tem mais tempo disponível. "Para investir em títulos, você tem de abrir uma conta na corretora de seu banco, ter uma senha e fazer as movimentações pela internet. O mínimo que a pessoa pode investir em títulos do governo é R$ 200".
De resto, é examinar sua realidade financeira e sua disposição para investir. Mãos à obra!
Gilse Barbosa Guedes   Leia mais deste autor.
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