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Indústria da beleza II
Por trás de rostos bonitos e corpos malhados, há uma legião de profissionais ligados à beleza. Eles falam de como é a rotina de quem lida com a vaidade.
Por Crib Tanaka • 19/12/2005
Cuidar do corpo, do rosto, malhar, passar creme, tonificar, hidratar. A rotina estética das mulheres é cada vez mais exigente. Claro que uma boa alimentação e exercícios físicos são fatores primordiais para quem deseja um corpo saudável e bonito. E o empurrãozinho básico? Quem está por trás disso? Os profissionais nem sempre são lembrados na hora que nos deparamos com uma foto de atriz ou modelo com aquele corpo mais do que invejável. Mas, é nas mãos deles que estão boa parte das receitas para o físico tão sonhado. Eles dão suas opiniões sobre beleza, tratamentos e comportamento feminino.
A estética 2000
A busca pela perfeição não é novidade. Mas, hoje, as opções para quem quer se embelezar são muitas e vão desde tratamentos capilares a cirurgias plásticas. "A estética era para as pessoas mais abastadas da sociedade, um público pequeno, atualmente ela se popularizou, se tornou mais abrangente. Diversas faixas-etárias têm interesse no setor. Há tratamentos e soluções para todos os segmentos. Enquanto os mais novos procuram medidas de prevenção ao envelhecimento, as pessoas mais maduras tentam retardá-lo. Da década de 70 para cá, a mulher se inseriu mais ainda no mercado de trabalho e ela quer estar mental e fisicamente bem para competir. Como a longevidade também aumentou, as pessoas querem viver melhor e com uma boa aparência", opina Ricardo Cavalcanti, diretor-médico da Clínica Vitée, que atende cerca de 250 clientes por mês, dos quais 80% são mulheres. Ele cita os avanços tecnológicos como grandes aliados, lembrando que a segurança para a realização dos procedimentos também aumentou.
Marcelo Leoncy, professor da academia 24h Ipanema Sport Club, observa que a mulher de antigamente se preocupava com uma estética com formas mais finas, quase não pensava em qualidade de vida (relacionada à atividade física). "Hoje, a maioria pensa muito mais em vida saudável. No entanto, o conceito de beleza também mudou muito: o objetivo estético é voltado para o corpo musculoso, um conceito de beleza muito mais agressivo (massa muscular elevada e percentual de gordura baixo)", ele completa.
Saúde + beleza
Fátima Pazos, dermato-funcional do Salão da Academia Estação do Corpo, no Rio de Janeiro, é procurada por "pessoas insatisfeitas com o próprio corpo e que buscam o corpo que a mídia vende - um corpo perfeito sem gordura localizada, sem celulites e estrias", como ela mesmo define. Há dez anos trabalhando com estética corporal e facial, Fátima alerta para a obsessão pelo físico: "Cada vez mais busca-se a perfeição a ponto disso trazer transtornos emocionais, sentimento de baixa-estima. Elas não usam roupas que mostrem imperfeições. A estética mexe muito com o emocional das pessoas. Não se trata apenas de vaidade, é preciso tratar o bem-estar psico-emocional, também".
Para alcançar a cinturinha de pilão há quem exagere na dieta. "A vaidade ajuda por incentivar a adesão ao tratamento e atrapalha porque pode levar a transtornos alimentares como a bulimia, por exemplo", explica Perla Nogueira, nutricionista da Espaço Nutriente, clínica que conta com cerca de 1250 pacientes (dos quais, 70% são mulheres). Apesar dos transtornos alimentares ainda serem questões presentes no dia-a-dia, Perla sente que a preocupação com a saúde aumentou. "Existe uma preocupação muito grande com a forma física, com a busca pela beleza. Mas tenho observado que as mulheres atualmente também estão mais preocupadas com a saúde, além da boa forma. Noto, que elas estão mais conscientes do que há alguns anos. Houve um aumento na prática da atividade física e o desejo pelo bem-estar", diz ela.
Quem partilha da mesma opinião é a dermatologista Denise Steiner, da clínica Stockli, em São Paulo: "A mulher hoje tem mais informações e é mais consciente. Procura repor os hormônios, alimenta-se bem e faz exercícios. Falamos da maioria, é claro", diz ela, completando que os tratamentos mais procurados por suas pacientes são os que melhoram os aspectos de rugas e flacidez.
A dermatologista Ligia Kogos opina: "Se antes, as mulheres eram rígidas em relação ao seu comportamento, atitude e roupas, hoje isso mudou, a liberdade nessas áreas existe. O padrão de beleza que enrijeceu." Ela comenta que as mulheres, a partir dos 14, nunca estão satisfeitas. Principalmente as brasileiras, superpreocupadas com a aparência. "Meninas de 14 anos nos procuram por acne, estrias. As jovens de 20 e poucos, pela preocupação com celulite. Aos 30, 35, as mulheres querem atenuar as rugas de expressão. As de 50 querem parar a perda de elasticidade da pele. E eu acho que existe esse direito de querer ser bela, jovem sempre, já que a medicina e a tecnologia nos deram essa possibilidade", conclui ela, cuja clínica, em São Paulo, atende cerca de 100 pessoas por dia.
A fogueira das vaidades
Há quem prefira abrir mão do bem-estar em troca de um corpinho em cima. Nessas horas, como lidar com a fogueira das vaidades? Ricardo Cavalcanti diz que o profissional ideal deve tentar entender o paciente e respeitar. "Temos que oferecer soluções honestas, porque um paciente que tem uma vaidade exacerbada vai querer pagar por qualquer coisa. Mas é preciso ter ética profissional. Temos que oferecer um tratamento ético e que tenha efetivamente resultados. São lançadas no mercado novidades que, muitas vezes, não têm comprovação científica de sua eficiência".
Marcelo também ressalta a ética em prol da beleza: "O bom profissional deve sempre explicar como o aluno atinge seu objetivo, alertando dos perigos e exageros que a atividade física pode causar. Muitos professores dedicam várias horas do dia para obterem corpos esculturais, já que o físico do profissional pode ser um grande aliado do marketing pessoal. Só que ele próprio deve ter cuidados, pois seu corpo é a ferramenta de trabalho e, sem ela, não terá sucesso", diz ele, que busca a moderação nas atividades físicas que pratica.
Ana Paula Abruzzini, nutricionista responsável pela Clínica Nutricor, opina: "A vaidade ajuda quando, além do aspecto exterior, a mulher também se preocupa com o aspecto interior. A beleza feminina está ligada à saúde, já que, gordura localizada, acne, manchas na pele, celulite, estrias são os principais sinais da má alimentação". O equilíbrio é a chave do sucesso. "Não se deve deixar-se seduzir pelos pedidos de um paciente, que não sejam ideais para ele, que o tornem caricato. O médico deve orientar o paciente, sempre", comenta Ligia Kogos.
O cirurgião plástico Lucas Calcado também lembra do cuidado com exageros. "Muitas vezes, cabe ao médico orientar o paciente", informa ele, que, em sua clínica, no Rio de Janeiro, atende todas as faixas etárias, sendo que 90% são mulheres. Ele afirma: "Não existe idade ideal para se fazer uma plástica. Ela depende de um paciente psicologicamente normal sentir a necessidade de realizar algum tipo de tratamento".
Espelho, espelho meu
Viver de beleza e para a beleza é delicado: o profissional lida com carências, problemas de baixa auto-estima e excesso de vaidade em muitos casos. Mas a maioria não vê desvantagens em lidar com esses poréns, pelo contrário.
Fátima ressalta o retorno emocional: "A pessoa que você trata fica cada dia mais bela fisicamente e emocionalmente. Temos bons resultados com o físico e alma daquela pessoa que se sentia infeliz. "Trabalhar com beleza é muito gratificante: ajudamos as pessoas a ficarem mais felizes", fala Lucas Calcado. Ligia Kogos endossa: "Não vejo desvantagens, só vantagens! Há o contato humano, a troca que permite a intimidade, nós vivemos muitos momentos com o paciente, mudamos de "lugar" com ele".
Crib Tanaka   Leia mais deste autor.
A estética 2000
A busca pela perfeição não é novidade. Mas, hoje, as opções para quem quer se embelezar são muitas e vão desde tratamentos capilares a cirurgias plásticas. "A estética era para as pessoas mais abastadas da sociedade, um público pequeno, atualmente ela se popularizou, se tornou mais abrangente. Diversas faixas-etárias têm interesse no setor. Há tratamentos e soluções para todos os segmentos. Enquanto os mais novos procuram medidas de prevenção ao envelhecimento, as pessoas mais maduras tentam retardá-lo. Da década de 70 para cá, a mulher se inseriu mais ainda no mercado de trabalho e ela quer estar mental e fisicamente bem para competir. Como a longevidade também aumentou, as pessoas querem viver melhor e com uma boa aparência", opina Ricardo Cavalcanti, diretor-médico da Clínica Vitée, que atende cerca de 250 clientes por mês, dos quais 80% são mulheres. Ele cita os avanços tecnológicos como grandes aliados, lembrando que a segurança para a realização dos procedimentos também aumentou.
Marcelo Leoncy, professor da academia 24h Ipanema Sport Club, observa que a mulher de antigamente se preocupava com uma estética com formas mais finas, quase não pensava em qualidade de vida (relacionada à atividade física). "Hoje, a maioria pensa muito mais em vida saudável. No entanto, o conceito de beleza também mudou muito: o objetivo estético é voltado para o corpo musculoso, um conceito de beleza muito mais agressivo (massa muscular elevada e percentual de gordura baixo)", ele completa.
Saúde + beleza
Fátima Pazos, dermato-funcional do Salão da Academia Estação do Corpo, no Rio de Janeiro, é procurada por "pessoas insatisfeitas com o próprio corpo e que buscam o corpo que a mídia vende - um corpo perfeito sem gordura localizada, sem celulites e estrias", como ela mesmo define. Há dez anos trabalhando com estética corporal e facial, Fátima alerta para a obsessão pelo físico: "Cada vez mais busca-se a perfeição a ponto disso trazer transtornos emocionais, sentimento de baixa-estima. Elas não usam roupas que mostrem imperfeições. A estética mexe muito com o emocional das pessoas. Não se trata apenas de vaidade, é preciso tratar o bem-estar psico-emocional, também".
Para alcançar a cinturinha de pilão há quem exagere na dieta. "A vaidade ajuda por incentivar a adesão ao tratamento e atrapalha porque pode levar a transtornos alimentares como a bulimia, por exemplo", explica Perla Nogueira, nutricionista da Espaço Nutriente, clínica que conta com cerca de 1250 pacientes (dos quais, 70% são mulheres). Apesar dos transtornos alimentares ainda serem questões presentes no dia-a-dia, Perla sente que a preocupação com a saúde aumentou. "Existe uma preocupação muito grande com a forma física, com a busca pela beleza. Mas tenho observado que as mulheres atualmente também estão mais preocupadas com a saúde, além da boa forma. Noto, que elas estão mais conscientes do que há alguns anos. Houve um aumento na prática da atividade física e o desejo pelo bem-estar", diz ela.
Quem partilha da mesma opinião é a dermatologista Denise Steiner, da clínica Stockli, em São Paulo: "A mulher hoje tem mais informações e é mais consciente. Procura repor os hormônios, alimenta-se bem e faz exercícios. Falamos da maioria, é claro", diz ela, completando que os tratamentos mais procurados por suas pacientes são os que melhoram os aspectos de rugas e flacidez.
A dermatologista Ligia Kogos opina: "Se antes, as mulheres eram rígidas em relação ao seu comportamento, atitude e roupas, hoje isso mudou, a liberdade nessas áreas existe. O padrão de beleza que enrijeceu." Ela comenta que as mulheres, a partir dos 14, nunca estão satisfeitas. Principalmente as brasileiras, superpreocupadas com a aparência. "Meninas de 14 anos nos procuram por acne, estrias. As jovens de 20 e poucos, pela preocupação com celulite. Aos 30, 35, as mulheres querem atenuar as rugas de expressão. As de 50 querem parar a perda de elasticidade da pele. E eu acho que existe esse direito de querer ser bela, jovem sempre, já que a medicina e a tecnologia nos deram essa possibilidade", conclui ela, cuja clínica, em São Paulo, atende cerca de 100 pessoas por dia.
A fogueira das vaidades
Há quem prefira abrir mão do bem-estar em troca de um corpinho em cima. Nessas horas, como lidar com a fogueira das vaidades? Ricardo Cavalcanti diz que o profissional ideal deve tentar entender o paciente e respeitar. "Temos que oferecer soluções honestas, porque um paciente que tem uma vaidade exacerbada vai querer pagar por qualquer coisa. Mas é preciso ter ética profissional. Temos que oferecer um tratamento ético e que tenha efetivamente resultados. São lançadas no mercado novidades que, muitas vezes, não têm comprovação científica de sua eficiência".
Marcelo também ressalta a ética em prol da beleza: "O bom profissional deve sempre explicar como o aluno atinge seu objetivo, alertando dos perigos e exageros que a atividade física pode causar. Muitos professores dedicam várias horas do dia para obterem corpos esculturais, já que o físico do profissional pode ser um grande aliado do marketing pessoal. Só que ele próprio deve ter cuidados, pois seu corpo é a ferramenta de trabalho e, sem ela, não terá sucesso", diz ele, que busca a moderação nas atividades físicas que pratica.
Ana Paula Abruzzini, nutricionista responsável pela Clínica Nutricor, opina: "A vaidade ajuda quando, além do aspecto exterior, a mulher também se preocupa com o aspecto interior. A beleza feminina está ligada à saúde, já que, gordura localizada, acne, manchas na pele, celulite, estrias são os principais sinais da má alimentação". O equilíbrio é a chave do sucesso. "Não se deve deixar-se seduzir pelos pedidos de um paciente, que não sejam ideais para ele, que o tornem caricato. O médico deve orientar o paciente, sempre", comenta Ligia Kogos.
O cirurgião plástico Lucas Calcado também lembra do cuidado com exageros. "Muitas vezes, cabe ao médico orientar o paciente", informa ele, que, em sua clínica, no Rio de Janeiro, atende todas as faixas etárias, sendo que 90% são mulheres. Ele afirma: "Não existe idade ideal para se fazer uma plástica. Ela depende de um paciente psicologicamente normal sentir a necessidade de realizar algum tipo de tratamento".
Espelho, espelho meu
Viver de beleza e para a beleza é delicado: o profissional lida com carências, problemas de baixa auto-estima e excesso de vaidade em muitos casos. Mas a maioria não vê desvantagens em lidar com esses poréns, pelo contrário.
Fátima ressalta o retorno emocional: "A pessoa que você trata fica cada dia mais bela fisicamente e emocionalmente. Temos bons resultados com o físico e alma daquela pessoa que se sentia infeliz. "Trabalhar com beleza é muito gratificante: ajudamos as pessoas a ficarem mais felizes", fala Lucas Calcado. Ligia Kogos endossa: "Não vejo desvantagens, só vantagens! Há o contato humano, a troca que permite a intimidade, nós vivemos muitos momentos com o paciente, mudamos de "lugar" com ele".
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