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Embora as taxas de juros estejam mais altas, financiar um carro novo ainda é viável. Prova disso é que a venda e a produção de veículos no Brasil estão batendo recordes, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em maio, 242 mil automóveis nacionais e importados foram emplacados. Tem-se produzido 200 mil unidades, em média, por mês.
Para fazer uma compra inteligente, não leve apenas em consideração se o valor da prestação cabe no seu bolso. Muita gente se aperta para pagar R$ 400 porque acha um valor razoável de pagar. Os seus compromissos financeiros não devem ultrapassar 30% das suas receitas. Assim sendo, se você recebe R$ 1.000 mensais, nem pense em fazer uma prestação de R$ 400.
Outro fator importante que deve pesar na decisão é a taxa de juros embutida no financiamento. Agora está muito mais fácil avaliar essa taxa e compará-la com outras alternativas de crédito. É que, ao financiar um automóvel, as prestações são calculadas com base no CET - Custo Efetivo Total. O CET é uma taxa anual que engloba os juros e todos os demais custos embutidos num financiamento como o seguro (para garantir o pagamento da dívida em caso de invalidez permanente ou morte do devedor), a taxa de abertura de crédito (TAC) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Quanto maior o valor financiado ou o número de prestações, maior vai ser a taxa de juros do financiamento. É o adicional que você tem de pagar para ter o bem quando não tem dinheiro.
Se você tiver dinheiro para dar uma entrada de 50% ou mais do valor do automóvel, pode conseguir taxa bem atraente se pesquisar e negociar. Nesses casos, pode optar por 12 ou 24 prestações e estará fazendo um bom negócio. Mas se você não tem um valor para dar de entrada e pensa em financiar em 60 ou 72 meses, as taxas já são mais salgadas.
Necessidade ou sonho de consumo? Tire da cabeça a idéia de que comprar um carro é um investimento. Um carro novo quando sai da concessionária sofre depreciação imediata de 20 a 30% e ainda aumenta suas despesas: combustível, seguro, estacionamento, pedágio, IPVA, licenciamento e manutenção. Antes de colocar o pé no acelerador, reveja seu orçamento.
Sandra Blanco é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, Sandra assina a coluna do portal que tem foco na educação financeira para mulheres.  Leia mais deste autor.
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