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Eu arrisquei!
Às vezes é preciso tomar uma decisão na vida. Elas tomaram!
Por Lívia Diniz • 15/12/2006
Toda escolha envolve perdas e ganhos. E isso significa assumir riscos e administrar os medos. Saber fazer essa análise e ter consciência de tudo o que está envolvido é muito importante, principalmente na vida profissional. Por exemplo: você largaria seu emprego para se dedicar à maternidade ou para abrir seu próprio negócio? Deixaria uma carreira de sucesso e reconhecimento para começar tudo de novo em uma profissão totalmente diferente? Conseguiria superar a timidez e o orgulho para pedir um aumento ao seu chefe? O Bolsa de Mulher selecionou algumas histórias de (corajosas) mulheres que resolveram arriscar e colocaram a cara - e a segurança - à tapa para buscar a realização profissional e pessoal.
Mas, antes de sair por aí proclamando a liberdade e mandando o seu chefe às favas, é preciso avaliar os riscos e ver se eles compensam. Com a ajuda de Christina Marques Parra, consultora de recursos humanos da Manager, criamos um manual de sobrevivência para você se manter nessa selva que é o mercado de trabalho - ou, pelo menos, saber o caminho de volta.
Escolha: deixar a estabilidade de um emprego para abrir o próprio negócio
Personagem: Sandra Calmon, 42 anos, engenheira.
"Quando eu era pequena, adorava cozinhar, ficava vendo minha avó preparando pratos deliciosos. Era uma imagem que me fazia bem. Cresci, conheci coisas novas e fiz vestibular para engenharia por influência do meu pai, que também era engenheiro. A cozinha era tratada como diversão.
Como engenheira, fiz muitas coisas. Trabalhei em plataforma, em escritório, como freelancer e fiz concurso público. Aos 27 anos, ganhava um salário muito superior aos dos meus colegas de profissão. Entretanto, com o tempo, percebi que aquele trabalho era muito burocrático e eu não tinha desafios - ia fazer a mesma coisa a vida inteira e isso me causava desânimo e aflição. Mas tinha um excelente salário. Ainda vivia na casa dos meus pais e consegui montar um pé-de-meia legal. Isso me prendia muito.
Aos 32, me casei, e meu marido sempre teve uma filosofia que você tem que fazer o que der vontade. Foi complicado absorver isso, pois tinha uma visão muito centrada, rígida. Mas quando você não está satisfeita com o que faz, a idéia de ter um hobby e não um trabalho se torna muito sedutora. Demorei mais uns cinco anos para decidir largar tudo e abrir um restaurante. Tinha medo de não conseguir manter o padrão de vida que nossos três filhos tinham.
De fato, foi uma perda. Eu abri o meu restaurante aos 38 anos. Um local pequeno, charmoso, com comida caseira em Botafogo, no Rio de Janeiro. Nos quatro primeiros meses, tudo foi festa, mas depois estava percebendo que gastava muito mais do que o planejamento que tinha feito. Aliás, montar um plano de ação é fundamental nesses casos. Durante dois anos, tive mais prejuízos e problemas que alegrias. Sabe aquela sensação sufocante de arrependimento? Convivi com isso esse tempo todo. Mas meu marido (um anjo em minha vida) me ajudou a manter esse sonho.
Estudamos novas formas de viabilizar o investimento e dar a guinada. Levamos seis meses replanejando e decidimos ir para outro ponto. Foi arriscado - eram as últimas economias, mas deu certo! É claro que não foi meteórico como imaginamos. Mas, hoje, dois anos depois, posso dizer que consigo manter minha casa e minhas vaidades com o dinheiro do meu restaurante. Meu marido largou o emprego dele para vir trabalhar comigo.
Sei que foi arriscado, mas confiei em tudo o que estudei para abrir um negócio. O mais importante é saber como ganhar dinheiro com o tipo de negócio que você escolheu. No nosso caso, é acordar cedo, treinar bem as pessoas e, principalmente, caprichar no tempero. Mas, sério, para fazer isso tudo eu estudei muito - assuntos administrativos, financeiros etc. - e estava plenamente ciente dos riscos. Sonhar é bom, mas, na vida, você tem que estar certa das suas escolhas, seja ela qual for. Ela sempre vai trazer coisas boas e ruins. No meu caso, o padrão de vida caiu, mas tenho a minha família mais próxima e estou infinitamente feliz. Acho que compensei."
Manual de sobrevivência: a consultora de recursos humanos da Manager, Christina Marques Parra, propõe a seguinte pergunta: você sabe ganhar dinheiro com o tipo de negócio que escolheu? Caso tenha dificuldades, procure o Sebrae para montar o seu plano de negócios. Ela recomenda que a pessoa abra a empresa dentro da expertise que o profissional se desenvolveu porque, se houver necessidade de retornar ao mercado convencional, tudo fica mais fácil. "A empresa não vingar não é sinônimo de fracasso, de má gestão. O saldo é muito positivo. Mesmo que não dê certo, a experiência em gestão é um ponto forte. Você adquiriu experiência como empregador e desenvolveu outras competências que são muito apreciadas numa entrevista", afirma.
Mas, antes de sair por aí proclamando a liberdade e mandando o seu chefe às favas, é preciso avaliar os riscos e ver se eles compensam. Com a ajuda de Christina Marques Parra, consultora de recursos humanos da Manager, criamos um manual de sobrevivência para você se manter nessa selva que é o mercado de trabalho - ou, pelo menos, saber o caminho de volta.
Escolha: deixar a estabilidade de um emprego para abrir o próprio negócio
Personagem: Sandra Calmon, 42 anos, engenheira.
"Quando eu era pequena, adorava cozinhar, ficava vendo minha avó preparando pratos deliciosos. Era uma imagem que me fazia bem. Cresci, conheci coisas novas e fiz vestibular para engenharia por influência do meu pai, que também era engenheiro. A cozinha era tratada como diversão.
Como engenheira, fiz muitas coisas. Trabalhei em plataforma, em escritório, como freelancer e fiz concurso público. Aos 27 anos, ganhava um salário muito superior aos dos meus colegas de profissão. Entretanto, com o tempo, percebi que aquele trabalho era muito burocrático e eu não tinha desafios - ia fazer a mesma coisa a vida inteira e isso me causava desânimo e aflição. Mas tinha um excelente salário. Ainda vivia na casa dos meus pais e consegui montar um pé-de-meia legal. Isso me prendia muito.
Aos 32, me casei, e meu marido sempre teve uma filosofia que você tem que fazer o que der vontade. Foi complicado absorver isso, pois tinha uma visão muito centrada, rígida. Mas quando você não está satisfeita com o que faz, a idéia de ter um hobby e não um trabalho se torna muito sedutora. Demorei mais uns cinco anos para decidir largar tudo e abrir um restaurante. Tinha medo de não conseguir manter o padrão de vida que nossos três filhos tinham.
De fato, foi uma perda. Eu abri o meu restaurante aos 38 anos. Um local pequeno, charmoso, com comida caseira em Botafogo, no Rio de Janeiro. Nos quatro primeiros meses, tudo foi festa, mas depois estava percebendo que gastava muito mais do que o planejamento que tinha feito. Aliás, montar um plano de ação é fundamental nesses casos. Durante dois anos, tive mais prejuízos e problemas que alegrias. Sabe aquela sensação sufocante de arrependimento? Convivi com isso esse tempo todo. Mas meu marido (um anjo em minha vida) me ajudou a manter esse sonho.
Estudamos novas formas de viabilizar o investimento e dar a guinada. Levamos seis meses replanejando e decidimos ir para outro ponto. Foi arriscado - eram as últimas economias, mas deu certo! É claro que não foi meteórico como imaginamos. Mas, hoje, dois anos depois, posso dizer que consigo manter minha casa e minhas vaidades com o dinheiro do meu restaurante. Meu marido largou o emprego dele para vir trabalhar comigo.
Sei que foi arriscado, mas confiei em tudo o que estudei para abrir um negócio. O mais importante é saber como ganhar dinheiro com o tipo de negócio que você escolheu. No nosso caso, é acordar cedo, treinar bem as pessoas e, principalmente, caprichar no tempero. Mas, sério, para fazer isso tudo eu estudei muito - assuntos administrativos, financeiros etc. - e estava plenamente ciente dos riscos. Sonhar é bom, mas, na vida, você tem que estar certa das suas escolhas, seja ela qual for. Ela sempre vai trazer coisas boas e ruins. No meu caso, o padrão de vida caiu, mas tenho a minha família mais próxima e estou infinitamente feliz. Acho que compensei."
Manual de sobrevivência: a consultora de recursos humanos da Manager, Christina Marques Parra, propõe a seguinte pergunta: você sabe ganhar dinheiro com o tipo de negócio que escolheu? Caso tenha dificuldades, procure o Sebrae para montar o seu plano de negócios. Ela recomenda que a pessoa abra a empresa dentro da expertise que o profissional se desenvolveu porque, se houver necessidade de retornar ao mercado convencional, tudo fica mais fácil. "A empresa não vingar não é sinônimo de fracasso, de má gestão. O saldo é muito positivo. Mesmo que não dê certo, a experiência em gestão é um ponto forte. Você adquiriu experiência como empregador e desenvolveu outras competências que são muito apreciadas numa entrevista", afirma.
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