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Empresas que mimam você
Dia do Trabalho: investir no bem-estar do funcionário é um bom negócio
Por Mônica Vitória • 01/05/2008

Adelaide Maselli, de 44 anos, faz ginástica e alongamento às segundas, quartas e sextas-feiras e 20 minutos de shiatsu duas vezes por semana. Em datas comemorativas, faz cursinhos de maquiagem. Contando assim, muita gente pode pensar que ela tem muito horário livre, fora do trabalho, para se dedicar ao corpo. Mas não. Adelaide trabalha como analista na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI) e faz tudo isso - acredite - durante o expediente, quase sem sair do lugar.

Ginástica laboral, academia, massagem, pilates, yoga, atendimento médico, filmes, cursos e creche para os filhos. Há alguns anos, realmente seria difícil imaginar que um ambiente de trabalho pudesse contar com mimos como esses para todos os seus empregados. Hoje, isto é uma realidade em diversas empresas públicas e privadas. Uma delas é a Serasa, que já foi eleita a "melhor empresa para trabalhar no Brasil", em pesquisa realizada no ano passado pela revista "Época" e o Great Place to Work® Institute, e ficou em terceiro lugar, pelo oitavo ano consecutivo, em um ranking semelhante divulgado na revista "Exame".

Alguns estudos mostram que, para cada dólar investido no capital humano, há um retorno de três, cinco ou até mais dólares para a companhia

A classificação tão satisfatória é fruto do investimento na qualidade de vida de seus empregados, que privilegia o bem-estar profissional, físico, social, material e espiritual deles. Entre os programas, estão a ginástica laboral três vezes por semana, o café da manhã (diário e gratuito), o atendimento ginecológico às mulheres, as palestras (sobre saúde, alimentação, orçamento familiar, gestação etc), as práticas de voluntariado, a "Escola Serasa" e até concursos artísticos envolvendo trabalhos com fotografia, pintura, artesanato e música, por exemplo. Isso sem contar os benefícios corporativos mais comuns, como assistência odontológica e auxílio-creche.

Todos ganham

O objetivo dos programas e conveniências é promover a qualidade de vida dos colaboradores, incutindo mudanças no seu estilo de saúde, e, assim, ver os resultados disso na qualidade e no desenvolvimento da organização. A fórmula é bem simples: funcionários que se sentem valorizados, respeitados e "cuidados" ficam mais motivados ao trabalhar, "vestem a camisa" da empresa e aumentam o seu rendimento. "Se as pessoas não se desenvolvem, não têm como ficar motivadas. A motivação passa pela valorização da empresa pelo funcionário, o ambiente e a própria atividade. O trabalho precisa ser desafiador, e como este conceito é individual, o gestor precisa identificar o que é estimulante para cada funcionário", defende Cláudio Tomanini, palestrante, consultor e professor da Fundação Getúlio Vargas.

Para Priscila Oliveira, psicóloga da empresa de Recursos Humanos Steer, esta preocupação das instituições com a qualidade de vida no trabalho segue uma tendência mundial. "Quanto a isso, o Brasil está atrasado pelo menos uma década. Os benefícios espontâneos são uma forma de atrair e reter talentos nas organizações. Eles visam ao aumento da qualidade de vida e o conseqüente aumento de produtividade", analisa. Segundo Priscila, as atividades diferenciadas provocam, nos trabalhadores, melhor disposição geral, diminuição dos riscos de hipertensão e aumentam a resistência ao estresse, a estabilidade emocional, a auto-estima, a motivação e a eficácia no trabalho. "Conseqüentemente, para as empresas, isto gera força de trabalho mais saudável, maior comprometimento dos funcionários, maior produtividade, melhor imagem e melhor ambiente de trabalho", conclui.

Sâmia Simurro, vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), reforça a importância dos programas voltados aos funcionários. "Ambos ganham, eles e as empresas. Mais do que isso: a sociedade também é beneficiada. O funcionário que fica mais bem informado sobre sua saúde, com mais satisfação e mais recursos para lidar com riscos torna-se multiplicador do comportamento mais saudável, conscientizando sua família e as pessoas ao seu redor", explica. Sâmia acredita que este movimento só tende a crescer. "A vida moderna estressante preocupa os gestores e, por isso, eles estão se empenhando mais em dar melhores condições para que o trabalhador execute a sua função da melhor maneira possível. Assim, além de ganhar produtividade, as empresas diminuem custos com assistência médica, por exemplo", observa.

Valorizando as ações

Segundo estudo da empresa de auditoria e consultoria empresarial Deloitte, as principais práticas desse tipo adotadas nas organizações, atualmente, são: cursos e palestras (aplicados em 79% dos programas de qualidade de vida), ginástica laboral (71%), horário flexível (28%), massagem ou shiatsu (26%) e acesso à academia interna (24%). Adelaide Maselli, da PREVI, avalia muito bem esses programas. "É bom porque dá uma paradinha na rotina de trabalho e a gente pode relaxar. A ginástica, por exemplo, melhora até a integração com os colegas, além de nos motivar mais a continuar trabalhando. Sempre que posso, eu participo dessas atividades", conta.

Não por acaso, a ABQV criou o Prêmio Nacional de Qualidade de Vida (PNQV), que, desde 1996, é entregue anualmente com o objetivo de incentivar a implantação (e o desenvolvimento) de programas com este cunho nas empresas. Uma das ganhadoras do PNQV nos últimos anos, a Petrobras é outra que investe no bem-estar de quem trabalha na companhia. O Centro de Promoção da Saúde, na sede central do Rio de Janeiro, conta com vários equipamentos de ginástica e profissionais de educação física e nutrição à disposição dos funcionários que possuem algum tipo de problema como obesidade, hipertensão, ou que necessitam de fisioterapia. Além disso, a empresa oferece ginástica laboral a todos os colaboradores, tratamento antitabagismo, convênios em academias, auxílio-creche, colônia de férias para os filhos e eventos que promovem sessões de massagens, vacinação contra a gripe e outros benefícios.

"Mesmo que os efeitos dessas práticas pareçam pouco tangíveis a curto prazo, aquelas empresas que possuem recursos para implementá-las têm apostado neste diferencial. Alguns estudos mostram que, para cada dólar investido no capital humano, há um retorno de três, cinco ou até mais dólares para a companhia", informa Sâmia Simurro, da ABQV. Para ela, o que ainda falta para os gestores é melhorar a forma como o investimento é feito, avaliando a qualidade dos programas: "Os responsáveis pelos programas precisam buscar capacitação, para melhorar o nível do atendimento e oferecer benefícios consistentes. As verbas devem ser bem aplicadas para não serem desperdiçadas", adverte.



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