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Que o diga o jogador Roberto Bosch, mais conhecido como Betinho, que atuou na seleção brasileira de vôlei na década de 80. "A seleção feminina de vôlei, por exemplo, teve que amadurecer muito para conquistar o ouro depois daquela derrota nos Jogos Olímpicos de Atenas, há quatro anos. Dava para ver, agora em Pequim, a coesão, a tranqüilidade e o equilíbrio da equipe. As meninas conseguiram empenhar as qualidades de cada uma para o benefício do grupo", recorda Betinho, que hoje é professor e treinador de vôlei de praia, no Rio.
Para ele, uma competição como as Olimpíadas traz uma carga emocional muito forte aos atletas, e, por isso, a maturidade emocional torna-se fundamental para alcançar bons resultados. "Principalmente daqui, que não há incentivo nem subsídios suficientes para o esporte. O atleta chega ao evento, todo o mundo está de olho nele, e a mídia não poupa comentários cruéis. A pressão se torna maior do que a que ele já aplica em si mesmo - porque é claro que ele quer ganhar, quer dar o seu melhor", ressalta.
A relação entre controle emocional e resultados fica mais clara quando lembramos que não podemos separar razão, corpo e emoção - mas devemos fazê-los trabalhar em conjunto. "No vôlei, por exemplo, você não consegue pular ou bater forte na bola se não adquirir essas qualidades internamente. A mente é uma só. Não dá para isolar o trabalho do resto. Tudo reflete no nosso desempenho. As empresas dão muito valor à produtividade e tentam extrair dos funcionários resultados, lucros. Mas precisamos de equilíbrio para produzir. Acho que as pessoas estão buscando isso cada vez mais, o problema é que procuram o equilíbrio do lado de fora, e não internamente", opina Betinho.
Se as Olimpíadas têm algo a ensinar sobre o assunto, Mayra Fragiacomo, consultora de carreira da Catho, acredita que seja o fato de que "devemos nos preocupar com nosso físico e intelectual, sem deixar de valorizar as questões emocionais". "Equilibrar todos esses pontos é fundamental para realizarmos qualquer tipo de atividade, principalmente as relacionadas às áreas profissionais e educacionais", acrescenta ela.
Exigências das empresas
Segundo a consultora, a maturidade emocional e o autocontrole são indispensáveis para o desenvolvimento da carreira e a harmonia do ambiente de trabalho. "Essas características permitem que o profissional domine seu ambiente e suas tarefas e consiga conciliar as pressões corriqueiras de forma mais amena. Um profissional maduro emocionalmente e dotado de autocontrole consegue a proeza de não permitir que problemas pessoais interfiram no seu trabalho, supera situações adversas de forma positiva e respeita a opinião dos seus pares", afirma Mayra, que trabalha há sete anos com RH. Ser equilibrado não substitui ter know-how, mas é, sim, essencial em qualquer área de atuação. "O desequilíbrio emocional pode fazer com que toda preparação técnica desmorone. Uma pessoa sem controle de suas próprias reações e sem capacidade de enfrentar obstáculos compromete a utilização de seus conhecimentos e pode, na maioria das vezes, não concluir tarefas ou não fazê-las com qualidade", explica a consultora.
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