• Crédito: Stock


É cor de rosa-choque!
O mundo empresarial nunca foi tão charmoso e feminino
Por Pilar Magnavita • 18/01/2008

O mundo dos negócios, no imaginário popular, é povoado por homens de terno, bem-sucedidos, portando charutos cubanos e cheirando a colônias pós-barba. Tanta testosterona assim só permite a entrada de mulheres de salto alto, ora como secretárias, ora como advogadas de beleza extraordinária. A realidade, porém, mostra que o número de empresas femininas é muito maior do que se pensa.

Pselda

Crises de choro, insegurança e uma forte sensação da idade chegando. Suzana Leal tinha 47 anos quando sentiu a crise da meia-idade se aproximar e que precisava mudar sua postura frente ao mundo. Dona de casa, mãe de filhos adultos, esposa de um homem altamente ativo, ela guardava no esquecimento um passado profissional, no qual coordenava todo o departamento de marketing da extinta Telerj, empresa operadora de telefonia da cidade do Rio de Janeiro. "Eu era muito ativa, porque o marketing era ligado diretamente à diretoria", explica Suzana. "Por ser estatal, estive à frente de várias campanhas como a própria Rio 92, chamada também de Eco 92", lembra.

E ela me fez o convite, algumas vezes, de abrirmos juntas um restaurante. Eu não queria, dizia que ela podia abrir sozinha, que ela era muito boa, mas eu não queria fazer isso

Foi o terapeuta de Suzana que mostrou que a dona de casa tinha uma energia profissional ainda muito viva e que precisava ser explorada. Inicialmente, ela procurou se atualizar. Matriculou-se em um curso de pós-graduação em marketing. Foi durante as aulas e a terapia que a vontade de ter seu próprio negócio surgiu. "Eu queria abrir um negócio de mulher. Escolhi ter minha própria confecção de lingeries", afirma. "Estava resgatando minha auto-estima, e a melhor coisa para isso é vestir uma lingerie, daquelas que você se sente poderosa".

Com muita vontade, determinação e R$ 50 mil no bolso, Suzana Leal contratou duas costureiras com experiência em moda-praia, montou um ateliê no centro do Rio e foi em busca de fornecedores de tecidos da haute couture. Só faltava um nome para a marca. "Sonhei que uma voz me dizia para pôr o nome de Pselda", relata a empresária. "Eu acordei e fiquei pensando naquilo, em como o nome era feio. Pouco tempo depois, sonhei de novo com a voz me explicando que aquilo era um anagrama, que significava psique feminina, sensual, emotiva, liberada de preconceitos, desejosa de conhecer a arte do amor", revela.

Assim, nasceu a Pselda. Hoje, com 52 anos, Suzana afirma que a marca tem crescido bastante. Com projetos de expansão para Angola e Miami, ela atualmente emprega 12 pessoas de alto nível, entre vendedoras, costureiras e contadores. Os tecidos que usa são os melhores, e a loja não poderia estar localizada em bairro melhor que Ipanema, centro da moda e do bochincho no Rio de Janeiro.

Nem tudo foram flores nesses dois anos e meio, segundo a empresária. "Já houve vez em que precisei tirar do meu bolso para complementar o orçamento da Pselda. A imprensa também pegou pesado quando revelamos que tínhamos um 'armário mágico', com uns brinquedinhos eróticos. Rotularam a empresa como sex shop e acabei perdendo clientes por isso. Mas o que vendo é lingerie de qualidade, para mulheres inteligentes e de todo tipo de personalidade. São para mulheres reais".

Miam Miam

Danni Camilo trabalhava como gerente no Bar d'Hotel, restaurante descolado do Hotel Marina, no Leblon, Rio de Janeiro. Numa entrevista para uma das vagas na cozinha ela encontrou sua futura sócia, a chef Roberta Ciasca. Apesar de a gourmet ter um currículo excepcional, com formação na Cordon Bleau, na França, Danni já tinha outro para a vaga de Roberta. "Acabei ficando com a outra pessoa, mas depois fui descobrindo amigos em comum da Roberta. Fomos nos conhecendo e acabamos muito amigas", conta Danni.

Danni deixou o emprego algum tempo depois para coordenar sozinha toda a rede Gula-Gula de restaurantes. "Nessa época, a Roberta havia aberto um serviço de catering num casarão da família dela, que tinha toda uma história sentimental por trás", relata Danni. "E ela me fez o convite, algumas vezes, de abrirmos juntas um restaurante. Eu não queria, dizia que ela podia abrir sozinha, que ela era muito boa, mas eu não queria fazer isso".

A vida, porém, deu algumas voltas. O estresse do trabalho, sete dias por semana, 24 horas diárias, deixava Danni tão enlouquecida que um dia resolveu pedir demissão e ir embora para a Europa: "Eu não agüentava mais aquele ritmo. Fiquei três meses fora e quando voltei de viagem, a Roberta reforçou o convite comigo. Foi então que resolvi apostar e abrir com ela o nosso próprio negócio. Tínhamos na cabeça que iria ser algo que convidasse as pessoas para um ambiente íntimo, de casa, até pelas memórias de família do casarão. Abrimos o Miam Miam".

O investimento inicial partiu do marido de Danni e toda decoração recebeu apoio de uma das amigas das empresárias, Nadja Bastos, dona da loja de antiguidades Hallygully, em Copacabana. "No primeiro mês, o restaurante se sustentou por conta dos nossos amigos", conta Danni. "Depois, fizeram uma propaganda boca-a-boca que deu certo".

Hoje, Danni, com 34 anos, e Roberta, com 31 anos, comemoram o crescimento de 120% do negócio. Nesses dois anos e meio do Miam Miam, o restaurante nunca fechou no vermelho. No ano passado, a chef ganhou o Prêmio Revelação da Revista Gula, e o restaurante indicado pela revista "Veja" em "melhor lugar para se ir a dois" e pelo Rio Show como "melhor restaurante moderno".

"Temos clientes habitués, que chegam a comer conosco umas duas vezes na semana", afirma a empresária. "Mas é porque fazemos uma comida real, próxima das pessoas, próximo do que elas estão acostumadas a comer".







bolsa de mulher no seu celular

downlevel description
This video requires the Adobe® Flash® Player. Download a free version of the player.


Compartilhe: Facebook Del.icio.us LiveSpaces RSS
Últimos comentários
Comentários (1)
  • Aurinha69


Para enviar sua resposta identifique-se ou então crie já o seu cadastro! É rápido, é fácil, é GRATUITO!




XML Assine nosso RSS