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Corrida pelo bem-estar
Empresas investem na saúde dos funcionários através do esporte
Por Daniela Pessoa • 16/12/2007

Quantos de nós já não sentimos dores de cabeça, na coluna, vista cansada e o corpo pesado após um longo dia de trabalho? Sem contar o mau humor, impaciência, insônia e irritabilidade provocados pelo estresse. Este cenário é bastante comum na rotina da maioria dos profissionais. Não é para menos... Correria, prazos, cobranças, trânsito - tudo isso se transforma numa verdadeira bomba relógio em nossas mãos. Para explodir, o limite é apenas a resistência física e mental de cada um de nós. No entanto, preocupadas com a saúde e bem-estar de seus funcionários, algumas empresas vestem a camisa do esporte, tornando as atividades físicas aliadas na busca por qualidade de vida e por um ambiente de trabalho menos estressante.

A consultora em gestão de carreira Esther Diego, sócia-proprietária da Agilitté Consulting, explica que essa vem sendo realmente uma tendência de muitas companhias, pois se percebeu que a saúde e o bem-estar de seus funcionários estão diretamente ligadas aos bons resultados nos negócios. "O sedentarismo aliado à má alimentação, ao estresse causado pelo trabalho - que pode ser desde a pressão para cumprir prazos até o fato de não ter tempo de comer direito e acabar engolindo um sanduíche em frente ao computador - e ao cansaço natural que é imposto por nossa rotina podem causar problemas como tensão muscular, falta de ânimo, até problemas mais sérios. Por exemplo, o cansaço crônico e a depressão", alerta.

É preciso haver interesse tanto da empresa em proporcionar atividades, quanto do funcionário em aproveitar a oportunidade ou até mesmo cobrar esse tipo de atitude da empresa

Virando o jogo

Tudo isso, é claro, compromete a produção, criatividade e resultados. Mas a resposta para o combate de todos esses males está no esporte. "É comprovado que a prática de esportiva ajuda a combater o estresse, o cansaço e até mesmo o mau humor, revertendo em lucro não só para o funcionário, que ganha qualidade de vida, mas também para a empresa. Pesquisas comprovam que pessoas felizes produzem mais e melhor", destaca Esther Diego. Isso porque, segundo Ricardo Arap, treinador físico e proprietário da Race Consultoria Esportiva, a atividade física libera endorfina, neurotransmissor que aumenta a sensação de bem-estar ao mesmo tempo que diminui o estresse. "É uma válvula de escape", diz.

Além disso, colocar programas de incentivo a exercícios físicos à disposição dos empregados também é uma forma da companhia dizer "eu me preocupo com você". "Que funcionário não se dedicaria mais a uma empresa assim?", indaga Esther Diego. "Quem trabalha precisa do exercício físico orientado para manter a saúde em dia e melhorar a disposição, assim como as empresas precisam dos resultados que ele proporciona ao empregado", afirma Celso Amil, diretor da Vital Qualidade de Vida, empresa que implanta programas de qualidade de vida em diversas companhias, como Nestlé, Souza Cruz, Itaú, Johnson & Johnson e Rede Record. Sem contar que os custos com planos de saúde, afastamento e novos recrutamentos são visivelmente reduzidos na conta da companhia.

Segundo Celso Amil, mesmo os profissionais que não são fãs assim de exercícios estão se conscientizando, através dos projetos de incentivo à atividade física, da importância de se movimentar. É o que também pensa Ricardo Arap. "Às vezes, muitas pessoas têm receio de começar uma atividade, mas, depois de vencida essa primeira barreira, você se contagia e passa a assumir desafios", afirma. De acordo com ele, o importante, para o exercício físico surtir o efeito desejado, é encará-lo como um projeto: de disciplina, comprometimento, quebra de barreiras, liderança, raciocínio. "É um trabalho que começa como estímulo corporativo, mas que vira pessoal e, depois, acaba voltando para o corporativo", define Ricardo.

Um, dois, três e... já!

Nos programas voltados aos funcionários, podem ser oferecidas desde atividades mais leves, como ginástica laboral e massagem, até esportes como corrida e ciclismo.

"Antigamente, trabalhávamos a ginástica laboral só como um alongamento de 15 minutos por dia, de duas a cinco vezes por semana. Agora, unimos a ela jogos lúdicos e gincanas com bola, música, entre outros, para evitar o estresse físico e mental, além de enturmar os funcionários", conta Celso Amil.

Não faltam alternativas para fazer os funcionários se movimentarem. Alguns grupos fazem parcerias com academias próximas, oferecendo descontos aos empregados, outros dão acesso, inclusive, a verdadeiros complexos esportivos. É o caso, por exemplo, do SESI-SP. "Temos 50 centros de lazer e esporte espalhados por São Paulo, onde os trabalhadores vinculados ao sistema SESI, seus familiares e a comunidade em geral podem passar o tempo livre e desfrutar de piscina, quadras de esportes, pistas de caminhada, aulas de fitness, programas para crianças, para a terceira idade, para portadores de deficiência e por aí vai", afirma Eduardo Monteiro, gerente da Diretoria de Esporte e Lazer do SESI-SP, que também já implementou o "Programa Lazer na Empresa" em 96 empresas de São Paulo, beneficiando cerca de 22.000 trabalhadores.

"Dentro desse programa, fazemos avaliações físicas e temos o ´SESI Ginástica na Empresa´ - ginástica laboral para os funcionários", explica Eduardo. Recentemente, o SESI também desenvolveu o projeto "Empresa em Boa Forma" na Mercedes Benz de São Bernardo (SP), baseado nos pilares saúde, esporte, lazer e alimentação, com a adesão voluntária de cerca de 1.580 profissionais. "Fizemos exames de sangue para avaliar o nível de triglicérides, colesterol e checar a saúde geral de cada indivíduo, bem como análise da massa corporal e do condicionamento físico de cada um. A próxima etapa é formar grupos de atividades físicas, como caminhada, corrida e trekking, com orientação tanto física quanto nutricional", revela Eduardo Monteiro.

Novo fôlego

Outra iniciativa do SESI-SP é o "Fitness sob Medida", que atende executivos de grande empresas como os Correios, oferecendo a eles serviços de personal training. Segundo Eduardo Monteiro, essas e outras ações têm como foco a qualidade de vida dos trabalhadores. "A gente ouve falar nessa coisa de aumento de produtividade e tal, mas o que o SESI visa é a mudança comportamental, uma mudança no estilo de vida dos profissionais. Queremos que eles tenham uma vida mais ativa, inclusive junto à família, aos amigos e à natureza. Quando tudo isso está bem, há o equilíbrio pessoal e no próprio ambiente de trabalho", defende.

A Siemens, onde o "Programa Bem-te-vi" já trouxe muitos benefícios, também veste a camisa do esporte . "Trabalhamos com quatro pilares: preservação do meio-ambiente, motivação (auto-desenvolvimento), conscientização (ações de cidadania) e saúde física e mental", explica Cristina Nader, gerente e médica corporativa da empresa. "O estímulo vem através de comunicados internos e também durante os exames periódicos, quando conversamos com os funcionários sobre a importância de se exercitar. Afinal, atividade física é uma bala para muitos inimigos - você controla a pressão, o colesterol, fica mais disposto e por aí vai", enumera Cristina. A empresa foi criou convênios com academias e apostou, também, na ginástica laboral, além de subsidiar 50 vagas em grupos de corrida, com consultoria especializada e treinos quatro vezes por semana.

Já na TIM existem três linhas de atividades físicas. "A primeira é mais funcional: ginástica laboral. Temos também o shiatsu e uma academia", enumera José Paulo David, diretor territorial da TIM Rio de Janeiro e Espírito Santo. "Existia uma demanda para essas atividades que os próprios funcionários apontaram em pesquisas", explica. Portanto, são atividades pagas pelos colaboradores, mas com preços bem competitivos. Uma sessão de shiatsu de 15 minutos, por exemplo, custa apenas R$ 10,00. Já a mensalidade da academia varia conforme o salário do funcionário. Sem contar, também, os grupos de corrida apoiados pela TIM. "Tudo isso nos confere muita credibilidade e valor junto a nossa equipe, para quem oferecemos qualidade de vida e um ambiente a mais de integração. Pessoas de todos os setores freqüentam a academia, por exemplo, conversam entre si etc", comemora José Paulo.







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