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Casa, ambiente de trabalho
Profissionais revelam os prós e contras em dar expediente no lar
Por Lívia Diniz • 19/03/2008

Imagine trabalhar num lugar em que você fizesse o seu próprio horário, fosse confortável, tivesse a sua cara e, o melhor, você não precisasse gastar seu precioso tempo para chegar até ele. O que parece ser o escritório dos sonhos para algumas pessoas é realidade para outras - já se tornou cada vez mais comum encontrar profissionais que fizeram das suas casas o lugar ideal para trabalhar. Porém, ter liberdade pode ser uma grande vantagem, mas também uma armadilha para quem não possui disciplina e organização suficientes.

Geralmente, quem optou por trabalhar em casa prefere este novo estilo de vida. "Não trocaria de jeito nenhum. É uma independência conquistada", diz a escritora Martha Medeiros, que precisa dividir o seu tempo entre seus textos e livros com as rotinas domésticas. Ela admite que, às vezes, se atrapalha para dar conta de todas as tarefas. De manhã, por exemplo, responde e-mails, leva os filhos na escola, vai à ginástica, ao banco, lavanderia, supermercado, e resolve todos os problemas de casa. À tarde, se dedica ao ofício de escrever e, no início da noite, responde mais mensagens e aproveita para navegar na internet. "A rotina é caótica, mas me acostumei com essa bagunça e sou responsável o suficiente para não deixar que ela prejudique minhas tarefas", afirma.

Eu me obrigo a vestir uma roupa para não passar o dia inteiro de camisola. É difícil manter uma disciplina


Encontrar um método de trabalho em meio a uma imensidão de distrações parece ser um dos maiores desafios. A publicitária e roteirista Rosana Caiado trabalha em casa há mais de dois anos, mas até hoje não conseguiu estabelecer uma rotina. Ela já percebeu que rende mais pela manhã e por isso procura acordar mais cedo. "Eu me obrigo a vestir uma roupa para não passar o dia inteiro de camisola. É difícil manter uma disciplina. O que acontece hoje é que eu trabalho mais quando chega o prazo para a entrega do trabalho e menos quando o prazo está longe. É um mau hábito que eu tenho desde novinha - só estudava na véspera da prova", admite ela, que, entre outras coisas, faz leitura crítica de roteiros para a TV.

Para a escritora Stella Florence, há 11 anos trabalhando em casa, a maior vantagem de trabalhar em casa é a flexibilidade de horário. "Você consegue ir a um médico, cuidar dos filhos e resolver problemas domésticos sem precisar pedir para o chefe. Você encaixa suas tarefas nas horas mais confortáveis", diz. O risco, entretanto, é não conseguir se desligar nem descansar. Ela admite que, às vezes, acaba trabalhando mais do que deveria por pura falta de organização.

Liberdade

Para quem não gosta de ter o chefe no pé vigiando cada respiração, trabalhar em casa também é muito vantajoso. Mas isso não quer dizer liberdade total. "De certa forma você tem chefe e prazos sim, mas ele não está no seu pé o tempo todo", comemora a Stella Florence. Já Rosana discorda, ela gostaria que alguém acompanhasse melhor a rotina dela. "Eu sinto falta da presença física de um chefe tanto para me forçar a manter o foco no trabalho como para estreitar as relações e melhorar meu desempenho".

É fato que trabalhar no conforto do lar tem inúmeras vantagens, entretanto, por outro lado, a lista de reclamações também é grande. A maior queixa da advogada Osmara Nogueira é que as pessoas, mesmo os familiares, acham que, por ela estar em casa, está disponível para resolver um problema ou até mesmo bater um papo no meio da tarde. Ledo engano. "É o tipo da situação que você vai ter que aprender a contornar delicadamente. Outro dia minha irmã deixou uns documentos para que eu tirasse cópia para ela, pode?", reclama, indignada. Rosana concorda: "As pessoas confundem trabalhar em casa com estar de férias e acabam pensando que eu estou disponível o tempo todo. E, na verdade, tenho que trabalhar e prestar contas do meu trabalho", completa a roteirista.

Dividindo espaço e atenção

A filha de Stella, Olívia, já está acostumada quando a mãe diz que ela não pode atender e precisa de concentração. Desde cedo, a menina, hoje com cinco anos, sabe pelo olhar que é melhor deixar a escritora trabalhar. "É preciso ensinar e administrar isso. A criança sempre faz um jogo sentimental e dá uma insistida. Mas você não pode ceder, tem que impor limites", ensina Stella.

Rosana Caiado precisa também dividir o seu "escritório" com o marido. Ele, que é escritor, também trabalha em casa. A vantagem é que os fusos dos dois são bem diferentes. Sorte dela. "A gente respeita o horário do outro. Mas, para a nossa relação, acho que seria legal se, pelo menos, um de nós trabalhasse fora. Gostaria de encontrar com ele à noite e perguntar ‘como foi seu dia', sabe? Mesmo que cada um faça um trabalho diferente, para lugares diferentes, a impressão que dá é que a gente trabalha junto. Além da cama, a gente divide a baia!", conta.





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