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Carreira ou família? Escolha os dois
Com um pouco de planejamento dá para encontrar o equilíbrio
Por Ana Brasil • 10/09/2008

Imagine a seguinte situação: você foi pedida em casamento mas, duas semanas depois, recebeu a resposta sobre uma bolsa para fazer um mestrado no exterior, aquela especialização que você esperava há tempos. Vai passar uns três anos fora. E aí, o que você faz? Se você é daquelas que acredita que não se pode ter tudo ao mesmo tempo, saiba que fazer um planejamento de casamento e carreira é altamente recomendável. Mesmo que às vezes surjam pequenos imprevistos...

A vida é feita de escolhas, algumas simples, outras nem tanto. Com as mulheres ganhando cada vez mais status na carreira, nem sempre elas dão a devida atenção à parte pessoal e sentimental. Em outras vezes, abdicam do sucesso na profissão para se dedicarem à família e ao casamento. Não tem jeito, das duas formas não há como fugir da dúvida: e se eu tivesse tomado o rumo contrário? Então, para que não haja arrependimentos, é fundamental pensar bastante antes de tomar uma grande decisão. A dica é perguntar a si mesma por que está fazendo aquilo, se é o que realmente deseja ou se está presa à vontade de agradar a alguém, imaginar-se na situação e pensar se a fará feliz.

Para que a vida pessoal não atrapalhe o trabalho, deve haver uma boa administração das duas partes. A escolha da carreira é uma decisão de longo prazo. Quando se é solteira, tudo é mais simples, mas mesmo quando existem marido e filhos envolvidos, um bom planejamento facilita muito

A publicitária Beatriz Souto sempre teve vontade de fazer pós-graduação no exterior e sonhava com estágios em grandes empresas ou redes de hotéis. No entanto, o relacionamento longo e estável que desenvolveu com seu namorado a fez repensar suas prioridades. "Eu namorava há quase quatro anos e pensávamos em nos casar. Já tinha conversado com ele sobre a pós nos EUA, mas por ele estudar Direito dizia que não valeria a pena, por todas as diferenças de legislação. Mas eu estava tão feliz que tinha colocado a idéia da viagem de lado", lembra.

O problema veio quando a formatura de Bia chegou e não houve verba para efetivá-la em seu estágio. "Fiquei triste, mas continuei procurando outras coisas. Nessa época, o Felipe passou na prova da Ordem (OAB) e foi chamado por um escritório onde já havia estagiado. Comecei a ver minha carreira estacionar sem nem ter dado a partida. E a idéia de estudar fora voltou com força total", diz ela. Só que a reação do moço não foi das melhores. "Ele começou a me tratar mal e dizer eu não serviria para sua esposa, pois não priorizava minha relação com ele. Achei um absurdo, ele nunca tinha agido daquela forma. Depois disso, ainda tentei conversar, mas o lado machista realmente tomou conta. Encerrei o namoro ali, não dava para levar adiante", conta, chateada.

E, de fato, ela não queria nada impossível. Aliás, as qualidades que buscava em seu namorado são essenciais para a durabilidade de qualquer relação: compreensão e parceria. A consultora de RH Diana Mochcovitch concorda e vai além: ela diz que não há como equilibrar um casamento se a dupla não puder contar com estas características. "Horas-extras, viagens, dificuldades e preocupações são muito comuns atualmente e devem ser compreendidas por ambos como parte do caminho para o crescimento no mercado. O comprometimento deve existir mesmo que a situação seja inaceitável para uma das partes. Por exemplo, um cargo fora do país, ou mesmo em outra cidade", explica. Nesse caso, deve-se chegar a um consenso do que é mais importante e até abrir mão daquela posição se for o caso. "Eventualmente, ambos farão concessões, por isso, parceria e equilíbrio são super importantes", comenta.

Vanessa Sato foi mais bem recebida pelo namorado quando chegou com a novidade que mudaria suas vidas: estava grávida! Namorando há nove anos e já com casamento marcado, foi ela quem reagiu mal à descoberta. "Só pensava em ter filhos no mínimo um ano depois de me casar. Tinha acabado de me formar em Educação Física e queria fazer um mestrado. Mas ele ficou super feliz e me apoiou o tempo todo. Quando a Luiza nasceu, ele foi, e ainda é, muito companheiro. Dividiu comigo todas as funções, só faltou amamentar", brinca ela.

De acordo com Diana, outro fator que faz diferença para manter a harmonia é a organização. "Para que a vida pessoal não atrapalhe o trabalho, deve haver uma boa administração das duas partes. A escolha da carreira é uma decisão de longo prazo. Quando se é solteira, tudo é mais simples, mas mesmo quando existem marido e filhos envolvidos, um bom planejamento facilita muito", afirma.







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