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Altos e baixos financeiros
Profissionais com ganhos sazonais precisam organizar bem o orçamento
Por Carolina Mouta • 04/10/2008

Será que o economista Delfim Neto tinha razão quando disse que a "parte mais sensível do corpo humano é o bolso"? Pode ser... Administrar finanças pessoais não é uma tarefa das mais agradáveis, principalmente quando no embate entre receitas X despesas, a primeira leva desvantagem. E o cuidado com os números precisa ser redobrado quando você tem uma profissão com ganhos sazonais.

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Juliana Castro é publicitária e trabalha como freelancer em uma grande agência. A jornada temporária é bem remunerada, mas Juliana não pode contar com isso durante todo o ano. "Sou contratada por projetos. Por dois ou três meses, que é o tempo de execução do trabalho, ganho muito bem, mas já fiquei até cinco meses sem salário, aguardando a chamada para uma nova campanha", conta.

Não comprometa mais que 25% a 30% do salário com dívidas, afinal de contas, prestações que cabem no seu bolso hoje pode não caber mais amanhã

Com a sazonalidade do seu orçamento, não tem mágica que transforme vacas magras em gordas. Mas o pulo do gato está ao alcance de todos: é só questão de hábito. "Todos podem e devem saber administrar seu dinheiro, seja em épocas boas ou não. Para aqueles que não têm o costume de comer espinafre freqüentemente, fazer isso numa situação de crise parece uma tortura. Comece com pequenas atitudes no dia-a-dia porque quando esses momentos chegarem, você saberá contorná-los da melhor forma possível", explica o consultor de finanças pessoais Enio Romão.

E é exatamente assim que Juliana age. A publicitária não se aperta. Tem todas as despesas esquematizadas e não deixa que o valores recebidos ofusquem o seu bom senso. "Com o que ganho pelo trabalho, cubro as despesas mensais e já deixo alguns valores separados para os meses subseqüentes. Além disso, ainda guardo 30% do que vier, independentemente da quantia". Para os especialistas, ela está certíssima. "Você deve estar bem consciente que passará por altos e baixos de receita e que a linha da despesa não pode ficar cruzando a linha da receita, senão você empobrecerá. O perigo é deslumbrar-se com a "bolada" que recebe ao fechar um bom negócio e adequar seu padrão ao nível mais alto de receita, sendo que o orçamento deve ser feito pensando no valor médio pendendo para menor", avisa a consultora de planejamento e finanças pessoais Andréa Voûte.

Fuja de prestações

Outro ponto que pode ser aliado no controle das despesas é o pagamento à vista. Se isso não for possível, fique de olho na prestação. "Não comprometa mais que 25% a 30% do salário com dívidas, afinal de contas, prestações que cabem no seu bolso hoje pode não caber mais amanhã", alerta Enio. E nada de inventar gastos extras. "Troque de carro só depois de ter recebido do cliente e reservado o mínimo para cobrir as necessidades mensais", explica Andréa.

Mas não adianta fugir da calculadora. O check up financeiro é indispensável."As despesas devem ser orçadas pensando nos valores médios pendendo para mais. Enfim, trabalhe sempre com médias anuais, pois um ano costuma ser um ciclo financeiro completo", garante a consultora. Pense que a saúde financeira é tão importante quanto a saúde física. "Quem faz escolhas conscientes e tem liberdade de ação colhe benefícios atuais e futuros, para eles mesmos e seus relacionados. Com a vida financeira em ordem, a pessoa fica mais tranqüila, concentrada, satisfeita, produtiva, conseguindo se divertir e criar, vivendo melhor", analisa Andréa.







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