O CASAL PERFEITO
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- Erika113 Data: 14/08/08 às 23h40m02s
- NU
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O casal perfeito
( Lia Luft )
A solidão dos homens tem a medida
da solidão de suas mulheres.
Isso eu disse e escrevi - e repito - em dezenas
de palestras por este país afora.
Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito:
bom para quem gosta de desafios.
O casal perfeito seria o que sabe aceitar
a solidão inevitável do ser humano,
sem se sentir isolado do parceiro -
ou sem se isolar dele?!
O casal perfeito seria o que entende,
aceita, mas não se conforma,
com o desgaste de qualquer convívio
e qualquer união?!
Talvez se possa começar por aí:
não correr para o casamento, o namoro,
o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou suavizados todos os problemas -
a chatice da casa dos pais,
as amigas ou amigos casando e tendo filhos,
a mesmice do emprego,
chegar sozinho às festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro
como quem cai na armadilha do
"enfim nunca mais só!",
porque aí é que a coisa começa a ferver.
Conviver é enfrentar o pior dos inimigos,
o insidioso, o silencioso,
o sempre à espreita, o incansável:
o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão
(desculpem, mas ela passa, o que não significa
tédio nem fim de tesão),
a gente começa a amar de outro jeito.
Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar.
A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio.
A conta a pagar, a empregada que não veio, alguém na família doente ou complicada(o),
a mãe ou o pai deprimido ou simplesmente
o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E a gente explode e quer matar e morrer,
quando cai aquela última gota -
pode ser uma trivialíssima gota -
e nos damos conta:
nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava.
Não sei se quero continuar assim,
mas também não sei o que fazer.
Como a gente não desiste fácil,
porque afinal somos guerreiros
ou nem estaríamos mais aqui,
e também porque há os compromissos,
a casa, a grana e até ainda o afeto,
é preciso inventar um jeito de recomeçar,
reconstruir.
Na verdade devia-se reconstruir todos os dias.
Usar da criatividade numa relação.
O problema é que, quando se fala
em criatividade numa relação,
a maioria pensa logo em inovações no sexo,
mas transar é o resultado, não o meio.
Um amigo disse no aniversário de sua mulher
uma das coisas mais belas que ouvi:
" Todos os dias de nosso casamento
(de uns 40 anos),
eu te escolhi de novo como minha mulher".
Mas primeiro teríamos de nos escolher
a nós mesmos diariamente.
Ao menos de vez em quando
sentar na cama ao acordar, pensar:
como anda a minha vida?
Quero continuar vivendo assim?
Se não quero, o que posso fazer para melhorar?
Quase sempre há coisas a melhorar,
e quase sempre podem ser melhoradas.
Ainda que seja algo bem simples;
ainda que seja mais complicado,
como realizar o velho sonho de estudar,
de abrir uma loja, de fazer uma viagem,
de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco
em matéria de felicidade, alegria,
realização e sobretudo abertura com o outro.
Velhos casais solitários
ou jovens casais solitários
dentro de casasão
terrivelmente tristes e
terrivelmente comuns.
É difícil? É difícil.
É duro? É duro.
Cada dia, levantar e escovar os dentes
já é um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda.
O casal perfeito talvez seja aquele
que não desiste de correr atrás do sonho
e da certeza de que, apesar dos pesares,
a gente, a cada dia, se escolheria novamente !!!
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- archernandes Data: 15/08/08 às 15h20m53s
- SP
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Muito legal o texto. Adorei!
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