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Parece brincadeira, mas não é. Um corte de cabelo motivou um espancamento em grupo numa escola em Silva Jardim, na Baixada Fluminense (Rio de Janeiro). No último sábado, o adolescente Samuel Teles da Conceição, de 17 anos, morreu dias após ter sido agredido por colegas de turma. A violência teria começado a partir de uma prática comum entre os alunos, de dar tapas na cabeça do estudante se este aparecesse com um novo corte de cabelo. Fatalidade? Talvez não. O caso é conseqüência de um fenômeno que ocorre em 100% das escolas de todo o mundo: o bullying.
Há quase dez anos, no dia 20 de abril de 1999, um episódio anda mais grave chocou o mundo. Motivados pelo mesmo sentimento, os adolescentes americanos Eric Harris, 18 anos, e Dylan Klebold, 17, entraram na Columbine High School, onde estudavam, e espalharam o terror. Armados e vestindo capas pretas, atiraram a esmo, ferindo vários alunos, explodiram quatro bombas e executaram com tiros na cabeça alguns dos melhores atletas da escola. Saldo da barbárie: doze colegas e um professor mortos. Em seguida ao massacre, a dupla cometeu suicídio.
Para quem não sabe, o bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outros, causando dor, angústia e sofrimento. Sabe quando um aluno - ou um grupo de alunos - fica bancando o valentão ou o debochado, tirando vantagem dos mais tímidos e impopulares, atormentando a vida deles gratuitamente? É isso mesmo. E pouca gente se dá conta do estrago que esse tipo de atitude faz sobre as emoções e a auto-estima das vítimas. Harris e Klebold, depois de sofrerem por bastante tempo amolações de todo tipo por parte dos colegas, deram o troco à sua maneira.
A palavra bullying, que pode ser traduzida como "intimidação", deriva do verbo inglês bully, que significa "usar a superioridade física para intimidar alguém". Como adjetivo, bully refere-se a "valentão" ou "tirano". Colocar apelidos cruéis ou constrangedores, insultar, ridicularizar ou intimidar um colega em público e promover seu isolamento são atitudes freqüentes em todas as escolas do planeta. Porém, até tomar conseqüências trágicas, como a que vimos acima, isso era visto apenas como algo típico da idade, parte do amadurecimento da criança. E o massacre de Columbine não é a única amostra de onde os efeitos do bullying podem chegar. Em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil, vítimas desse tipo de assédio dão o troco - muitas delas, armadas. Umas atentando contra a própria vida, outras contra as dos colegas e professores. Deu para perceber como não é brincadeira?
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