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alimentação, receita, colesterol, família, gordura, engordar, ovo, cozinha, avô, caloria, doce, papo de anjo
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Tempos angelicais
Uma receita dos (bons) tempos que se comia como se não houvesse amanhã
Por Ana Téjo • 16/05/2007
O bom da adolescência - pelo menos da minha - era poder comer sem culpa. Duas vezes por semana, quando tinha aula em período integral, eu chegava em casa às cinco e meia da tarde e, como se não houvesse amanhã, traçava um pote (equivalente a um pote de Danone. Da-no-ne, não Danoninho.) de doce de leite talhado, feito pela minha avó. Antes do jantar. Isso, evidentemente, não significava que nos outros dias eu não comesse o que desse na telha.
Uma das boas lembranças que guardo dessa época é a de um doce facílimo de fazer, que comi na casa de uma amiga que também vivia dias-sem-lei, como eu.
A única dificuldade, à época, era convencer minha mãe a abrir mão de quase uma dúzia de ovos em meu benefício. Geralmente, negociávamos um meio termo: eu avisava um dia antes que tencionava fazer o doce e ela trazia da feira uma dúzia de ovos a mais. E como delícia pouca é bobagem, as claras acabavam virando suspiros nas mãos hábeis da minha avó, que achava que seus suspiros não davam certo (mas davam. Nunca sobrava unzinho que fosse!).
Desnecessário dizer que nunca mais fiz o doce. Desnecessário completar que de vez em quando morro de vontade. Como hoje, por exemplo.
8 gemas (OITO, minha cara! Nem mais, nem menos)
4 xícaras de açúcar (Ah, culpa danada que nos impede de ser feliz!)
2 xícaras de água
10 cravos da índia (Os únicos ingredientes "inofensivos" da receita. Se quiser, faça uma adaptação do Papo de Anjo usando apenas a água e os cravos. Dá um bom chá)
Comece untando e enfarinhando formas de empadinha. Umas vinte.
Bata as gemas durante uns 10 minutos, até ficarem brancas e triplicarem de volume. Encha as forminhas com as gemas até a metade (os papinhos crescem muito no forno) e asse por 10 minutos.
Faça uma calda com o açúcar, os cravos e a água e deixe engrossar um pouco. Cerca de 15 ou 20 minutos depois da fervura devem ser suficientes. Despeje sobre os papinhos ainda quentes.
Sirva gelado.
Pronto. Simples assim. A receita rende entre 15 e 20 papinhos, dependendo do tamanho da sua fôrma de empadinha e é de comer de joelhos. Os papinhos absorvem fartamente a calda de açúcar e ficam parecendo uma esponjinha macia, doce e muito aerada. Como eu não era gulosa, comia só uns três de cada vez. Agora, cá entre nós, imagina a quantidade de colesterol... oito gemas???!!! Falassério! E as calorias?! Porque, na boa, são QUATRO xícaras de açúcar!!!
Maldita consciência. Humpf! Que saudade...
Ana Téjo tem 37 anos, é publicitária, redatora, tradutora, nadadora, planejadora, cozinheira, mãe e escritora, quase nunca nesta ordem. Administra, sempre que possível, dois filhos elétricos, uma babá rabugenta, um trabalho eletrizante, uma mãe obstinada, um namorado apaixonante e uma vontade compulsiva de escrever.   Leia mais deste autor.
Uma das boas lembranças que guardo dessa época é a de um doce facílimo de fazer, que comi na casa de uma amiga que também vivia dias-sem-lei, como eu.
A única dificuldade, à época, era convencer minha mãe a abrir mão de quase uma dúzia de ovos em meu benefício. Geralmente, negociávamos um meio termo: eu avisava um dia antes que tencionava fazer o doce e ela trazia da feira uma dúzia de ovos a mais. E como delícia pouca é bobagem, as claras acabavam virando suspiros nas mãos hábeis da minha avó, que achava que seus suspiros não davam certo (mas davam. Nunca sobrava unzinho que fosse!).
Desnecessário dizer que nunca mais fiz o doce. Desnecessário completar que de vez em quando morro de vontade. Como hoje, por exemplo.
Papo de Anjo
8 gemas (OITO, minha cara! Nem mais, nem menos)
4 xícaras de açúcar (Ah, culpa danada que nos impede de ser feliz!)
2 xícaras de água
10 cravos da índia (Os únicos ingredientes "inofensivos" da receita. Se quiser, faça uma adaptação do Papo de Anjo usando apenas a água e os cravos. Dá um bom chá)
Comece untando e enfarinhando formas de empadinha. Umas vinte.
Bata as gemas durante uns 10 minutos, até ficarem brancas e triplicarem de volume. Encha as forminhas com as gemas até a metade (os papinhos crescem muito no forno) e asse por 10 minutos.
Faça uma calda com o açúcar, os cravos e a água e deixe engrossar um pouco. Cerca de 15 ou 20 minutos depois da fervura devem ser suficientes. Despeje sobre os papinhos ainda quentes.
Sirva gelado.
Pronto. Simples assim. A receita rende entre 15 e 20 papinhos, dependendo do tamanho da sua fôrma de empadinha e é de comer de joelhos. Os papinhos absorvem fartamente a calda de açúcar e ficam parecendo uma esponjinha macia, doce e muito aerada. Como eu não era gulosa, comia só uns três de cada vez. Agora, cá entre nós, imagina a quantidade de colesterol... oito gemas???!!! Falassério! E as calorias?! Porque, na boa, são QUATRO xícaras de açúcar!!!
Maldita consciência. Humpf! Que saudade...
Ana Téjo tem 37 anos, é publicitária, redatora, tradutora, nadadora, planejadora, cozinheira, mãe e escritora, quase nunca nesta ordem. Administra, sempre que possível, dois filhos elétricos, uma babá rabugenta, um trabalho eletrizante, uma mãe obstinada, um namorado apaixonante e uma vontade compulsiva de escrever.   Leia mais deste autor.
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