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Sexo: tocando no assunto
Falar do tema com seus filhos é um tabu? Aprenda a dominar a questão
Por Lívia Diniz • 05/05/2007

Você está sentada em casa relaxada, assistindo televisão com sua família e, entre uma zapeada e outra pelos canais, uma tórrida cena de sexo aparece na TV. Aí, quando você pensa que seu filho caçula está entretido brincando com o carrinho, ele vira para você e seu marido e pergunta o que é aquilo. Nesse momento, um silêncio perturbador paira no ar, os segundos viram horas, o chão se abre, você e seu marido se entreolham num desespero profundo. Sua reação é:

Opção 1: Imediatamente você levanta, saca uma enciclopédia e abre no capítulo da evolução humana e contorna o problema falando do aparecimento do Homo Sapiens?
Opção 2: Você finge que não ouviu a questão e muda imediatamente de canal?
Opção 3: Sem muitos detalhes, diz que aquilo é sexo e encerra o assunto?
Opção 4: Além de dizer o que é, aproveita para falar da importância da camisinha, de DST, faz mil e uma perguntas e deixa seus pimpolhos, no mínimo, constrangidos com o tema?
Opção 5: N.R.A.

É... qual mãe não se assustou com a situação e ficou sem saber o que fazer quando o filho faz perguntas do tipo "de onde vêm os bebês?", "o que é camisinha?", "o que é transar?", entre outros exemplos. Se a história da cegonha ou do papai-colocou-uma-sementinha-na-barriga-da-mamãe já não colam mais, é preciso tratar o tema de maneira aberta, mas adequando o assunto à linguagem e à compreensão do seu filho. É exatamente aí que está a questão.

O assunto deve ser tratado de maneira natural tanto pelos filhos quanto pelos pais. Se você não se sente bem com o assunto, leia sobre isso, peça ajuda a um psicólogo ou pediatra


Para a administradora de empresas Maria Cristina Costa, 41 anos, mãe de Guilherme, de 15, e de Patrícia, de 10, manter o diálogo é fundamental. Ela admite que a tarefa nem sempre é fácil, principalmente com o rapaz. "Ele não gosta de falar sobre isso, sempre sou eu que puxo o assunto. Na verdade, nunca houve uma conversa formal, as coisas foram fluindo. Já a minha filha é mais curiosa, ela pergunta mesmo", conta.

Para mostrar ao filho que ele poderia sempre contar com ela, Maria Cristina teve uma atitude que pode parecer ousada para algumas mães. Há um ano, ela comprou uma caixa de camisinhas e deu a ele. Sem discursos ou sermões, disse que ia colocar os preservativos no armário para quando ele fosse sair e precisasse. "Sempre quis participar da puberdade dele, mas com a preocupação de que a individualidade fosse preservada. Mas prefiro que ele aprenda sobre o assunto em casa do que na rua", diz, taxativa.

A estatística Valéria Alexandre, 43 anos, reconhece que teve dificuldades para falar sobre o tema com as filhas Anna Carolina e Marianna, hoje com 18 e 16 anos, respectivamente. "As perguntas surgiram quando elas eram bem pequenas e aí eu não sabia até aonde eu poderia ir com o tema". Ela se lembra de uma ocasião em que a filha mais velha perguntou como se faziam os filhos. "Eu respondi que era namorando com o pai. E ela mandou direto ‘e como é namorar?'", recorda-se.

Porém, quando as duas ficaram menstruadas pela primeira vez, o papo foi mais sério. "Falei de camisinha, das doenças, de gravidez... o normal que uma mãe fala nessa situação". Na opinião de Valéria, as meninas têm abertura para falar sobre qualquer coisa, mas o diálogo entre elas poderia ser melhor. "Geralmente a iniciativa é mais delas que minha", afirma.

Influência da TV

As duas mães reconhecem que a televisão, ao mesmo tempo em que ajuda a inserir o tema nas conversas domésticas, deixam os pais em maus lençóis por causa de algumas cenas e falas. "Eu me sinto assustada com a TV. Às vezes você fica sem saída, tem que explicar certas coisas, mas sabe que as crianças não têm idade para discernir e para entender aquilo que está sendo exposto", diz Maria Cristina.

Já Valéria acredita que a mídia deve, sim, tocar no assunto, só que com moderação. "A TV coloca o assunto dentro de casa e os pais que se virem. Não existe nenhum programa educativo sobre o tema", lamenta.

Segundo a psicopedagoga Lucíola Agostini, colunista do Bolsa de Mulher, é preciso fazer um controle mas, no dias de hoje, é fundamental aprender a dosar. "Programas de conteúdo impróprio devem ser proibidos, sim. Mas não dá para vetar o Big Brother, por exemplo, porque na escola seu filho vai ter contato com isso. Aproveite para conversar sobre o programa e questione se ele achou legal algumas cenas. É preciso dar espaço para o diálogo", ensina.

A psicóloga infantil Maria Adelaide Ferraz é a favor de que os pais tratem o assunto como outro qualquer e não façam do tema um tabu. Naturalidade é a palavra de ordem para ela. "É preciso desde cedo ensinar os filhos a terem respeito pelo sexo oposto, pelo pares e, principalmente, pelo próprio corpo. Dessa forma, no futuro, a criança lidará com o assunto de uma forma amena", afirma. De acordo com ela, os pais não devem forçar uma conversa, mas sim estarem abertos à aproximação dos filhos. "Espere a dúvida da criança e não tente fazer mil voltas para responder porque ela só entende o que pode entender".

Lucíola Agostini acredita que a questão da sexualidade deve ser abordada já na pré-escola, falando das diferenças entre o masculino e o feminino. Ela acha que as aulas de educação sexual nos colégios não devem tratar somente a parte técnica, que engloba os aspectos biológicos e fisiológicos, mas propor um diálogo sobre a questão comportamental ligada ao sexo. Dessa forma, teríamos jovens mais bem preparados para lidar com o tema no futuro

Se a escola não faz dá orientação do tipo, resta fazer o trabalho em casa mesmo. Para os pais, as especialistas dão a dica: não force a barra para falar sobre o tema. "O assunto deve ser tratado de maneira natural tanto pelos filhos quanto pelos pais. Se você não se sente bem com o assunto, leia sobre isso, peça ajuda a um psicólogo ou pediatra. Tenha bom senso. Espere sempre o momento certo para falar, tanto para seus filhos, como para vocês, pais", conclui.

Lívia Diniz   Leia mais deste autor.





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