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sabado..preguiça
Eu gosto de comer. Sempre gostei. Por causa disso, presto um pouco mais de atenção que a média das pessoas no ritual da comida - e no que vem antes e depois dele. Também por isso, reparo no lugar, no cheiro, nas cores, nas texturas das toalhas e guardanapos, nos copos, talheres e nos quadros na parede. E reparo sempre no cozinheiro. Depois de tantos anos observando, cheguei à conclusão de que as refeições mais queridas e os pratos mais memoráveis da minha vida não tiveram nada a ver com trufas, faisões, guardanapos de linho ou talheres de prata. O que marcou mesmo foi o clima, o astral da casa, do cozinheiro e dos convidados e o prazer com que aquela refeição foi preparada. Porque nada substitui o prazer. Nada.
Assim, se você já ficou tensa porque teve que preparar um prato com o qual não se sentia absolutamente segura, eu a-pos-to que ele não ficou cem por cento perfeito. Pode ter ficado bom, sem dúvida. Pode ser até que seus convidados tenham elogiado seu esforço, mas para ser feliz de verdade e fazer uma refeição inesquecível, assuma seu talento e entregue-se de corpo e alma àquele prato que é a sua marca registrada; aquele mesmo, que você já fez mil vezes. E convide todo mundo para um feijão-com-arroz, sim. Ou para uma omelete. Por que não? Lasanha, cachorro-quente, tudo vale a pena.
E se algum bocudo ousar dizer que seu almoço não tem glamour, mande falar comigo. A seguir, as receitas do almoço mais espetacular que eu já tive o prazer de comer:
Picadinho
1 1/2 kg de patinho, coxão mole ou alcatra, cortados em tiras (se você não tem uma faca boa em casa ou se bater uma preguiça daquelas, compre a carne já cortada no supermercado.)
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
5 colheres (sopa) de azeite
5 colheres (sopa) de manteiga
Sal e pimenta-do-reino a gosto
3 cebolas picadas
2 dentes de alho picados
1 folha de louro
6 tomates em cubos, sem pele e sem sementes
60 ml de tomates pelados cortados grosseiramente e amassados com um garfo
1 colher(sopa) de salsinha picada
1 litro de caldo de carne aquecido
Para ser feliz e não perder tempo, pique, corte, meça e fatie antecipadamente o que você for precisar. Tudo pronto? Então vamos em frente.
Passe os cubos de carne na farinha de trigo e reserve.
Aqueça o azeite e a manteiga em uma panela funda. Junte a carne e refogue até dourar. Atenção aqui: dourar é dourar, não é perder a cor. Note que, primeiro, a carne vai ficar apenas acinzentada (isso é "selar" e não é o caso dessa receita). Continue firme, com a panela no fogo e deixe a carne ali, fritando em paz. Eu sei que, por causa da farinha, ela vai querer grudar. Para evitar que isso aconteça, mexa de vez em quando. Afinal, seria uma pena se o seu futuro picadinho queimasse logo no início, não é? Aliás, se ele queimasse no meio ou no fim também seria lamentável.
Nesse momento, provavelmente você pensará: Ana,essa farinha está fazendo uma sujeira danada na minha panela! E eu responderei: eu sei. Tenha calma, que a gente já vai limpar tudinho com os próximos ingredientes.



