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Casa e Família
Quem quer pão?
Pegue a erva, a cerveja e... Calma, calma! É para colocar no pão!
Por Ana Téjo • 17/10/2007

Sim, eu sou meio recorrente. Quando gosto de uma coisa, insisto, insisto, até convencer todo mundo que é o máximo. É claro que nem sempre eu consigo, mas uma das minhas metas na vida é convencer a humanidade que fazer pão não é difícil. Muito pelo contrário: é divertido, terapêutico - principalmente na hora de sovar a massa - e tem resultados impressionantes.

Como benefício adicional, um pão caseiro perfuma a casa inteira por horas e horas e, quando fica pronto, deixa você com aquela sensação indescritível de vitória.

É hora de sovar o pão com as mãos por cinco minutos. A sua hora de canalizar as frustrações em um belo pedaço de massa cheiroso. Divirta-se. Bata mesmo. Solte os bichos até a massa soltar das mãos

Como hoje estou praticamente sem tempo, escolhi uma receita igualmente descomplicada, para fazer e arrasar.

O pão é um alimento ancestral e, com o tempo, por causa do processo de fermentação, ganhou fama de coisa difícil, a ser feita por quem tem todo o tempo do mundo.

Pão de cerveja com ervas


2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de cerveja
1 tablete (15 g) de fermento biológico
1 ovo
1 colher (sopa) de açúcar
1 pitada de sal
8 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 xícara (chá) de ervas frescas (salsinha, orégano e manjericão)

Peneire a farinha numa tigela e reserve. E antes que você pergunte, sim, tem que peneirar. O ato de peneirar uniformiza a farinha, deixando-a mais areada e mais soltinha. O resultado é óbvio: massas mais fofas. Se você não peneirar e seu pão ficar com a consistência de chiclete, nem pense em pôr a culpa em mim!

Leve ao fogo uma panela com a cerveja até amornar um pouco. Aqui, eu peço desculpas aos apreciadores de uma loura gelada. Sei que voarão latinhas de alumínio em minha direção, mas a gente está fazendo pão, né, pessoal? Se a intenção for beber, altere os ingredientes da receita para "2 latas e uma xícara de cerveja". As latas, você bebe enquanto prepara o pão. A xícara, aquele no fogo, conforme descrito acima. E não se fala mais nisso.

Retire a cerveja do fogo, despeje numa tigela e misture o fermento. Adicione o ovo, o açúcar, o sal, sete colheres (sopa) de azeite e as ervas e mexa até ficar homogêneo. Agora é que começa a ficar divertido de verdade.

Vá colocando a farinha de trigo aos poucos. Quando a massa estiver com uma consistência passível de ser trabalhada - o que significa: possível de ser retirada da tigela com as mãos - transfira para uma superfície lisa e enfarinhada e... Eu sei, eu sei que dá preguiça de lavar o balcão (ou o tampo do fogão) antes e depois da receita, mas trata-se de um pão, lembra? Tem que trabalhar a massa. Não tem jeito. E não adianta me dizer que você faz um pão de liquidificador que fica igualzinho, porque não fica. Eu já tentei. Pois bem. Apesar de haver correntes filosóficas que atestam que "o pão é um alimento sagrado e, por isso, não se contamina", acho que não custa nada dar uma lavadinha no balcão, não é mesmo? Pense no prazer da sova e vá em frente.

Balcão limpo, enfarinhado, massa levemente consistente, é hora de sovar o pão com as mãos por cinco minutos. A sua hora de canalizar as frustrações em um belo pedaço de massa cheiroso. Divirta-se. Bata mesmo. Solte os bichos até a massa soltar das mãos.

Então, coloque-a em uma tigela, cubra com filme plástico e deixe descansar por meia hora. Com o azeite que sobrou, unte uma assadeira para pão de fôrma com capacidade para um litro e polvilhe com farinha. Despeje a massa, cubra a assadeira com filme plástico novamente e deixe descansar por mais uma hora em local morno. Em casa, eu costumo aquecer o forno bem fraquinho por uns cinco minutos. Aí, desligo o forno e deixo o pão lá dentro, relaxando. É, eu sei, demora um pouco mesmo. Mas se o pão está descansando, você também pode descansar, não é? E não é porque o pão precisa descansar para ficar deliciosamente fofo e lhe dar uma imenso prazer, que você vai dizer "tá vendo, Ana? Eu não falei que fazer pão dava trabalho?" Entenda uma coisa, cara leitora: o pão está descansando e ele descansa sozinho. Não precisa contar histórias, nem cantar para ele dormir. Deixe o coitado em paz, simplesmente. E, não, nem pense em pular essa etapa. Se o pão não repousar, o fermento não agirá, você comerá Cimentcola e eu acharei bem feito.

Passada a hora, tire o pão do forno (caso ele esteja descansando lá) e acenda-o em temperatura média. Asse a massa por 30 minutos, ou até o pão dourar e ficar firme. Retire do forno e desenforme depois de morno. Sirva como quiser. Eu sirvo apenas com manteiga derretendo por cima. Ah, e se quiser, pegue mais umas cervejas para acompanhar.



Ana Téjo tem 37 anos, é publicitária, redatora, tradutora, nadadora, planejadora, cozinheira, mãe e escritora, quase nunca nesta ordem. Administra, sempre que possível, dois filhos elétricos, uma babá rabugenta, um trabalho eletrizante, uma mãe obstinada, um namorado apaixonante e uma vontade compulsiva de escrever.   Leia mais deste autor.





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