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Primeira infância
Educar. Esta é uma tarefa que exige responsabilidade. E, nos primeiros anos da vida de uma criança, uma boa formação é fundamental. Para esta missão, conhecer bem as fases pelas quais seu filho irá passar é importante.
Por Laura Jeunon • 30/07/2005
Educar. Taí uma tarefa que demanda responsabilidade. Hoje em dia, os pais podem contar com a ajuda dos livros para se orientarem quanto às melhores posturas a serem tomadas na hora de se relacionar com seus pequenos. Saber impor limites, por exemplo, é um dos temas bastante debatidos e já abordados pela literatura. É realmente importante que a maneira de lidar com os filhos, nas suas mais diversas fases e situações, seja amplamente discutida. Afinal de contas, estamos falando da formação de um novo ser, que poderá se transformar tanto num adulto de boa ou como de má índole, ou ainda numa pessoa mais ou menos feliz. E já que a mídia também tem papel particular nesse auxílio aos pais, o Bolsa resolveu colocar em pauta as características principais do desenvolvimento das crianças durante a chamada primeira infância.
Os primeiros anos de vida são primordiais. Tudo que for apreendido pela criança durante essa fase de seu desenvolvimento permeará toda a sua percepção de mundo dali para frente. "A fase inicial de vida é muito importante porque é preciso construir uma estrutura que seja sólida. É até cerca dos seis anos de idade que a criança constrói a sua personalidade. Numa visão freudiana, podemos dizer que o ego e o superego são formados até essa fase. Enfim, é quando a criança forma os seus hábitos, seus gostos - pela leitura, por exemplo, de que os pais tanto reclamam depois –, sua rotina e seus valores“, esclarece a pedagoga Marlúcia Pessoa. Foi pensando nisso que fizemos uma espécie de mapeamento de cada período da vida da criança, do zero aos seis anos, dando dicas importantes para uma educação firme e, ao mesmo tempo, leve, calcada no amor, no equilíbrio e na compreensão.
Recém-nascido
O primeiro ano de vida é o período em que nos desenvolvemos mais rapidamente. Muitos pais percebem que os três primeiros meses marcam uma linha divisória no desenvolvimento de seus bebês. “Depois dos três meses, duas coisas importantes acontecem. A primeira delas é que o bebê se encontra mais integrado e centrado, o que fica evidenciado quando ele reconhece claramente as pessoas que ama e que, reciprocamente, o amam. Em segundo lugar, nesse estágio o bebê já alcança coisas com as mãos, através de seus processos de pensamento", explica a psicóloga Vera Soumar, citando os momentos em que o bebê alcança um mordedor, ou um pedacinho do cobertor e o agarra, trazendo para perto dos olhos e da boca, examinando-o e até sugando-o. Este é o primeiro passo que muitos recém-nascidos dão no brincar, ao mesmo tempo em que estão progredindo na compreensão de que há coisas lá fora que não são eles mesmos.
A segunda metade do primeiro ano de vida também é recheada de progressos. O bebê começa a engatinhar, se afasta um pouco da mãe e é desmamado. Mesmo que algumas crianças comecem a engatinhar cedo, outras, mais tarde, e que o momento de desmame também varie, geralmente, ao final do primeiro ano de vida o bebê está pronto para ver o mundo de uma maneira, digamos, ligeiramente nova.
Um ano
É dos doze aos 24 meses que acontece a transição da condição de bebê para a de criança. Os desenvolvimentos são rápidos, mas se seu filho parecer regredir de vem em quando, com comportamentos anteriores, mais infantis, tudo bem, isso é normal. Por volta do primeiro aniversário, a maioria das crianças já aprendeu a movimentar-se, em geral, engatinhando. “Minha filha começou a engatinhar com oito meses e com onze meses e meio já estava andando. Eu achei o máximo, fiquei toda boba, é uma felicidade!”, lembra a secretária Ana Cosenza.
Realmente, esse marcos no desenvolvimento dos bebês costumam ter grande importância para os pais. Se seu filho demora a começar a andar ou a falar, ficam inquietos e preocupados; se aprendem rápido, sentem-se orgulhosos e triunfantes, e aí não há como não haver comparações.”A filha de uma amiga minha fez um ano e meio e ainda não andava. Também, não tiravam a menina do carrinho. Demos bastante liberdade para a minha filha, deixamos ela passear pelo chão, os irmãos davam o dedinho para que ela andasse de pé pela casa”, conta Ana Paula. Segundo Vera Soumar, esse tipo de comparação é natural, desde que não haja rivalidade excessiva. “É possível que comparem seu bebê com a filha da Sra. X, por exemplo, que mora na mesma rua e que ainda não está falando. Mas se a competitividade é excessiva, é provável que esteja mais relacionada com a ansiedade dos pais em relação a seus próprios sucessos ou fracassos”, revela Vera Soumar.
Dois anos
Apesar de ainda ser meio bebê, uma coisa é certa. As crianças de dois anos escutam e observam tudo, tudinho que está ao seu redor. Elas podem até não compreender muitas coisas, mas já são capazes de sentir. “É por isso que devemos proteger a criança, não só nessa idade, mas nela principalmente, das discussões entre os adultos, porque mesmo não entendendo, ela é sensível ao impacto emocional dos envolvidos”, aconselha Vera, frisando que nesse período a criança ainda não sabe diferenciar bem a fantasia da realidade.
Nessa fase, ter os modelos de homem e mulher também é imprescindível para que a criança desenvolva um sentido de si mesma. “É aí que ela começa a diferenciar os sexos. Mostra interesse pelas diferentes posturas de meninos e meninas quando urinam, além das diferenças físicas entre os sexos. É até comum as meninas tentarem urinar de pé”, sinaliza Vera Soumar. Segundo a psicanalista Angela Rabello, nesse período a criança tem o desejo de ser como a pessoa que é do mesmo sexo que ela. “Uma menina, por exemplo, desejará ser como sua mãe e começam os ciúmes do pai e uma verdadeira trama em relação aos acontecimentos amorosos. Ela vai querer saber de onde veio, como foi feita e esta curiosidade desperta outras em relação ao mundo. Começam as infindáveis perguntas, cuja curiosidade sexual é a base. Só nos resta ter paciência, pois estas pesquisas são fundamentais na vida de todos nós”, acrescenta Angela Rabello.
Três anos
A energia dos rebentos é para lá de grande nessa fase da vida. Crianças amam exercícios físicos, e costumam ir até o extremo do cansaço, mas precisam de limites para não cometerem excessos e ficarem exaustas. “Elas também se divertem muito desenhando ou pintando e é sempre importante estar contente, orgulhoso, mostrando ao seu filho que realmente quer ouvi-lo falar sobre a pintura”, aconselha Vera Soumar.
Também é nesse período que as crianças estão tentando classificar o que é real, o que é faz-de-conta e o que simplesmente é invenção da cabeça delas, numa história ou num programa de televisão. “As crianças de três anos não sabem muito bem o que estão sentindo e de onde esse sentimento vem. Por isso trocam de humor rapidamente, uma vez que os sentimentos são intensos. Uma coisinha de nada pode ser entendida como uma catástrofe. Ao mesmo tempo, pouca coisa pode ser feita para ajudar uma criança aflita ou irritada. O importante é os pais acharem um modo de estimulá-la a colocar o sentimento em palavras, de modo que ela e o adulto entendam o que está acontecendo, mesmo que nada possa ser modificado.
Quatro anos
Com essa idade, a criança começa a ter consciência de que é uma pessoa distinta dos pais. É muito comum e até esperado que nessa idade os pequenos demonstrem interesse de saber sobre as relações: entre pais e filhos, entre mãe e pai, de dois adultos quaisquer. “Na verdade, essa curiosidade é uma profunda investigação de como as coisas se ligam umas às outras, permitindo a formação de algo novo, inclusive de um novo ser. Essa fase gera na criança uma série de sentimentos contraditórios. Às vezes, a idéia de ter a mamãe e o papai juntos dá uma sensação gostosa de felicidade e harmonia; outras vezes, ela se sente excluída, irritada, ciumenta ou invejosa. Enfim, a criança tenta entender como é possível amar e odiar uma pessoa”, esclarece Vera Soumar.
Casais que têm filhos com quatro anos de idade precisam estar atentos para o fato de que é principalmente nessa etapa do desenvolvimento que a criança começa a fazer a distinção entre o que é certo e o que é errado. “Nesse sentido, as crianças precisam de diretrizes nítidas entre o bem e o mal, mesmo que mais tarde isso venha a ser questionado. Os limites podem e devem ser deixados bem claros”, afirma Vera, frisando que tanto o planejamento das ações futuras como as regras são essenciais para crianças dessa faixa etária.
Cinco anos
Escola à vista! Essa fase, naturalmente, exige da criança uma maior independência e responsabilidade. Pelo fato de estar sem a mãe no momento em que está na escola, a criança precisa tornar-se um pouco seu próprio pai ou mãe para conseguir satisfazer as suas necessidades. “Apesar de a maioria das crianças dessa idade ser capaz de suportar a separação durante parte do dia, existem aquelas que consideram difícil começar. Sua aflição pode ser expressa abertamente, chorando na hora da separação, ou menos óbvia: a criança começa a ter dores de barriga ou de cabeça pela manhã”, exemplifica Vera. Se você está percebendo que seu filho considera um verdadeiro martírio ir à escola, não, não é obrigando e brigando com ele que você irá resolver o problema. Que tal compartilhar a sua própria experiência com ele, contando, por exemplo, como você se sentiu quando começou a freqüentar o colégio? “Dessa forma, você o ajuda a falar sobre seus medos e tentar resolvê-los”, ensina Vera.
Acompanhando o início da experiência escolar, o convívio social também é bastante estimulado nesse período. O interesse pelo grupo de colegas torna-se muito aparente. É comum que essa nova influência dê origens a alguns desafios às regras da casa, até então acatadas, como por exemplo o horário de ir dormir, uma vez que na casa do fulaninho pode ficar acordado até mais tarde.
Seis anos
Mesmo com meia dúzia de primaveras nas costas – menos, menos... –, a família permanece sendo a base emocional da criança. Entretanto, o relacionamento com pais muda nesse momento, devido ao grande interesse pelo mundo da escola, dos amigos e das brincadeiras. “Os desejos e ânsias da primeira infância de um dia se casar com a mamãe ou com o papai são, gradualmente, reconhecidos como inatingíveis, e, consequentemente, esse movimento estimula a criança a travar seus próprios relacionamentos.
E quem acaba sofrendo com essas mudanças são os macacos velhos dessa história toda, os pais. Com filhos dessa idade, eles deixam de ser os heróis superpoderosos das crianças, que estão se interessando pelo mundo externo, crescendo e se tornando cada vez mais independentes. “Quando os pais têm dificuldade e deixar a criança seguir o seu caminho e sofrem demasiadamente com seu afastamento, a criança percebe isso e pode apresentar problemas de retração, como desinteresse pela escola ou pela vida em grupo. Ou seja, todo o resto deixa de ser importante diante da ameaça de perder essas duas pessoas tão queridas”, descreve Vera, frisando que por isso é importante que as crianças dessa idade recebam muitos incentivos dos pais. “Eles devem demonstrar que estão interessados no que os filhos estão fazendo quando estão fora de casa. Podem elogiar os trabalhos, estimular leituras diferentes, ler histórias, fazer passeios extras e comparecer aos eventos promovidos pela escola”, sugere Vera Soumar.
Nessa lista de fases e de conselhos aos pais sobre educação, devemos ressaltar um último aspecto. Errar ou não agir da maneira mais correta com os filhos, acontece. “Não se preocupem com seus possíveis "erros". É claro, que existem situações nas quais os pais acabam gritando com seus filhos, ou até castigando-os, sem que haja realmente um motivo para tanto. Caso isso ocorra, não se desesperem. Se a atmosfera geral for agradável e amorosa, a criança captará estes sentimentos positivos”, conclui Vera Soumar.
Laura Jeunon   Leia mais deste autor.
Os primeiros anos de vida são primordiais. Tudo que for apreendido pela criança durante essa fase de seu desenvolvimento permeará toda a sua percepção de mundo dali para frente. "A fase inicial de vida é muito importante porque é preciso construir uma estrutura que seja sólida. É até cerca dos seis anos de idade que a criança constrói a sua personalidade. Numa visão freudiana, podemos dizer que o ego e o superego são formados até essa fase. Enfim, é quando a criança forma os seus hábitos, seus gostos - pela leitura, por exemplo, de que os pais tanto reclamam depois –, sua rotina e seus valores“, esclarece a pedagoga Marlúcia Pessoa. Foi pensando nisso que fizemos uma espécie de mapeamento de cada período da vida da criança, do zero aos seis anos, dando dicas importantes para uma educação firme e, ao mesmo tempo, leve, calcada no amor, no equilíbrio e na compreensão.
Recém-nascido
O primeiro ano de vida é o período em que nos desenvolvemos mais rapidamente. Muitos pais percebem que os três primeiros meses marcam uma linha divisória no desenvolvimento de seus bebês. “Depois dos três meses, duas coisas importantes acontecem. A primeira delas é que o bebê se encontra mais integrado e centrado, o que fica evidenciado quando ele reconhece claramente as pessoas que ama e que, reciprocamente, o amam. Em segundo lugar, nesse estágio o bebê já alcança coisas com as mãos, através de seus processos de pensamento", explica a psicóloga Vera Soumar, citando os momentos em que o bebê alcança um mordedor, ou um pedacinho do cobertor e o agarra, trazendo para perto dos olhos e da boca, examinando-o e até sugando-o. Este é o primeiro passo que muitos recém-nascidos dão no brincar, ao mesmo tempo em que estão progredindo na compreensão de que há coisas lá fora que não são eles mesmos.
A segunda metade do primeiro ano de vida também é recheada de progressos. O bebê começa a engatinhar, se afasta um pouco da mãe e é desmamado. Mesmo que algumas crianças comecem a engatinhar cedo, outras, mais tarde, e que o momento de desmame também varie, geralmente, ao final do primeiro ano de vida o bebê está pronto para ver o mundo de uma maneira, digamos, ligeiramente nova.
Um ano
É dos doze aos 24 meses que acontece a transição da condição de bebê para a de criança. Os desenvolvimentos são rápidos, mas se seu filho parecer regredir de vem em quando, com comportamentos anteriores, mais infantis, tudo bem, isso é normal. Por volta do primeiro aniversário, a maioria das crianças já aprendeu a movimentar-se, em geral, engatinhando. “Minha filha começou a engatinhar com oito meses e com onze meses e meio já estava andando. Eu achei o máximo, fiquei toda boba, é uma felicidade!”, lembra a secretária Ana Cosenza.
Realmente, esse marcos no desenvolvimento dos bebês costumam ter grande importância para os pais. Se seu filho demora a começar a andar ou a falar, ficam inquietos e preocupados; se aprendem rápido, sentem-se orgulhosos e triunfantes, e aí não há como não haver comparações.”A filha de uma amiga minha fez um ano e meio e ainda não andava. Também, não tiravam a menina do carrinho. Demos bastante liberdade para a minha filha, deixamos ela passear pelo chão, os irmãos davam o dedinho para que ela andasse de pé pela casa”, conta Ana Paula. Segundo Vera Soumar, esse tipo de comparação é natural, desde que não haja rivalidade excessiva. “É possível que comparem seu bebê com a filha da Sra. X, por exemplo, que mora na mesma rua e que ainda não está falando. Mas se a competitividade é excessiva, é provável que esteja mais relacionada com a ansiedade dos pais em relação a seus próprios sucessos ou fracassos”, revela Vera Soumar.
Dois anos
Apesar de ainda ser meio bebê, uma coisa é certa. As crianças de dois anos escutam e observam tudo, tudinho que está ao seu redor. Elas podem até não compreender muitas coisas, mas já são capazes de sentir. “É por isso que devemos proteger a criança, não só nessa idade, mas nela principalmente, das discussões entre os adultos, porque mesmo não entendendo, ela é sensível ao impacto emocional dos envolvidos”, aconselha Vera, frisando que nesse período a criança ainda não sabe diferenciar bem a fantasia da realidade.
Nessa fase, ter os modelos de homem e mulher também é imprescindível para que a criança desenvolva um sentido de si mesma. “É aí que ela começa a diferenciar os sexos. Mostra interesse pelas diferentes posturas de meninos e meninas quando urinam, além das diferenças físicas entre os sexos. É até comum as meninas tentarem urinar de pé”, sinaliza Vera Soumar. Segundo a psicanalista Angela Rabello, nesse período a criança tem o desejo de ser como a pessoa que é do mesmo sexo que ela. “Uma menina, por exemplo, desejará ser como sua mãe e começam os ciúmes do pai e uma verdadeira trama em relação aos acontecimentos amorosos. Ela vai querer saber de onde veio, como foi feita e esta curiosidade desperta outras em relação ao mundo. Começam as infindáveis perguntas, cuja curiosidade sexual é a base. Só nos resta ter paciência, pois estas pesquisas são fundamentais na vida de todos nós”, acrescenta Angela Rabello.
Três anos
A energia dos rebentos é para lá de grande nessa fase da vida. Crianças amam exercícios físicos, e costumam ir até o extremo do cansaço, mas precisam de limites para não cometerem excessos e ficarem exaustas. “Elas também se divertem muito desenhando ou pintando e é sempre importante estar contente, orgulhoso, mostrando ao seu filho que realmente quer ouvi-lo falar sobre a pintura”, aconselha Vera Soumar.
Também é nesse período que as crianças estão tentando classificar o que é real, o que é faz-de-conta e o que simplesmente é invenção da cabeça delas, numa história ou num programa de televisão. “As crianças de três anos não sabem muito bem o que estão sentindo e de onde esse sentimento vem. Por isso trocam de humor rapidamente, uma vez que os sentimentos são intensos. Uma coisinha de nada pode ser entendida como uma catástrofe. Ao mesmo tempo, pouca coisa pode ser feita para ajudar uma criança aflita ou irritada. O importante é os pais acharem um modo de estimulá-la a colocar o sentimento em palavras, de modo que ela e o adulto entendam o que está acontecendo, mesmo que nada possa ser modificado.
Quatro anos
Com essa idade, a criança começa a ter consciência de que é uma pessoa distinta dos pais. É muito comum e até esperado que nessa idade os pequenos demonstrem interesse de saber sobre as relações: entre pais e filhos, entre mãe e pai, de dois adultos quaisquer. “Na verdade, essa curiosidade é uma profunda investigação de como as coisas se ligam umas às outras, permitindo a formação de algo novo, inclusive de um novo ser. Essa fase gera na criança uma série de sentimentos contraditórios. Às vezes, a idéia de ter a mamãe e o papai juntos dá uma sensação gostosa de felicidade e harmonia; outras vezes, ela se sente excluída, irritada, ciumenta ou invejosa. Enfim, a criança tenta entender como é possível amar e odiar uma pessoa”, esclarece Vera Soumar.
Casais que têm filhos com quatro anos de idade precisam estar atentos para o fato de que é principalmente nessa etapa do desenvolvimento que a criança começa a fazer a distinção entre o que é certo e o que é errado. “Nesse sentido, as crianças precisam de diretrizes nítidas entre o bem e o mal, mesmo que mais tarde isso venha a ser questionado. Os limites podem e devem ser deixados bem claros”, afirma Vera, frisando que tanto o planejamento das ações futuras como as regras são essenciais para crianças dessa faixa etária.
Cinco anos
Escola à vista! Essa fase, naturalmente, exige da criança uma maior independência e responsabilidade. Pelo fato de estar sem a mãe no momento em que está na escola, a criança precisa tornar-se um pouco seu próprio pai ou mãe para conseguir satisfazer as suas necessidades. “Apesar de a maioria das crianças dessa idade ser capaz de suportar a separação durante parte do dia, existem aquelas que consideram difícil começar. Sua aflição pode ser expressa abertamente, chorando na hora da separação, ou menos óbvia: a criança começa a ter dores de barriga ou de cabeça pela manhã”, exemplifica Vera. Se você está percebendo que seu filho considera um verdadeiro martírio ir à escola, não, não é obrigando e brigando com ele que você irá resolver o problema. Que tal compartilhar a sua própria experiência com ele, contando, por exemplo, como você se sentiu quando começou a freqüentar o colégio? “Dessa forma, você o ajuda a falar sobre seus medos e tentar resolvê-los”, ensina Vera.
Acompanhando o início da experiência escolar, o convívio social também é bastante estimulado nesse período. O interesse pelo grupo de colegas torna-se muito aparente. É comum que essa nova influência dê origens a alguns desafios às regras da casa, até então acatadas, como por exemplo o horário de ir dormir, uma vez que na casa do fulaninho pode ficar acordado até mais tarde.
Seis anos
Mesmo com meia dúzia de primaveras nas costas – menos, menos... –, a família permanece sendo a base emocional da criança. Entretanto, o relacionamento com pais muda nesse momento, devido ao grande interesse pelo mundo da escola, dos amigos e das brincadeiras. “Os desejos e ânsias da primeira infância de um dia se casar com a mamãe ou com o papai são, gradualmente, reconhecidos como inatingíveis, e, consequentemente, esse movimento estimula a criança a travar seus próprios relacionamentos.
E quem acaba sofrendo com essas mudanças são os macacos velhos dessa história toda, os pais. Com filhos dessa idade, eles deixam de ser os heróis superpoderosos das crianças, que estão se interessando pelo mundo externo, crescendo e se tornando cada vez mais independentes. “Quando os pais têm dificuldade e deixar a criança seguir o seu caminho e sofrem demasiadamente com seu afastamento, a criança percebe isso e pode apresentar problemas de retração, como desinteresse pela escola ou pela vida em grupo. Ou seja, todo o resto deixa de ser importante diante da ameaça de perder essas duas pessoas tão queridas”, descreve Vera, frisando que por isso é importante que as crianças dessa idade recebam muitos incentivos dos pais. “Eles devem demonstrar que estão interessados no que os filhos estão fazendo quando estão fora de casa. Podem elogiar os trabalhos, estimular leituras diferentes, ler histórias, fazer passeios extras e comparecer aos eventos promovidos pela escola”, sugere Vera Soumar.
Nessa lista de fases e de conselhos aos pais sobre educação, devemos ressaltar um último aspecto. Errar ou não agir da maneira mais correta com os filhos, acontece. “Não se preocupem com seus possíveis "erros". É claro, que existem situações nas quais os pais acabam gritando com seus filhos, ou até castigando-os, sem que haja realmente um motivo para tanto. Caso isso ocorra, não se desesperem. Se a atmosfera geral for agradável e amorosa, a criança captará estes sentimentos positivos”, conclui Vera Soumar.
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