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Perigos da cozinha
Nas panelas e utensílios, escondem-se riscos à saúde
Por Fernando Puga • 09/02/2007

Já é até meio clichê dizer que não há lugar mais perigoso no mundo do que nossas casas, com seus pisos escorregadios, suas quinas fatais e, sobretudo, suas bactérias e outros terríveis bichinhos invisíveis. Nesse sentido, as cozinhas domésticas são uma mistura de Bagdá com Faixa de Gaza: em inocentes panelas, ternas colheres de pau, inofensivas tábuas de carne, se esconde um sem número de riscos à saúde, se aproveitando do sagrado momento de comer para promover um ataque silencioso ao nosso corpo. Mas alguns segredos na hora de lavar a louça ou de comprar os apetrechos podem mudar esse jogo.

Um bom primeiro passo é banir os utensílios de madeira da cozinha. Tábuas de carne e colheres de pau são, na opinião dos especialistas, verdadeiros criadouros de fungos e bactérias, entrando em contato direto com a comida. "Já existe até uma lei, a RDC 216, do Ministério da Saúde, que praticamente proíbe o contato de instrumentos de madeira com a comida. A madeira é perigosa porque é um material vivo, cheio de células, que, em contato com outro material orgânico, puxa os sulcos. E não há uma metodologia correta, eficiente para a higienização. E por higienização, entende-se desinfecção e limpeza, que é o que deve ser feito com tudo que usamos na cozinha", explica o biomédico Paulo Figueiredo, o Doutor Bactéria, do "Fantástico".

O melhor é substituir esses utensílios por plásticos. Mas o Doutor Bactéria alerta que eles não são hereditários. "Quando esses instrumentos estiverem riscados, amarelados, já é hora de substituí-los", diz. E o melhor jeito de higienizá-los é direto na máquina de lavar louça. "Quem não tiver, pode lavá-los com a parte amarela da esponja e detergente simples, que está ótimo. Uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água ajuda numa higienização mais eficiente", esclarece ele.

É por isso que não é recomendado arear a panela. Porque é um processo abrasivo, deixa resíduos do metal no fundo, que vão se misturar à comida


Usar utensílios de alumínio também pode ser uma boa. Esse é o material com que se fabrica a maior parte dos instrumentos de cozinha. Mas é preciso atenção com a liberação de metais tóxicos. "Escumadeiras, conchas, colheres não oferecem um risco considerável porque o tempo de contato com o alimento não é muito grande. Agora, armazenar a comida por um longo período em recipientes de alumínio não é indicado", comenta a nutricionista Sylvia Sampaio. O suposto risco da ingestão de alumínio é ligado a problemas neurológicos, que vêm sendo pesquisados. "É por isso que não é recomendado arear a panela. Porque é um processo abrasivo, deixa resíduos do metal no fundo, que vão se misturar à comida. Pelo mesmo motivo também, não se deve usar aquele lado verde da esponja", explica o Dr. Paulo Figueiredo.

O aço inox é outro que se envolveu em polêmicas na cozinha. Isso por que ele é formado pela combinação do ferro com outros dois metais, o cromo e o níquel, tidos como prejudiciais à saúde. "O níquel em grandes quantidades compromete demais a absorção de nutrientes pelo organismo e, ao mesmo tempo, agrava os sintomas dessa carência", comenta Sylvia Sampaio. Mas, como o alumínio, sua migração para os alimentos que estão sendo cozidos na panela, é mínima. "Não há motivo para alarde", garante Sylvia. Paulo Figueiredo lembra ainda que toda panela libera substâncias para o alimento. "Em geral, não há riscos. O próprio antiaderente é muito seguro. Mas a melhor panela de todas é a de pedra sabão, porque libera cálcio e magnésio. Só é uma pena que sejam tão caras, além de pesadíssimas", comenta.

O Dr. Bactéria esclarece também outro boato, o de que manter utensílios na panela durante o preparo da comida ajuda a prevenir problemas como anemia. "Quando eu era criança, no interior de São Paulo, o pessoal colocava até ferradura dentro do feijão. Na verdade, isso não existe. Acontece uma liberação, mas o corpo não absorve esse ferro. O único tipo aproveitado pelo corpo é o ferro coloidal, que é aquele que vai para enriquecer a farinha do pão francês", afirma.

Com relação às luvas, que muita gente gosta de usar, Sylvia Sampaio dá um lembrete. "As luvas não são autolimpantes. Não é pra sair pegando em tudo pela cozinha e botar novamente as mãos na comida", alerta. Durante o uso, elas devem ser lavadas com detergente ao final de cada operação e substituídas a cada semana. "No final do trabalho, recomendo higienizá-las também com vinagre e secá-las muito bem. O uso das luvas é mais uma questão de gosto pessoal ou, eventualmente, alguma alergia dermatológica. Ela sozinha não garante uma higiene maior do que mãos corretamente lavadas, por exemplo", encerra a nutricionista.

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