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O álcool na adolescência
Adolescentes e álcool são uma mistura explosiva. E não adianta, mais cedo ou mais tarde, eles acabam se encontrando. O que fazer quando chegar a hora?
Por Laura Cavallieri • 07/01/2006
Mais cedo ou mais tarde, acontece. Você vai se perguntar onde errou, com quem ele tem andado, quem será que ofereceu? O primeiro porre deixa qualquer mãe em choque. Seu filhinho querido, inteligente, dedicado, que sempre estudou nos melhores colégios, chega em casa cambaleando. O fim da noite? Vomitando no chão do banheiro, que você vai acabar limpando. A maioria dos pais, entretanto, não está preparada para lidar com a bebedeira dos filhos.
Por mais que você não queira acreditar, eles cresceram. E logo, estarão passando pelas tentações que você também viveu quando jovem. Álcool, drogas, sexo - tudo uma questão de tempo -, disponíveis para quando quiserem experimentar. O álcool, porém, passa despercebido. "É só uma cervejinha", o pai pensa. “Faz parte da adolescência”, diz o tio. Mas manter as rédeas da situação é tarefa que cabe aos pais. Os excessos podem, inclusive, colocar em risco a saúde e a vida dos filhos.
Apesar da idade legal para se beber ser de 18 anos, eles começam bem mais cedo. “Aos 14 eles já estão bebendo escondido”, conta a psicóloga Vera Cristina Soumar, que acredita que a facilidade para se adquirir álcool seja um fator determinante da precocidade. “Em qualquer esquina um jovem consegue uma cerveja. O social, ao mesmo tempo em que proíbe - através da lei -, permite pela falta de controle. E não adianta os pais dizerem que seus filhos não poderão beber antes dos 18. Como controlar isso? Se os amigos bebem, eles vão acabar querendo também”, acredita a psicóloga.
A culpa é de quem?
Tudo começa na festinha de colégio, ou com os amigos da rua. A adolescência é uma fase de inconstâncias e vulnerabilidade, na qual os jovens se sentem incompreendidos. Buscando identificação com o grupo, acabam bebendo apenas porque os outros também o fazem. “O grupo é um vínculo muito importante. Mas a insegurança faz parte da idade, o que os leva a imitar os amigos. Querem ser iguais ao resto da turma. O problema é que quando percebem que a bebida leva embora a timidez, acabam recorrendo a ela em outras situações. E como não estão acostumados, desconhecem seus limites”, atenta Vera Soumar, prevendo o primeiro porre.
E quando ele acontece, não há pai nem mãe preparado para enfrentá-lo. “Brigar não adianta, principalmente se ele estiver embriagado demais. Nessas horas, tente ajudar, e deixe a conversa para o dia seguinte. Se for necessário, dê um banho, ou em casos extremos, que possam levar ao coma alcoólico, acompanhe seu filho ao hospital para tomar glicose”, sugere Vera Soumar.
O psiquiatra Sergio Nick, membro da Associação Brasileira de Psicanálise, atenta para o que está por trás da bebedeira. “A questão não é o uso, mas o que ele quer dizer. Pode ser apenas uma explosão de rebeldia, própria dos adolescentes, ou uma tentativa de diminuir a angústia, que é muito forte nesta época”, explica. Independentemente do motivo, a conversa é o melhor remédio. “Vá na velha máxima da conversa. Ela é fundamental, assim como o aconselhamento sobre os perigos da bebida. Mas cuidado, alguns jovens podem encarar esses conselhos como uma permissão para beber. O alcoolismo é uma doença crônica, demorando para manifestar seus piores efeitos. Isso faz com que as pessoas achem que o álcool não é nocivo. Às vezes nem mesmo os pais têm noção da gravidade”, alerta Dr. Sergio.
É proibido proibir
Por mais difícil que seja evitar uma discussão, o dia seguinte ao porre deve ser de muita conversa, mas nunca gritaria. E é exatamente aí que a maioria dos pais erra. “Eles entram de forma autoritária. Isso só vai ajudar a dar ao grupo o papel de bacana, colocando os pais como caretas. Nada pior para afastar pais de filhos”, adverte a psicóloga. Além de não resolver, a discussão não ensina os adolescentes a lidar com o álcool. “Eles não sabem beber. Antes aprender em casa, com o apoio dos pais, do que na rua”, acredita Vera, deixando claro que não se trata de um incentivo. “Se o social permite que os jovens tenham acesso à bebida, o melhor que se pode fazer é ensinar seu filho a enfrentar o mundo lá fora, mantendo o controle da situação. Assim ele saberá até onde ir, evitando a bebedeira, o mal estar físico, e os famosos micos”, diz.
Todos esses conselhos parecem fazer sentido, mas você continua achando difícil concordar em segui-los? É hora de olhar para trás, e recordar a sua adolescência. “Os pais devem se esforçar para lembrar que já passaram por isso. Não só eles, mas todo mundo. Portanto, respire fundo, evitando medidas impulsivas e extremas. Só olhando para si mesmo, e admitindo sua própria adolescência, é que poderão perceber que não é tão sério. Quando crescemos, nosso passado se torna um mito da perfeição. Mas não é bem assim. Certamente, cometemos os mesmos erros”, entrega Vera. Se não pior!
Conheça seu filho
A melhor forma de evitar que seu filho tenha problemas com bebidas é conhecendo-o. “Os pais devem estar por perto, não apenas para criticar, mas para permitir o amadurecimento deles. Quando há um vínculo afetivo forte na família, a passagem pelo turbilhão da adolescência fica mais tranqüila”, diz a psicóloga Vera Soumar. O psiquiatra Sergio Nick acrescenta. “Fique atenta aos sinais, como o cheiro, o hálito, a voz enrolada, e a dificuldade em manter o equilíbrio”, enumera Dr. Sergio. Mas, dependendo do estado – seu e dele -, nem adianta conversar. “Pode não ser o melhor momento. Se ele estiver tão alcoolizado, a ponto de nem conseguir falar, ou você muito zangada, deixe para o dia seguinte. Oferecer um copo de água, e falar um amanhã a gente conversa, mostra que vocês são pais que ajudam, e não apenas censuram. Dê limites, mas sempre com serenidade. Se quer dizer a seu filho que ele não deve fazer algo, faça-o porque quer protegê-lo, não por estar chateada. Funciona muito melhor”, acredita.
Laura Cavallieri   Leia mais deste autor.
Por mais que você não queira acreditar, eles cresceram. E logo, estarão passando pelas tentações que você também viveu quando jovem. Álcool, drogas, sexo - tudo uma questão de tempo -, disponíveis para quando quiserem experimentar. O álcool, porém, passa despercebido. "É só uma cervejinha", o pai pensa. “Faz parte da adolescência”, diz o tio. Mas manter as rédeas da situação é tarefa que cabe aos pais. Os excessos podem, inclusive, colocar em risco a saúde e a vida dos filhos.
Apesar da idade legal para se beber ser de 18 anos, eles começam bem mais cedo. “Aos 14 eles já estão bebendo escondido”, conta a psicóloga Vera Cristina Soumar, que acredita que a facilidade para se adquirir álcool seja um fator determinante da precocidade. “Em qualquer esquina um jovem consegue uma cerveja. O social, ao mesmo tempo em que proíbe - através da lei -, permite pela falta de controle. E não adianta os pais dizerem que seus filhos não poderão beber antes dos 18. Como controlar isso? Se os amigos bebem, eles vão acabar querendo também”, acredita a psicóloga.
A culpa é de quem?
Tudo começa na festinha de colégio, ou com os amigos da rua. A adolescência é uma fase de inconstâncias e vulnerabilidade, na qual os jovens se sentem incompreendidos. Buscando identificação com o grupo, acabam bebendo apenas porque os outros também o fazem. “O grupo é um vínculo muito importante. Mas a insegurança faz parte da idade, o que os leva a imitar os amigos. Querem ser iguais ao resto da turma. O problema é que quando percebem que a bebida leva embora a timidez, acabam recorrendo a ela em outras situações. E como não estão acostumados, desconhecem seus limites”, atenta Vera Soumar, prevendo o primeiro porre.
E quando ele acontece, não há pai nem mãe preparado para enfrentá-lo. “Brigar não adianta, principalmente se ele estiver embriagado demais. Nessas horas, tente ajudar, e deixe a conversa para o dia seguinte. Se for necessário, dê um banho, ou em casos extremos, que possam levar ao coma alcoólico, acompanhe seu filho ao hospital para tomar glicose”, sugere Vera Soumar.
O psiquiatra Sergio Nick, membro da Associação Brasileira de Psicanálise, atenta para o que está por trás da bebedeira. “A questão não é o uso, mas o que ele quer dizer. Pode ser apenas uma explosão de rebeldia, própria dos adolescentes, ou uma tentativa de diminuir a angústia, que é muito forte nesta época”, explica. Independentemente do motivo, a conversa é o melhor remédio. “Vá na velha máxima da conversa. Ela é fundamental, assim como o aconselhamento sobre os perigos da bebida. Mas cuidado, alguns jovens podem encarar esses conselhos como uma permissão para beber. O alcoolismo é uma doença crônica, demorando para manifestar seus piores efeitos. Isso faz com que as pessoas achem que o álcool não é nocivo. Às vezes nem mesmo os pais têm noção da gravidade”, alerta Dr. Sergio.
É proibido proibir
Por mais difícil que seja evitar uma discussão, o dia seguinte ao porre deve ser de muita conversa, mas nunca gritaria. E é exatamente aí que a maioria dos pais erra. “Eles entram de forma autoritária. Isso só vai ajudar a dar ao grupo o papel de bacana, colocando os pais como caretas. Nada pior para afastar pais de filhos”, adverte a psicóloga. Além de não resolver, a discussão não ensina os adolescentes a lidar com o álcool. “Eles não sabem beber. Antes aprender em casa, com o apoio dos pais, do que na rua”, acredita Vera, deixando claro que não se trata de um incentivo. “Se o social permite que os jovens tenham acesso à bebida, o melhor que se pode fazer é ensinar seu filho a enfrentar o mundo lá fora, mantendo o controle da situação. Assim ele saberá até onde ir, evitando a bebedeira, o mal estar físico, e os famosos micos”, diz.
Todos esses conselhos parecem fazer sentido, mas você continua achando difícil concordar em segui-los? É hora de olhar para trás, e recordar a sua adolescência. “Os pais devem se esforçar para lembrar que já passaram por isso. Não só eles, mas todo mundo. Portanto, respire fundo, evitando medidas impulsivas e extremas. Só olhando para si mesmo, e admitindo sua própria adolescência, é que poderão perceber que não é tão sério. Quando crescemos, nosso passado se torna um mito da perfeição. Mas não é bem assim. Certamente, cometemos os mesmos erros”, entrega Vera. Se não pior!
Conheça seu filho
A melhor forma de evitar que seu filho tenha problemas com bebidas é conhecendo-o. “Os pais devem estar por perto, não apenas para criticar, mas para permitir o amadurecimento deles. Quando há um vínculo afetivo forte na família, a passagem pelo turbilhão da adolescência fica mais tranqüila”, diz a psicóloga Vera Soumar. O psiquiatra Sergio Nick acrescenta. “Fique atenta aos sinais, como o cheiro, o hálito, a voz enrolada, e a dificuldade em manter o equilíbrio”, enumera Dr. Sergio. Mas, dependendo do estado – seu e dele -, nem adianta conversar. “Pode não ser o melhor momento. Se ele estiver tão alcoolizado, a ponto de nem conseguir falar, ou você muito zangada, deixe para o dia seguinte. Oferecer um copo de água, e falar um amanhã a gente conversa, mostra que vocês são pais que ajudam, e não apenas censuram. Dê limites, mas sempre com serenidade. Se quer dizer a seu filho que ele não deve fazer algo, faça-o porque quer protegê-lo, não por estar chateada. Funciona muito melhor”, acredita.
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