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Natal dividido
Com o pai ou com a mãe? Como é o Natal de quem tem os pais separados?
Por Claudia Altschüller • 24/12/2006
Todo fim de ano é a mesma história: muita correria, compras, engarrafamento, alegria e confraternização. Comemorar, para a maioria, parece simples: basta estar junto das pessoas queridas e brindar. Mas, para alguns filhos de pais separados, celebrar essa e outras datas especiais é bem mais complicado do que se imagina. Divididos, eles acabam fazendo parte de um triângulo, muitas vezes, nada amoroso. Aí, haja negociação, diálogo e, em certos casos, até a intromissão de um psicólogo, assistente social ou advogado da área de família.
Para o psicólogo Jorge Lyra, mestre em Psicologia Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador da ONG PAPAI, essa combinação entre horários deve ser acertada entre os pais, sem que se deixe de levar em conta a opinião da criança. "O ideal é uma negociação equilibrada e uma das formas de se fazer isso é revezar o Natal e o réveillon. Passa um com o pai e o outro com a mãe ou vice-versa, sempre levando em conta a idade da criança. Um bebê não fica acordado até às 22 horas ou para ver a queima de fogos do ano novo", comenta. Na opinião da terapeuta de família Ana Sílvia Teixeira, o foco principal da questão é a criança e por isso deve-se avaliar qual dos dois está em condições de oferecer um ambiente mais propício e adequado. Ela lembra que, muitas vezes, o ex-casal se separa judicialmente, mas não consegue fazer o mesmo no campo emocional, e continua, no divórcio, a reproduzir os mesmos conflitos do casamento, sem conseguir colocar em prática o que foi decidido pelo juiz. Os filhos, nessa situação, podem ser usados como objeto de disputa do casal.
O Natal de 2000 foi inesquecível para o promotor de eventos José Hamide. Sua ex-mulher não permitiu que ele passasse a festa com as três filhas por um simples capricho. "Ela não deixou só porque não desejei um feliz Natal para ela quando liguei na véspera", reclama. "Elas moram em outra cidade, tínhamos combinado de nos encontrar no ponto de ônibus ao meio-dia do dia 25 e elas não apareceram e nem ligaram", lembra, magoado. "Para mim, as três foram as maiores prejudicadas nessa história. Elas não têm nada a ver com nossas picuinhas e ficaram à mercê da raiva que a mãe ainda sente de mim", conta.
Segundo Ana Síliva, esses conflitos são freqüentes e podem ser solucionados com a intervenção de um mediador. "É muito importante o movimento de buscar os vários tipos de ajuda, seja de amigos ou profissionais, como advogados, assistentes sociais e psicólogos, além de tratamento terapêutico com especialistas em família, para que as situações malresolvidas e as dificuldades entre o ex-casal não se perpetuem, envolvendo os filhos e colocando em risco sua saúde", indica. No entanto, a terapeuta revela que são poucos os pais que procuram a terapia familiar para tratar de um assunto objetivo como esse. "É um trabalho focal, de flexibilização e negociação, tendo em vista única e objetivamente o bem-estar dos filhos. Infelizmente, a procura é muito maior quando os filhos já apresentam algum comportamento ou problema de saúde que, indiretamente, acaba denunciando o desentendimento do ex-casal trazendo a família ao consultório", explica.
Para o psicólogo Jorge Lyra, mestre em Psicologia Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador da ONG PAPAI, essa combinação entre horários deve ser acertada entre os pais, sem que se deixe de levar em conta a opinião da criança. "O ideal é uma negociação equilibrada e uma das formas de se fazer isso é revezar o Natal e o réveillon. Passa um com o pai e o outro com a mãe ou vice-versa, sempre levando em conta a idade da criança. Um bebê não fica acordado até às 22 horas ou para ver a queima de fogos do ano novo", comenta. Na opinião da terapeuta de família Ana Sílvia Teixeira, o foco principal da questão é a criança e por isso deve-se avaliar qual dos dois está em condições de oferecer um ambiente mais propício e adequado. Ela lembra que, muitas vezes, o ex-casal se separa judicialmente, mas não consegue fazer o mesmo no campo emocional, e continua, no divórcio, a reproduzir os mesmos conflitos do casamento, sem conseguir colocar em prática o que foi decidido pelo juiz. Os filhos, nessa situação, podem ser usados como objeto de disputa do casal.
Para mim, as três foram as maiores prejudicadas nessa história. Elas não têm nada a ver com nossas picuinhas e ficaram à mercê da raiva que a mãe ainda sente de mim.
O Natal de 2000 foi inesquecível para o promotor de eventos José Hamide. Sua ex-mulher não permitiu que ele passasse a festa com as três filhas por um simples capricho. "Ela não deixou só porque não desejei um feliz Natal para ela quando liguei na véspera", reclama. "Elas moram em outra cidade, tínhamos combinado de nos encontrar no ponto de ônibus ao meio-dia do dia 25 e elas não apareceram e nem ligaram", lembra, magoado. "Para mim, as três foram as maiores prejudicadas nessa história. Elas não têm nada a ver com nossas picuinhas e ficaram à mercê da raiva que a mãe ainda sente de mim", conta.
Segundo Ana Síliva, esses conflitos são freqüentes e podem ser solucionados com a intervenção de um mediador. "É muito importante o movimento de buscar os vários tipos de ajuda, seja de amigos ou profissionais, como advogados, assistentes sociais e psicólogos, além de tratamento terapêutico com especialistas em família, para que as situações malresolvidas e as dificuldades entre o ex-casal não se perpetuem, envolvendo os filhos e colocando em risco sua saúde", indica. No entanto, a terapeuta revela que são poucos os pais que procuram a terapia familiar para tratar de um assunto objetivo como esse. "É um trabalho focal, de flexibilização e negociação, tendo em vista única e objetivamente o bem-estar dos filhos. Infelizmente, a procura é muito maior quando os filhos já apresentam algum comportamento ou problema de saúde que, indiretamente, acaba denunciando o desentendimento do ex-casal trazendo a família ao consultório", explica.
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