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Morar, trabalhar ou estudar em outro país. O que antes parecia um sonho distante ou um privilégio para poucos abastados é, atualmente, uma experiência cada vez mais comum entre os jovens. Seja para amadurecer, aprender uma nova língua, vivenciar uma nova cultura ou simplesmente se divertir, são inúmeros os fatores que levam cada vez mais pessoas a procurarem programas de intercâmbio no exterior. Por isso, os pais e mães mais corujas estão tendo que se acostumar com a idéia de passar alguns meses longe de seus filhotes. Mas antes de despachá-los para fora do país (e tirar umas merecidas férias), é importante se informar bem sobre as empresas e os principais programas oferecidos.
Segundo os dados fornecidos pela Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association - associação de agências de intercâmbio), no ano de 2004 aproximadamente 42 mil brasileiros, na faixa de 18 a 30 anos, optaram por essa iniciativa, ante 35 mil em 2003. Os destinos são diversos dos clássicos Estados Unidos e Europa a terras bem distantes como a Austrália.
High School
"High School" é o período escolar equivalente ao Ensino Médio brasileiro. O programa permite que adolescentes com idade entre 14 e 19 anos cursem um trimestre, semestre ou ano acadêmico numa escola no exterior sem perder o ano escolar no Brasil. Para isso, é preciso ter um bom nível do idioma escolhido e boas notas na escola. No High School, é comum que o jovem vá morar com uma família típica do país escolhido. Isto diminui o custo de hospedagem, além de promover a total imersão cultural, já que mais do que se comunicar em outro idioma, o adolescente vivenciará os costumes e a rotina da casa.
Além de estudar as matérias regulares do currículo, há a chance de escolher outras como culinária e fotografia, de acordo com o interesse do intercambista. Antes, porém, é importante verificar com a escola no Brasil as exigências com relação às matérias cursadas durante o programa de High School no exterior.
Cláudio Chalom, diretor da empresa Brazilian Exchange (BEX), que trabalha com uma série de programas de intercâmbio, incluindo o High School, destaca a importância da preparação desses jovens e de seus pais antes do embarque. "O intercâmbio é uma excelente experiência pessoal, mas também é um choque cultural e emocional grande, tanto para o adolescente que, repentinamente, se vê cercado de um novo idioma, novos costumes e pessoas desconhecidas, quanto para os seus pais que, pela primeira vez, ficam tanto tempo distantes de seus filhos. É por isso que parte da nossa preparação é conduzida por uma experiente profissional especializada em treinamento intercultural, na tentativa de minimizar este impacto", explica.
Work & Travel
Viajar e trabalhar. É isto que promete o programa de intercâmbio de maior aceitação entre os jovens. Isto se deve, principalmente, à sua viabilidade econômica já que, com disciplina, é possível pagar o investimento com o trabalho no exterior.
Em 1999, o governo americano abriu as portas para os programas de trabalho no exterior. De acordo com o diretor da BEX, Cláudio Chalom, atualmente os Estados Unidos são o destino mais procurado pelos brasileiros intercambistas. Para viajar, o jovem recebe o visto J1 que lhe dá direito a quatro meses de trabalho e mais 30 dias para turismo no país. Nos Estados Unidos, o programa é restrito a universitários (graduação ou pós-graduação em curso). Já no Canadá, por exemplo, não há restrições. Por isso, antes desembarcar no exterior, é importante entrar em contato com uma empresa de intercâmbio e checar os pré-requisitos dos programas de cada país.
Cláudio destaca, novamente, a importância das reuniões de orientação para o intercambista e seus pais: "Reparo que muitas vezes o work and travel é a primeira experiência profissional destes jovens. Se o primeiro emprego é difícil, imagina num idioma e cultura que não são nativos. Por isso a nossa preocupação com a preparação de toda a família para o processo", reforça.
Em 2005, a estudante de publicidade Ana Isabel Campos, de 23 anos, passou quatro meses em San Diego, na Califórnia. Após o programa, ela optou por conhecer todo o estado da Califórnia, a cidade de Nova York e ainda investiu em eletrônicos, por isso não conseguiu juntar dinheiro. Para aqueles que precisam bancar o próprio programa, Ana Isabel aconselha. "Quem quiser juntar dinheiro deve procurar arrumar mais de um emprego, o que não é difícil, e de preferência algum que renda boas gorjetas, como o de garçonete. Além disso, tem que evitar ao máximo gastos supérfluos com eletrônicos, noitadas, entre outros, e procurar dividir as despesas com os amigos. Conheço pessoas que não só pagaram o custo do intercâmbio como também conseguiram voltar com algum dinheiro no bolso", conta a estudante.
Cursos de idiomas
Se você estiver estudando uma língua, viver no país onde este idioma é falado é, sem dúvida, uma excelente maneira de aprendê-lo ou aperfeiçoá-lo. Cursos regulares para diversos níveis, específicos para determinadas profissões e até mesmo aulas para professores são algumas das opções para quem deseja estudar línguas no exterior.
Intercâmbio para todas as idades
Mas não pense você que intercâmbio é coisa só de jovem. Existem empresas que oferecem programas para quem passou dos 60, já que não há limite de idade para a realização de um curso de idioma no exterior. Além disso, algumas escolas oferecem programas específicos para a terceira idade, que são combinados com atividades específicas para sua faixa etária.
Uma maneira de incrementar o currículo
Além do aspecto pessoal, o intercâmbio também serve como diferencial profissional num mercado de trabalho tão concorrido. É a chamada experiência no exterior, hoje tão valorizada pelas empresas. Quem confirma é a analista de recursos humanos Renata Siqueira, da RHBrasil, empresa responsável por centenas de contratações em todo o país. "O intercâmbio representa um processo de amadurecimento a curto prazo. O intercambista se vê obrigado a aperfeiçoar o idioma local, gerenciar o seu tempo, o seu dinheiro, a sua casa, sem o aporte financeiro e emocional dos pais, o que faz com que ele amadureça e desenvolva uma série de competências úteis para qualquer posição profissional", explica.
O lado profissional pesou e levou o estudante de engenharia Flávio Federman, de 23 anos, a agendar sua viagem para o final deste ano. Flávio está de malas prontas para Atlantic City, Nova Jersey. "Vivenciar a realidade de uma nova cultura, longe da família, tendo que bancar todas as despesas de moradia, alimentação é uma experiência ímpar. Acho que será de grande valia tanto para a minha vida como no campo profissional, já que as grandes empresas hoje em dia exigem inglês fluente, que é bem mais fácil de se conseguir numa imersão completa e diária na língua", atesta Flávio.
Como se vê, motivos não faltam para justificar experiência de intercâmbio no exterior. Se você é pai, comece a ficar com saudades porque vai ser difícil negar esta oportunidade ao seu filho. E se você é um potencial intercambista, ainda há tempo de viajar nas férias de final de ano. Escolha o programa que mais se adequa aos seus interesses, arrume suas malas e boa viagem!
Bruno Harten   Leia mais deste autor.
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