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MARCAS DA PAIXAÕ
Não são só crianças que gostam de miniaturas. Já vi adultos - mesmo os mais maduros - se derretendo com coisas pequenininhas. Na cozinha também é assim. Que atire o primeiro mini cookie quem nunca sorriu diante daquelas cenourinhas baby, de uma tigelinha com minimilho, de pepininhos ou cebolinhas em conserva, de batatinhas assadas e de tomates-cereja. Outra coisa que amolece até os corações mais duros são os formatos diferenciados. Experimente servir aquela mousse de sempre em um copinho de cachaça; ou fazer bolos ou biscoitos em moldes engraçadinhos, de estrela, bichinhos ou coração. Eu sei que geralmente você tem mais o que fazer - eu também - mas meus convidados se lembram até hoje de um Natal em que eu cortei fatias de pão sem casca e de dois tipos de queijo com um molde de estrela. Torrei os pães, arrumei os queijos em uma bandeja alternando um e outro - que tinham cores bem diferentes - e nada mais. Foi um sucesso. Mal sabiam meus convidados que aquela criatividade toda no formato foi pura falta de inspiração para preparar aperitivos.
Outro dia, passei por uma situação parecida na casa do meu namorado. Alguém aí lembra da receita de pimentão recheado? O fato é que naquele dia, sobrou um pouco de carne moída crua (cerca de 350 g). Como ainda nos restavam uns dias de férias, um lindo céu azul e muito pouca vontade de perder tempo na cozinha, fomos ao supermercado e compramos uma porção de porcarias para beliscar ao longo do dia. Só que beliscar também cansa e uma hora, ele disse que estava com vontade de comer uma coisinha mais consistente.
- Ótimo, vamos sair.
- Ana, mas e o sol? Nós vamos perder esse sol espetacular? Acho um desperdício estragar um dia desses em um restaurante.
- Algo me diz que você já pensou em alguma coisa...
- Pensei. Pensei que você, criativa do jeito que é, bem que podia inventar uma coisinha pra gente com o que tem na geladeira.
Suspirei.
O fato é que a gente sempre come fora - ele muito mais que eu - e imagino que sinta uma tremenda falta de comida feita em casa de vez em quando. Resolvi encarar, mas antes fui avaliar minhas possibilidades. Na típica geladeira de um homem que mora só, muito pouca matéria-prima: meio pacote de pão sem casca, o resto da carne moída crua, um patê pela metade, umas bolinhas de mussarela de búfala, um teco de provolone, meio pacote de queijo ralado, três ovos, meio pote de azeitonas recheadas (com pimentão. Argh!), dois pepinos em conserva, cerveja, vinho branco, refrigerante e um suco de caixinha.
- Tem cebola... alho... sopa de cebola, que seja?
- Não.
- Tem alguma coisa para me ajudar a temperar essa pobre carne?
- Hmmm... tinha uma maçã aí até outro dia.
- Maçã?! E eu vou temperar a carne com maçã, criatura?
- De qualquer forma, esquece. Acho que comi a maçã anteontem.
