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Fome noturna
Um prato emergencial rápido e saboroso para madrugadas de fome
Por Ana Téjo • 27/06/2007

Sabe fim de semana? É, aqueles dois pequenos dias espremidos entre cinco outros nos quais você mal tem tempo de se olhar no espelho? Eu não sei você, mas eu prezo tanto meus fins de semana, que de vez em quando mal durmo, tamanha é a ansiedade de aproveitar cada milésimo de segundo sem obrigações. Em dias assim, às vezes me comporto como uma adolescente em acampamento de férias. Saio pela manhã com as crianças, passeio, vou ao shopping, faço compras, almoço, vou ao cinema, ao supermercado (argh!) e volto pra casa só lá pelas seis da tarde, a tempo de polir e lustrar meus filhos, arrumar e perfumar bem direitinho e tomar meu próprio banho embelezador. Por volta das sete da noite, eles vão para a casa do pai passar o fim do sábado e o domingo e eu inicio meu período de pouco mais de vinte e quatro horas SÓ PRA MIM.

Essas vinte e quatro horas, eu costumo passar com meu namorado, que também é craque em maximizar minutos. A parte boa é que, com a chegada das férias escolares, a gente ganha mais uma noite - de domingo para segunda. Uma noite a mais significa o dobro de possibilidades.

Descasquei a cebola, cortei ao meio e lavei em água abundante para não chorar. Até porque, ninguém merece ficar com o rímel borrado em um domingo quase de madrugada na casa do namorado, né?

Foi numa noite dessas, tarde pra burro a ponto de não haver mais nenhum delivery aberto, que a gente descobriu que estava com fome. Havíamos almoçado em algum momento do dia, mas fazia um bocado de horas e, de repente, o estômago começou a roncar. Estava um frio danado, a preguiça era grande e a vontade de ficar junto, maior ainda. Tínhamos duas opções: ignorar o estômago e caprichar no café da manhã do dia seguinte ou inventar alguma coisa fácil, rápida e deliciosa que aplacasse o frio e nos desse energia para o resto da noite. Claro que escolhemos a segunda.

Por sorte (e certa influência minha), ele tinha tudo o que precisávamos. Servi um copo de vinho tinto para cada um, ele descobriu umas rodelinhas de provolone no armário e começamos a beliscar.

Coloquei um panelão de água para ferver e enquanto o fogão se encarregava do processo, peguei no freezer um pacote de lingüiça fininha e uma cebola grande na geladeira. Descasquei a cebola, cortei ao meio e lavei em água abundante para não chorar. Até porque, ninguém merece ficar com o rímel borrado em um domingo quase de madrugada na casa do namorado, né? Continuando, cortei a cebola em rodelas e tirei a pele da lingüiça. A parte boa da lingüiça é que além de descongelar em um segundo, é facílimo tirar a pele da danada enquanto ela ainda está dura. Faça dois cortes superficiais nas laterais e puxe a pele com uma faca. Corte em rodelas.

Coloque outra panela no fogo e aqueça. Não ponha nenhum tipo de gordura porque a lingüiça já renderá gordura suficiente. Quando a panela estiver quente, jogue as lingüiças dentro dela e frite bem dos dois lados, mexendo de vez em quando.

A água ferveu? Ótimo. Jogue um punhado de sal, pegue um tanto de espaguete de grão duro da melhor qualidade e jogue na panela. Siga obsessivamente o tempo de cozimento indicado pelo fabricante. Eles sabem o que dizem.

A lingüiça fritou? Eu já imaginava. Hora de colocar as cebolas na mesma panela. Se a lingüiça estiver ressecada ou pegando, jogue um pouquinho de água ou de vinho tinto. Eu joguei vinho tinto, naturalmente. Enquanto as cebolas fritam, mexa de vez em quando e abra uma lata de tomates pelados. Aqui é uma questão de preferência. Tem gente que gosta de molho de tomate pronto. Eu prefiro usar os tomates sem pele e sem semente e dar ao molho minha própria personalidade.

Ponha a água dos tomates na panela da lingüiça, misture, corte os pedaços grosseiramente e ponha tudo na mesma panela. Tempere como quiser - eu, coloquei só um pouco de sal e alecrim - tampe e deixe cozinhar.

Quando o macarrão ficar pronto, escorra, sirva em dois pratos, dê uma última mexida no molho, apague o fogo e jogue por cima da massa. Sirva fumegando.

Não poderia ser mais simples, nem mais fácil. E, sim, eu sei que a Brigada da Boa Forma é contra o consumo de carboidratos à noite, mas eu garanto que poucas coisas dão tanto prazer.



Ana Téjo tem 37 anos, é publicitária, redatora, tradutora, nadadora, planejadora, cozinheira, mãe e escritora, quase nunca nesta ordem. Administra, sempre que possível, dois filhos elétricos, uma babá rabugenta, um trabalho eletrizante, uma mãe obstinada, um namorado apaixonante e uma vontade compulsiva de escrever.   Leia mais deste autor.





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Comentários (2)
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