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Esta coluna eu escrevo dias antes da minha Helena nascer, e, por isso, é dedicada a ela. O tema, aliás, tem tudo a ver com a vinda da minha pimpolha. Toco neste assunto porque, como marinheira de segunda viagem, já vi, ouvi e vivi muita coisa errada, feita por gente que não tinha a menor intenção - prefiro acreditar nesta hipótese! - de dificultar minha vida, ou de transformar uma grávida emotiva numa grávida insegura.
Se você não é a gestante, pense duas vezes antes de adotar os comportamentos abaixo. Ou melhor, evite a todo custo:
- Perguntar se ela já ganhou muito peso: não interessa se a resposta é sim ou não. Não consigo entender que fixação é essa que as pessoas têm... Peso é algo perturbador para muitas gestantes, antes ou depois do nascimento de seu rebento. Eu mesma ouvi esta pergunta no mínimo uma dezena de vezes em cada gravidez. O pior: várias delas vieram de uma mesma amiga, que me questionava como se ela fosse a guardiã da minha boa forma, e me comparava a ela (que tinha engordado praticamente nada) o tempo todo.
- Comentar que nem parece que ela acabou de ter neném... afinal, continua parecendo que está grávida. Uma prima minha teve a "presença de espírito" de me dizer exatamente isto numa visita a minha casa, apenas um semana depois do meu Theodoro ter nascido. Eu estava sem dormir, com os seios doloridos e inflamados, olheiras até a boca e uma pele que ninguém merece! Nem preciso dizer quanto o tal comentário sincero ajudou a minha auto-estima...
- Perguntar o nome do bebê e depois fazer cara de "que horror, ele vai se chamar isso?". Contente-se em sorrir e dizer "que lindo nome!". Gosto não se discute e se a sua opinião a respeito da escolha do nome fosse importante, pode ter certeza de que a grávida a teria consultado.
- Perguntar se você já sabe o sexo e depois dizer "não se preocupe, ser mãe de menino(a) é legal também... Quem sabe na próxima você não consegue?". Consegue o que, amiga? Ou perguntar e depois comentar "eu não quis saber, acho que não importa, o que vale é que venha com saúde". Então por que a criatura perguntou se a grávida já sabia? Para deixar a coitada se sentindo culpada só por ter tido a "vaidade" de querer saber o sexo do filhote, e assim já poder chamá-lo pelo nome, ou se planejar para a compra do enxoval... Coisas irrelevantes, não é mesmo?
- Dizer que a vida dela acabou, que depois de ter filhos, tudo vai mudar - para pior, claro! Tem gente que adora fazer este tipo de terror. E aí começa a contar histórias que aconteceram com ela ou com uma amiga, uma cunhada etc. O bebê não dormia e só chorava, durante anos a fio, e blá blá blá. Todo mundo sabe que a vida muda com a chegada dos filhos - e para melhor! Mesmo com toda a trabalheira que dá cuidar e educar.
- Fazer visita à maternidade se você não é muito íntima e não perguntou antes do nascimento se poderia ir. Já ouvi opiniões diferentes de consultoras de etiqueta, umas a favor da visita, outras contra. Pois eu sou contra. Você está lá se recuperando de um parto (que não é um passeio no parque, que isso fique muito claro), aprendendo a ser mãe, se entrosando com o filhotinho, e de repente chega uma caravana para uma "visitinha" que se estende por longos 30, 40 minutos. Isto é um suplício, querida leitora. Não seja você essa visitante. Quer ver o bebê? Dê pelo menos um mês, ligue ou mande um e-mail para a mãe e pergunte como eles estão, se estão passando bem etc. Se ela quiser receber sua visita, tenha certeza: você será convidada a fazê-la. Neste meio tempo, mande flores com um cartão bem carinhoso e certifique-se de que você foi extremamente gentil e elegante.
Por enquanto é isso, leitora amiga. Nos falamos em breve, provavelmente já após o nascimento da minha fofíssima! Um beijo e até lá!
Ana Vaz é consultora e palestrante em Etiqueta e Imagem Pessoal. Iniciou sua carreira no Reino Unido, onde foi treinada pela First Impressions Image Consulting. É autora dos guias “Pequeno Livro de Etiqueta” e “Pequeno Livro de Estilo”, ambos lançados pela Verus Editora.  Leia mais deste autor.
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