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(Antes de prosseguir, cuidado! Não, essa reportagem não vai te propiciar agradáveis momentos de entretenimento, nem pretende oferecer uma leitura leve e bem humorada. Estamos falando de nos adaptar a nova realidade de degradação do planeta. E quando está em voga a crise ambiental global não há como usufruir de eufemismos, descartar palavras impactantes, nem como camuflar previsões bastante pessimistas. Siga adiante, portanto, quem não quer fechar os olhos para o planeta - em breve inabitável - que estamos deixando para os nossos filhos e netos).
Todo mundo em pânico
Não faltam estudos rigorosos, estatísticas e pesquisas bem fundamentadas sobre o futuro catastrófico da Terra. O apocalipse causado pelo aumento de temperatura, previsto para daqui a 30 ou 40 anos, na verdade, já começou. No ano passado, a cobertura de gelo do Ártico já havia sido diminuída em 20% em relação a de 1979. Isso significa 1,3 milhão de quilômetros quadrados a menos, o equivalente a soma dos territórios da França, da Alemanha e da Reino Unido (!!!). A ocorrência de furacões das categorias 4 e 5, os mais intensos, dobrou nos últimos 35 anos. De acordo com cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), morrem, por ano, 150 mil pessoas, por fatores relacionados diretamente ao aquecimento global, como secas e inundações. Em 2030, esse número duplicará. Até o Brasil, que nunca havia sido alvo de ciclones, foi varrido por um, em 2004, no litoral sul.
Não, a enxurrada de evidências de que o planeta está gravemente doente ainda não acabou. Aqui vai mais uma: na China, todos os anos, 10 mil quilômetros quadrados (o equivalente a meio Sergipe), em média, se transformam em deserto. Outra: ursos polares estão simplesmente comendo uns aos outros porque a calota polar ártica, seu território de caça, já está 20% menor - aliás, estimativas apontam que eles podem desaparecer em míseros 20 anos. Para nós, seres humanos, as perspectivas não são menos pessimistas - até porque a vida de todos os seres depende de um mesmo delicado e frágil equilíbrio. Você já parou para pensar que 2050, ano para o qual está previsto um aumento de temperatura de 2 a 4,5 graus, está muito próximo? Já fez as contas e percebeu que, se a humanidade não conseguir reverter esse quadro, seus netos e até filhos não terão a chance de chegar aos 50 anos?
Pensando no futuro
A preocupação com o meio ambiente, salutarmente cada vez mais noticiada, já fisgou muita gente - como não poderia deixar de ser. Talvez você seja aquele tipo de pessoa que anda com uma pulguinha atrás da orelha... Ela coça pra danar sempre que você demora horas no banho gastando água desnecessariamente, joga o óleo que sobrou da fritura no ralo da pia ou enche o tanque do carro de gasolina - "completa, por favor!". Ou então talvez você até já tenha começado definitivamente a modificar seus hábitos: faz coleta seletiva de lixo, evita se transportar de carro, vai ao supermercado com as suas próprias sacolas de pano, trocou as descargas e lâmpadas de sua casa e implantou um regime disciplinado de economia de energia elétrica. Iniciativas que não são pra qualquer um, não! Porque deixar para trás os hábitos tradicionais e adotar posturas como essas exigem um baita esforço. "Não se muda de atitude de repente. A abertura para a nova consciência passa por receber informações adequadas, que dêem às pessoas outras opções de escolha. Mas somente informação também não basta. "Costumo dizer que a mudança está a 30 centímetros: do cérebro para o coração", afirma o jornalista Vilmar Berna, fundador da REBIA (Rede Brasileira de Informação Ambiental) e diretor geral e editor da Revista do Meio Ambiente e do Portal do Meio Ambiente.
Não se tem dúvida de que todas as pessoas desejem viver em um mundo melhor e esperem que o futuro dos filhos seja mais próspero. Segundo Berna, nós sempre colocamos a responsabilidade nos ombros dos outros. "O mundo melhor a gente sempre acha que começa no outro: ‘no dia em que a prefeitura mudar' ou ‘no dia em que meu sindicato fizer aquilo'... Mergulhamos no individualismo e no materialismo. A preocupação com o meio ambiente passa por razões espirituais, por valores. Vai muito além de simplesmente separar o óleo de cozinha ou fazer coleta seletiva de lixo. Consiste em percebermos o quanto somos arrogantes com a espécie humana", frisa Berna, que ganhou o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente, em 1999.
Planeta Terra, nossa casa
Portanto, se o que faltava para você trocar os costumes predatórios por uma postura mais sustentável era apenas um último empurrãozinho, aqui está! Para fazer a sua parte é necessário transformar a maneira como você interfere na natureza quando está no seu refúgio, no seu porto-seguro, no seu lar, doce lar. "A casa é um lugar onde você se sente bem, seu lar, um espaço que pressupõe harmonia. Não dá para você ser um fator de poluição e depredação do planeta dentro da sua própria casa", constata Berna. A dica de Berna para aqueles que "já" acordaram para a crise ambiental global é fazer um relatório, uma espécie de levantamento, listando três etapas: o que está deixando entrar em casa, como está usando, e como está descartando. "Entra energia, água, alimentos, bens de consumo duráveis e não duráveis... A água está sendo bem usada? Os móveis que comprou são feitos de madeira manejada ou você acabou incentivando o desmatamento da Amazônia? Uso produtos de limpeza, como água sanitária, além do necessário?", questiona.
Qual o tamanho do seu lixo?
Sem dúvida dá um trabalhão assumir responsabilidade pelas atitudes que tomamos, todos os dias, contra o "nosso" rico planetinha. Mas que coisa chata não poder contar com as práticas sacolas plásticas na volta do supermercado, não é mesmo? Não, não é, não! "As pessoas não percebem que, além delas, existem mais 170 milhões, só no Brasil. Cada pessoa produz, por dia, uma média de meio quilo de lixo. Isso só de lixo, fora esgoto, que é outro tanto. Não há planeta que resista! Essa idéia de jogar lixo fora é um absurdo. Lixo não existe. Tudo aquilo misturado: papel, pano, plástico... Por que é lixo? Porque está misturado! Se você separar, tudo vira recurso de novo", enfatiza Vilmar Berna, lembrando que não existe impacto ambiental zero. "Somos predadores e até quando morremos estamos poluindo... Mas a gente pode amenizar nossa atuação no planeta. Que compensação eu posso dar em troca do que eu estou tirando? Sempre levando em conta que a gente não recebeu o planeta de herança dos nossos pais. Nós o estamos tirando, tomando emprestado dos nossos filhos e dos nossos netos", alerta.
Separar o lixo que sua família produz em casa é uma medida simples - e necessária. Os departamentos de limpeza urbana das grandes cidades já contam com um programa de coleta seletiva de lixo. Na cidade de São Paulo, moradores de 68 distritos (veja aqui localidades atendidas) podem ter seu lixo (devidamente separado) coletado em sua porta, gratuitamente. A única diferença são os dias e horários da coleta. Nos sites das prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, você encontra dicas de como identificar e separar o seu lixo.
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