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"Bom dia por quê?" Parece que tem gente que vai responder assim quando você, sorridente, cumprimenta as pessoas ao chegar ao escritório, mesmo depois de uma noite mal dormida, ou de uma briga com o namorado logo pela manhã. Há quem não entenda que mau humor não tem autorização para entrar na empresa, e que todo mundo (todo mundo mesmo!) tem problemas. E em nome desse humor de cão, comete as maiores grosserias: não diz bom dia, não responde ao cumprimento dos outros, não retribui um sorriso... Falta de gentileza pura! Além de certo egocentrismo, não é mesmo? Não importa com que humor tenhamos acordado, nossa obrigação é contribuir para o clima positivo do escritório. "Bom dia!". E se olharmos nos olhos de quem o recebe, então, o efeito é ainda mais positivo.
"Preciso do relatório para amanhã". É, falta mesmo um complemento nesta frase. Que tal um "por favor"? Esta é outra expressão esquecida por muitos dentro das empresas. E aí devo dizer que principalmente pelos que possuem subordinados. Em nome de seu grau hierárquico mais elevado e de seu poder de decisão, deixam de lado a cordialidade. Tudo bem que o pedido do chefe é uma ordem, mas um "por favor" dito com sinceridade cabe em qualquer lugar, e faz qualquer funcionário cumprir sua tarefa de forma mais feliz. Muitas vezes até mais rapidamente ou de modo mais caprichado. As pessoas se esquecem que gentileza gera gentileza.
"Onde está o relatório que eu pedi ontem?", pergunta o chefe ou o colega que precisava do relatório. "Eu deixei sobre a sua mesa, junto com os outros documentos, como você me pediu, quer que eu cheque?", diz você com toda educação do mundo. "Já achei", responde a criatura, se esquecendo de complementar a frase com um "obrigada(o)", mais uma das expressões que parecem estar desaparecendo das empresas. Tudo bem que era sua obrigação entregar o relatório, mas um "obrigado" é outra gentileza que faz muita falta, principalmente para quem trabalha arduamente e cumpre seus prazos.
"Como assim, não te contaram o que ela disse?" "Não, eu estava tão ocupada, e já tenho que correr de novo. Depois a gente se fala, tchau!", deveria ser sua resposta a essa tentativa de fofoca. Não há empresa onde não exista fofoca, mas não se ganha nada sendo fofoqueira - a não ser uma falsa impressão de poder e muito provavelmente uma certa repugnância vinda dos colegas. Parece contraditório, mas as pessoas adoram fofoca, são as mesmas que não gostam dos fofoqueiros e evitam criar laços com eles... E não se esqueça, querida leitora, que quando alguém tentar lhe contaminar com a fofoca, fique à vontade para inventar uma desculpa e sair correndo. Não tem para onde? Ouça com cara de paisagem, esboce um sorrisinho simpático, mas pouco entusiasmado e comece um novo assunto. E nunca, nunca mesmo, passe a fofoca para frente.
"Que tal um cineminha hoje à noite?", diz aquele colega ou chefe que está tentando lhe seduzir, mas só consegue lhe perturbar. Como se livrar das investidas no ambiente de trabalho? A primeira opção é se fazer de desentendida, fazer de conta que não entendeu. Depois, você pode partir para mencionar discretamente seu namorado (mesmo que ele não exista) nas conversas onde o fulano está presente. E por último, se a insistência continuar, você pode ser clara e dizer que está feliz ao lado de seu escolhido, e ponto. Como assédio é algo controverso e perigoso (para ambas as partes) a melhor idéia é tentar desvencilhar-se dele com elegância, sem ferir egos. Caso nada corte as investidas, arme-se de coragem, gentileza e provas (se existirem) e converse com a área de recursos humanos.
Por hoje é só, amiga leitora, nos vemos na próxima coluna. Inspirada pelas perguntas da internauta lscrocaro, que vive na Itália, vou falar de como lidar com situações inesperadas, como o que fazer quando lhe servem algo numa mamadeira, ou sua sobremesa vem servida pendura num balão a gás. E quem tiver mais perguntas como estas, pode postá-las na área de comentários, ok? Beijão!
Ana Vaz é consultora e palestrante em Etiqueta e Imagem Pessoal. Iniciou sua carreira no Reino Unido, onde foi treinada pela First Impressions Image Consulting. É autora dos guias “Pequeno Livro de Etiqueta” e “Pequeno Livro de Estilo”, ambos lançados pela Verus Editora.  Leia mais deste autor.
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