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Etiqueta do trânsito. Isso existe?
Claro que existe, querida leitora! E em tempos de violência exacerbada e gratuita atrás do volante, o tema é mais do que pertinente. Você já sabe que etiqueta tem tudo a ver com empatia e respeito aos direitos de todos, então, no trânsito ela conta mesmo! Ainda mais porque pode ser encarada como uma postura que você adota em todas as áreas da sua vida - inclusive ao volante. Um compromisso que você assume de verdadeiramente levar o outro em consideração, não importa quando ou onde.
Infelizmente, no trânsito brasileiro impera um desrespeito escandaloso às leis, e conseqüentemente à civilidade e à cidadania. É por isso que a etiqueta pode e deve ser exercitada aqui - até mesmo para aqueles momentos em que não há uma lei a ser seguida.
Quer ver um exemplo? Além da violência obviamente, uma atitude que sempre me deixa perplexa é a de estacionar em vagas reservadas a deficientes, idosos ou gestantes. A lei não prevê multa ou qualquer outro tipo de punição ao motorista que estaciona nestas vagas quando localizadas em áreas particulares, como shoppings e supermercados. E o que acontece? Algumas pessoas - absolutamente sem-noção - acham que não haverá problema algum em ocupar uma daquelas vagas tentadoramente próximas à entrada. "Que idoso vem aqui a essa hora? E deficiente? Nunca vi um deficiente estacionar nestas vagas, vou parar por aqui mesmo". E assim, mais um desrespeito ao direito do outro é cometido e "justificado". Que coisa feia, não é, leitora?! Muito feia! Uma grosseria do tamanho do mundo, além de um ato de enorme egoísmo e egocentrismo.
Infelizmente, as grosserias e o descaso não param por aí. Veja a lista de atitudes deselegantes e pouco evoluídas que podem (e devem!) ser evitadas, independentemente de haver ou não uma lei que as regulamente:
- Parar em fila dupla ou na calçada. Ninguém merece! E não interessa se você parou porque não havia vaga acessível, e estava morrendo de pressa, e o trânsito estava caótico, e blá, blá, blá... São atitudes como esta que colaboram para o caos.
- Não usar o pisca-alerta para sinalizar o que fará. Outro sinal de egocentrismo não é verdade? Mesmo que não se tenha a intenção, a mensagem que se passa é "eu não devo satisfação a você". No trânsito, todos devemos satisfação uns aos outros.
- Estacionar em mais de uma vaga - ontem, por exemplo, fui à loja de uma amiga e uma cliente estava parada em três vagas - as únicas três da loja. Que tipo de pessoa é essa? Você gostaria de ser amiga dela, colega de trabalho, subordinada? Nem eu...
- Parar ou estacionar na faixa de pedestre. Sempre tenho vontade de me sentar no capô do carro dessa criatura, mas acabo me limitando a fazer cara feia. Muito feia, diga-se de passagem! Rezando para não apanhar, claro!
- Colar na traseira do outro carro - atitude normalmente acompanhada de buzina ou luz alta. Tem sempre aquela criatura que acha que pode exceder o limite de velocidade porque está na pista da esquerda e que todo mundo andando no limite deveria sair da sua frente.
- Jogar lixo pela janela. Bitucas de cigarro incluídas, amiga fumante!
E o que fazer, então, para tornar o trânsito um pouco mais humano e elegante? Que tal respirar fundo e lembrar-se que nada justifica o estresse da grosseria, que por sinal vai gerar mais grosseria? Tome atitudes positivas, como sair de casa cinco minutos mais cedo; deixar o outro motorista passar a sua frente; se você é esse motorista, olhar nos olhos de quem lhe cedeu a passagem e sorrir ou fazer um aceno agradecendo; diminuir a velocidade quando um pedestre está atravessando a rua, mesmo que não haja uma faixa. São gestos simples, mas que fazem um bem enorme ao outro - e posso lhe assegurar, a você também! Gentilezas!
Por hoje é só, querida leitora! Um beijo a todas e um obrigada pelos comentários super gentis sobre a última coluna. Até a próxima!
Ana Vaz é consultora e palestrante em Etiqueta e Imagem Pessoal. Iniciou sua carreira no Reino Unido, onde foi treinada pela First Impressions Image Consulting. É autora dos guias “Pequeno Livro de Etiqueta” e “Pequeno Livro de Estilo”, ambos lançados pela Verus Editora.  Leia mais deste autor.
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