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Casa e Família
Educação sexual hoje
Como falar com os filhos sobre um assunto que está em todo lugar: sexo
Por Mônica Vitória • 09/07/2008

Os tempos modernos trouxeram a globalização, o acesso fácil à informação, a desmistificação de muitos tabus sexuais e a liberdade em vários sentidos. Na TV, nos filmes, nas publicações e na internet, as referências ao sexo estão sempre presentes. Mas, com a modernidade, também vieram conseqüências negativas, como a banalização do corpo na mídia, o culto às aparências, o erotismo exacerbado e os altos índices de gravidez indesejada na adolescência. No meio desse turbilhão, os pais, que ficam cada vez mais confusos e não sabem como educar seus filhos sexualmente ou lidar com esses assuntos... Afinal, como fazer isso da forma certa?

Mesmo sendo expostos a imagens e cenas que banalizam o corpo, se a criança ou jovem tiver em casa um casal que é um exemplo de relação amorosa e de respeito, ele entenderá a diferença entre o que vê na mídia e um relacionamento maduro e adulto

Muitos acreditam que, com tantas fontes, torna-se desnecessário abordar a sexualidade com os mais jovens. No entanto, os pais devem estar atentos. "Hoje, os jovens são bombardeados com estímulos e têm fácil acesso a todo tipo de informação sobre sexo. Mas tais informações podem ser incompletas ou até equivocadas. Além disso, os pais devem se preocupar, também, com a sua própria educação sexual: eles mesmos precisam estar bem informados sobre o assunto, para que possam responder aos questionamentos dos filhos", afirma a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, que completa: "Se o pai responde satisfatoriamente uma dúvida do filho, a probabilidade de lhe perguntar novamente algo no futuro é grande. Se, ao contrário, dúvida não for sanada, ele irá procurar outras fontes de consulta, que podem não ser confiáveis".

Mas quando é a hora certa de começar a abordar este tema mais seriamente? Segundo os especialistas, os diálogos sobre sexualidade não podem começar somente na adolescência. "Os pais devem criar um clima favorável para esse tipo de conversa desde a infância, quando surgem as primeiras perguntas. Se, por acaso, isso não aconteceu, não adianta começar a conversar com o filho adolescente como num inquérito policial. No início, os pais devem fazer perguntas mais simples e gerais, e ir passando para perguntas pessoais e específicas, de forma natural. O processo deve levar a uma relação de confiança mútua", indica Cecília. É importante, ainda, prestar atenção ao conteúdo dessas conversas. Segundo a psicóloga, a intimidade deve ser preservada. "Deve-se falar sobre prevenção, auto-respeito, cuidado com o outro, mas não se deve falar da própria intimidade com os filhos nem exigir que eles contem detalhes de sua vida sexual", reforça.

Para a psicóloga e terapeuta sexual Márcia Atik, apesar do acesso a tantas fontes atualmente, tudo o que se relaciona com sexualidade ainda está recheado de tabus. "Isso acontece porque não é o conhecimento que os desmistifica, e sim uma relação sincera e espontânea com o assunto. A verdade é que os pais não acham palavras para passar isso aos filhos, e não vêem que eles se preparam não só com palavras, mas através de demonstrações de afeto e respeito", explica. Mesmo as instituições de ensino não devem substituir o papel do pai e da mãe. "As noções de educação sexual, nessa era pós-AIDS, são passadas pela escola cada vez mais cedo. Mas o amor que potencializa a sexualidade só se aprende por testemunhos, pela convivência", argumenta Márcia.

É claro que cada família é diferente uma da outra e, em relação à criação dos filhos, muitos fatores influem, como a orientação que os pais receberam, hábitos, religião, ideologia e estilo de vida. No entanto, alguns preceitos e valores - que facilmente se perdem numa sociedade que se apega a aparências e descompromisso - precisam ser reforçados. Dar o exemplo ainda é a melhor maneira de educar. "A relação dos pais é a referência mais importante para os filhos. Mesmo sendo expostos a imagens e cenas que banalizam o corpo, se a criança ou jovem tiver em casa um casal que é um exemplo de relação amorosa e de respeito, ele entenderá a diferença entre o que vê na mídia e um relacionamento maduro e adulto", enfatiza Cecília Zylberstajn.







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