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Bichoterapia, zooterapia, atividade assistida por animais... são vários os nomes que servem para designar os tratamentos com fins terapêuticos que contam com uma ajuda muito especial e inusitada: a dos bichos. Isso mesmo, eles podem ser incrivelmente eficientes para auxiliar pessoas com problemas psicomotores e outras doenças. A interação com animais dóceis, treinados e saudáveis faz a alegria dos pacientes e estimula a cooperação deles com a terapia, que atinge bons resultados mais rapidamente.
A Terapia Assistida por Animais (TAA), denominação mais comum entre os especialistas, consiste num tratamento alternativo que propõe a interação entre animais, como o cão e o cavalo, e pacientes com disfunções físicas ou mentais diversas. "A TAA é uma modalidade de intervenção terapêutica que já vem sendo estudada desde meados do século XX e tem como princípio a utilização de diferentes espécies de animais como mediadores privilegiados de terapias", define a psicóloga e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Vanessa Breia, que trabalha com cinoterapia (educação assistida por cães) desde 2004 e com equoterapia (cavalos) desde o ano passado, coordenando o Centro de Equoterapia Conquistar.
Vanessa destaca que os animais mais utilizados são, de fato, os cães, por sua reconhecida fidelidade e vinculação com o ser humano, e os cavalos, especialmente pelos benefícios físicos derivados de sua movimentação tridimensional. "Entretanto, diversos outros bichos também são utilizados em atividades semelhantes, como coelhos, gatos, pássaros, lhamas etc", ressalta a psicóloga. A fisioterapeuta Janaina Melo, responsável por um projeto de cinoterapia em Cascavel, no Paraná, chama a atenção para a importância da participação dos animais na rapidez e eficácia na recuperação dos pacientes: "O cão não influencia diretamente na melhora física do paciente, mas ele atua na motivação da execução da terapia, relaxando a criança e diminuindo tendências a isolamento. O cachorro reúne características que o torna apto para interagir com pacientes - sua prontidão em oferecer afeto e contato táctil em todos os momentos e situações, aliada à confiança que desperta. O paciente fica mais receptivo ao afeto dos cães, melhorando sua auto-estima e a consciência de suas limitações e comportamentos", afirma Janaina, completando que essa interação com os cães faz com que as crianças cooperem mais com a fisioterapia.
Patas também curam
Os objetivos da terapia com animais variam de paciente para paciente. Mas, em todos os casos, a principal finalidade é aumentar a motivação na execução da terapia, e obter, através desta motivação, melhorias específicas como o maior controle da motricidade e dos movimentos, diminuição do estresse, fortalecimento do tônus muscular e o aumento da socialização e da auto-estima. "Acreditamos, e por diversas vezes confirmamos, que a bichoterapia pode acelerar o desenvolvimento motor e comportamental, visto que, devido ao teor lúdico, os pacientes sentem-se menos pressionados e mais motivados a freqüentá-la", atesta Janaina. A psicóloga Vanessa Breia reforça que os principais resultados obtidos vão desde os benefícios sócio-emocionais, como a interação social, a redução da insegurança e da ansiedade, aos físicos. "Mas é importante destacar que a TAA não substitui as outras formas de terapia. Ela consiste em uma intervenção complementar", alerta Vanessa.
O público-alvo atingido pelas Terapias Assistidas por Animais é diversificado, mas o tratamento costuma surtir maior efeito entre as crianças e os idosos, que estabelecem um vínculo afetivo instantâneo com os cachorros, por exemplo. Geralmente são tratadas alterações neuromotoras e/ou comportamentais, como autismo, hiperatividade, dificuldades no processo de aprendizagem (em especial nas crianças), hidrocefalia, lesões causadas por traumatismos ou acidentes vasculares cerebrais (AVC) e deficiências físicas. A TAA também auxilia no desenvolvimento de pacientes com Síndrome de Down.
O projeto de Janaina Melo e Rochelle Magalhães, o Cão&Terapia, foi criado há um ano e atende principalmente a crianças e jovens de 0 a 18 anos - a maioria com paralisia cerebral. "As crianças recebem atendimento multidisciplinar (com fisioterapia em solo, aquática, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia), no Centro de Reabilitação da Faculdade Assis Gurcacz (PR) e são encaminhadas à Cão&Terapia pela médica especialista em neurologia pediátrica", explica a fisioterapeuta, que conta com a ajuda de dois veterinários, um adestrador e estudantes de psicologia e fisioterapia, e pretende incluir na equipe, este ano, psicólogos e nutricionistas para uma terapia voltada ao combate da obesidade infantil.
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