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O amor é lindo, mas a vida a dois está longe de ser fácil, para ambas as partes. Mais complicado e estressante ainda é colocar um ponto final nessa história. Que o digam as estrelas que tiveram que passar por essa situação. Um bom exemplo está na berlinda da mídia atualmente: o divórcio de Madonna e Guy Ritchie. A separação mais badalada de Hollywood já virou guerra, com direito até a espionagem entre as duas equipes para colher provas e testemunhas que beneficiem um dos lados na hora de disputar os bens e a guarda do filho Rocco. E os casos de famosos que se separaram em pé de guerra não acabam aí. Episódios como o de Britney Spears e Kevin Federline, Giovanna Antonelli e Murilo Benício, Pedro Bial e Giulia Gam levantam a questão: será que é possível dar fim a um casamento sem transformar isso em um verdadeiro barraco.
Segundo o psicólogo Antonio Carlos Amador, autor do livro "Ou eu, ou ela" (Editora Harbra), numa escala de estresse de 1 a 100, o divórcio não amigável está atrás apenas da morte do companheiro no quesito "desgaste emocional". Tudo bem que não tem como uma separação não ser turbulenta, mas, se a relação está tão tensa a ponto de entrar em ebulição, é preciso, no mínimo, um pouco de classe - ou civilidade - para dar a volta por cima sem criar ainda mais confusão.
É guerra!
No entanto, Beatriz*, artista plástica, passou longe de um final feliz. Segundo ela, o que melhor define sua separação é "barraco". Beatriz conta que precisou até chamar a polícia para tirar o marido de casa. "Ele aparecia vez ou outra para pegar umas roupas e também deixava as sujas para lavar - eu permitia, sem problemas, porque sabia que a situação estava sendo difícil tanto para mim quanto para ele. Mas aí ele foi se acomodando, começou a dizer que estava sem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento onde estava morando e um dia chegou lá em casa dizendo que não sairia mais. Achei aquilo o cúmulo do absurdo, da cara-de-pau! O cara me traiu e ainda queria ficar sob o mesmo teto?", revolta-se Beatriz, que não pôde fazer nada a não ser chamar a polícia. "Saiu de lá praticamente algemado e só quando o juiz determinou a venda do apartamento, que estava no nome de nós dois, saí de casa e cada um seguiu definitivamente seu rumo", alivia-se a artista plástica.
A fisioterapeuta Cátia* também quase mandou o ex para trás das grades, porque ele parou de pagar a pensão dos filhos. "Para impressionar a nova namorada, ele devia gastar o que tinha e o que não tinha. Sabe como é, né? A menina era novinha, bonitinha... Os filhos? Que filhos? Ele nem se lembrava mais deles! Eu tinha que me virar, arcar com tudo sozinha: despesas médicas, escolares, lazer e, ainda por cima, as prestações do apartamento que ele também não tinha terminado de pagar", conta Cátia, que, num momento de desespero com tantas contas chegando em casa e pouco dinheiro entrando na conta, quase mandou prender o ex. "Tinha sido estipulado que ele pagaria uma pensão de X reais e que, se não pagasse, poderia ser preso. Eu estava, portanto, no meu direito de chamar a polícia, mas achei melhor poupar as crianças. Afinal, é pai delas", diz a fisioterapeuta.
Quando existe outra - ou outro - no pedaço, o psicólogo Carlos Amador conta que as coisas ficam ainda mais complicadas. "Se as brigas quanto à partilha de bens e à guarda dos filhos já esquentam a discussão do casal, com amantes na história ela fica ainda mais caótica, porque surge um novo ingrediente explosivo: a vingança. Aí é um tal do traído ou traída dificultar a separação só para não dar o gostinho de vitória!", explica Carlos.
Filhos, filhos, divórcio à parte
"Essa situação chata e inconveniente acaba prejudicando não só marido e mulher, mas também os filhos. É um perigo, porque muitos casais acabam usando a criança para atingir um ao outro", alerta o psicólogo. Foi o que aconteceu com os tios de Larissa*, publicitária. Na família dela, o processo de divórcio dos tios ainda é tão tabu que quase ninguém ousa tocar no assunto, mas Larissa entrega os pontos: "um fica empurrando a responsabilidade pela educação do filho para o outro. Teve uma vez que ele não fez o dever de casa e a professora deixou um bilhetinho na agenda, mas a mãe não viu. Quando meu tio achou, ficou uma fera. Ligou para a mãe do menino dizendo horrores, acusando de ela não se preocupar com o filho etc. E tudo na frente da criança!", espanta-se Larissa.
Segundo a publicitária, só assim para os dois se falarem, porque, de resto, é só recadinho daqui, recadinho de lá - via a avó ou o próprio filho. "Além do mais, a esposa do meu tio faz chantagens do tipo ‘se eu tiver que vender esse apartamento, só vou ter dinheiro para comprar um bem longe daqui. Então vou ter que tirar o nosso filho da escola particular e transferi-lo para uma pública!'", revolta-se Larissa. "Isso porque meu tio, quando saiu de casa, foi morar num apartamento onde ele só tinha um colchão e um isopor", conta.
A situação se torna cada vez mais constrangedora. "Agora que meu tio está namorando, a ex-mulher, que também já levou namorado para dentro de casa, com o filho pequeno lá e tudo o mais, ficou ainda mais na defensiva. Uma vez, foi deixar umas coisas do meu primo na casa da minha avó, sendo que meu tio e a namorada estavam lá. Ela se recusou a passar pela porta", conta Larissa, que diz que a casa da avó virou delivery. "Para eles não terem que se esbarrar, deixam e buscam meu primo lá. Festinhas de criança juntos, nem pensar! Quando algum amiguinho do meu primo faz aniversário, ou vai um ou vai o outro. Definitivamente, não ficam juntos num mesmo ambiente", diz.
Na paz
Segundo o psicólogo Antonio Carlos Amador, quando a separação se dá num clima hostil, tudo se torna motivo para conflito, mas, principalmente para quem tem filhos, é importante entender que o (ex) casal não pode manter uma convivência ruim para sempre. "É preciso saber administrar os problemas decorrentes da separação como adultos, sem manha, sem pirraças e, acima de tudo, ter em mente que, quando marido e mulher se separam, eles continuam sendo pai e mãe, não há como fugir disso", frisa. Para o psicólogo, o essencial é evitar escândalos e deixar de lado o ressentimento.
Foi o que a médica Mônica Sequeira fez. Ela se separou depois de 10 anos de casamento, sem brigas e sem tumulto. "O nosso advogado, inclusive, foi o mesmo: meu ex-sogro", ri Mônica. "A gente conseguiu uma harmonia muito boa. Nos falamos, ele e a nova esposa me dão carona quando preciso, tudo numa boa", garante. A médica conta que, na época do divórcio, que aconteceu há uns 20 anos, o clima era de hostilidade velada, mas que os dois preferiram um bom relacionamento a um mal, principalmente por causa dos filhos.
"Na época do divórcio, mantínhamos um relacionamento formal e civilizado, para preservar as crianças. Nunca as envolvemos em nada. Costumo dizer que, como marido, ele falhou, mas, como pai, é ótimo. A gente não pode misturar as coisas. Por isso, nunca fiquei falando mal dele para as crianças, até porque, quando um casamento acaba, é por culpa dos dois. Deixei para os meus filhos, sozinhos, fazerem qualquer tipo de julgamento", diz.
Até a partilha de bens, que costuma ser um capítulo complicado na história de qualquer casal que está se separando, foi pacífica. "Ele ficou apenas com alguns utensílios de casa, deixou o apartamento todo montado para mim e para as crianças. Eu sabia que ele tinha terrenos etc, mas não reivindiquei nada, porque achei que nada daquilo era meu, era da família dele. No mais, cada um ficou com o seu carro, uma pensão ficou estipulada e assim fomos levando a vida. Hoje, ele está no terceiro casamento", conta Mônica.
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