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Não há mãe neste mundo que não se preocupe desde cedo com o futuro do filho. A ansiedade começa com a escolha da escola certa, mas está longe de terminar por aí. Para os pais, é preciso preencher o tempo ocioso da criança após a escola com atividades que ajudem em seu desenvolvimento. E na lista de possibilidades estão desde escolinhas esportivas até aulas de música e informática. Vale tudo para despertar o talento das crianças e, de quebra, tirá-las de frente da televisão ou do computador. Ao olharem a agenda dos filhos, os pais só não podem esquecer um detalhe: eles ainda são crianças.
As primeiras dúvidas surgem no momento de decidir qual atividade os filhos devem participar. Muitas vezes, as crianças não se contentam com a boa e velha escolinha de futebol ou aula de balé, mas querem experimentar um pouco de tudo. E, acredite, a lista pode ser grande: sapateado, natação, judô, patinação, ginástica olímpica, violão, teatro, capoeira. Mas, se há aulas para todos os gostos, é muito difícil que a criança tenha aptidão para todas as atividades. Por isso, ao escolher, é importante consultar a criança e saber sua vontade, mas também observar quais são suas verdadeiras habilidades. Ou seja, os pais têm que saber dar a palavra final, afirma a psicopedagoga Márcia Mattos, colunista do Bolsa de Mulher. "Os pais, como adultos, têm maiores condições de resolver possíveis impasses, mas é uma decisão que deve ser tomada em conjunto", diz.
Depois de muito pensar, finalmente a matrícula é feita, o material comprado e a mensalidade do curso paga. Mas, três aulas depois, a criança decide mudar de idéia. Explicar ao seu filho a importância de continuar na atividade é o primeiro passo, orienta a psicóloga Mariza Póvoas. "Se a criança resiste em fazer atividades físicas, por exemplo, deve ser passado para ela que é algo importante para a sua saúde, como também para a formação do seu caráter, para o desenvolvimento de sua criatividade. Os pais não devem subestimar os filhos, achando que eles não entenderão", diz a psicóloga. Se a conversa não surtir efeito, é preciso que os pais investiguem as razões para a desistência da criança para, então, saberem se podem insistir ou não. Alguns motivos podem estar escondidos, como não ter se identificado com o grupo de crianças ou não ter afinidade com o professor. "Outras vezes, porém, a criança é insegura e tem dificuldade de se adaptar a outros contextos. Neste casos, vale incentivar e, se preciso, buscar auxílio de um profissional para ajudar a criança a vencer a dificuldade", afirma Márcia Mattos.
A engenheira Beatriz Monteiro não dispensa o rótulo de mãe entusiasta e conta orgulhosa sobre a lista de atividades que os filhos, hoje adolescentes, participaram quando crianças. Eram bebês e já estavam na natação, depois vieram a capoeira e o piano, as aulas de jazz e balé, o futebol, o tênis e, é claro, as aulas de inglês e espanhol. "Mas tudo a seu tempo. Se quisessem participar de outra atividade, conversávamos e pedia que eles optassem entre uma coisa e outra. Os gostos foram mudando conforme cresciam e eu tinha de respeitar isso, mas era uma negociação. Afinal, eles tinham as atividades da escola para darem conta", observa a engenheira.
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