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De olho no futuro
Os cursos extra-curriculares devem estimular, e não estafar a criança
Por Renata Agostini • 28/07/2008

Não há mãe neste mundo que não se preocupe desde cedo com o futuro do filho. A ansiedade começa com a escolha da escola certa, mas está longe de terminar por aí. Para os pais, é preciso preencher o tempo ocioso da criança após a escola com atividades que ajudem em seu desenvolvimento. E na lista de possibilidades estão desde escolinhas esportivas até aulas de música e informática. Vale tudo para despertar o talento das crianças e, de quebra, tirá-las de frente da televisão ou do computador. Ao olharem a agenda dos filhos, os pais só não podem esquecer um detalhe: eles ainda são crianças.

Se quisessem participar de outra atividade, conversávamos e pedia que eles optassem entre uma coisa e outra. Os gostos foram mudando conforme cresciam e eu tinha de respeitar isso, mas era uma negociação. Afinal, eles tinham as atividades da escola para darem conta

As primeiras dúvidas surgem no momento de decidir qual atividade os filhos devem participar. Muitas vezes, as crianças não se contentam com a boa e velha escolinha de futebol ou aula de balé, mas querem experimentar um pouco de tudo. E, acredite, a lista pode ser grande: sapateado, natação, judô, patinação, ginástica olímpica, violão, teatro, capoeira. Mas, se há aulas para todos os gostos, é muito difícil que a criança tenha aptidão para todas as atividades. Por isso, ao escolher, é importante consultar a criança e saber sua vontade, mas também observar quais são suas verdadeiras habilidades. Ou seja, os pais têm que saber dar a palavra final, afirma a psicopedagoga Márcia Mattos, colunista do Bolsa de Mulher. "Os pais, como adultos, têm maiores condições de resolver possíveis impasses, mas é uma decisão que deve ser tomada em conjunto", diz.

Depois de muito pensar, finalmente a matrícula é feita, o material comprado e a mensalidade do curso paga. Mas, três aulas depois, a criança decide mudar de idéia. Explicar ao seu filho a importância de continuar na atividade é o primeiro passo, orienta a psicóloga Mariza Póvoas. "Se a criança resiste em fazer atividades físicas, por exemplo, deve ser passado para ela que é algo importante para a sua saúde, como também para a formação do seu caráter, para o desenvolvimento de sua criatividade. Os pais não devem subestimar os filhos, achando que eles não entenderão", diz a psicóloga. Se a conversa não surtir efeito, é preciso que os pais investiguem as razões para a desistência da criança para, então, saberem se podem insistir ou não. Alguns motivos podem estar escondidos, como não ter se identificado com o grupo de crianças ou não ter afinidade com o professor. "Outras vezes, porém, a criança é insegura e tem dificuldade de se adaptar a outros contextos. Neste casos, vale incentivar e, se preciso, buscar auxílio de um profissional para ajudar a criança a vencer a dificuldade", afirma Márcia Mattos.

A engenheira Beatriz Monteiro não dispensa o rótulo de mãe entusiasta e conta orgulhosa sobre a lista de atividades que os filhos, hoje adolescentes, participaram quando crianças. Eram bebês e já estavam na natação, depois vieram a capoeira e o piano, as aulas de jazz e balé, o futebol, o tênis e, é claro, as aulas de inglês e espanhol. "Mas tudo a seu tempo. Se quisessem participar de outra atividade, conversávamos e pedia que eles optassem entre uma coisa e outra. Os gostos foram mudando conforme cresciam e eu tinha de respeitar isso, mas era uma negociação. Afinal, eles tinham as atividades da escola para darem conta", observa a engenheira.







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