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É inegável dizer que para muitos ela ainda é vista como frescura. Pura e simples frescura. É encarada assim pelos que a consideram apenas um protocolo cheio de regrinhas sem fundamento - que ao invés de simplificarem, complicam a nossa vida: usar a faca com a mão direita, dobrar as folhas da salada ao invés de cortá-las (sim, dobrar é o correto!), sempre limpar delicadamente a boca com o guardanapo antes de beber algo durante a refeição, conhecer e respeitar os códigos de vestimenta, como oferecer e receber presentes, entre outras coisas.
A princípio, esses detalhes podem parecer frescura ou futilidade, mas não são. Eu os classifico como a parte da etiqueta que chamo de acabamento (a outra é o alicerce). Encare assim: você não vai morrer se não usar os talheres adequadamente, mas se o fizer (assim como se souber outras regras de etiqueta), tenha certeza que se sentirá mais segura e confiante em sua vida social e profissional. É bem possível, ainda, que sua auto-estima aumente quando sua chefia elogiá-la por vestir-se tão adequadamente aos padrões da empresa. Convenhamos, não há nada de frescura em atingir resultados tão positivos, não é mesmo, querida leitora? Viu só? A etiqueta está aí para tornar sua vida mais simples.
Mas engana-se quem pensa que os benefícios da etiqueta param por aí. Ela é a guardiã das boas maneiras e hoje, mais do que nunca, deve ser encarada como norteador para um comportamento ético e saudável em sociedade - este é o alicerce! Etiqueta visa nos oferecer harmonia na convivência com o outro. Ela nos leva à prática da empatia. Aliás, não há etiqueta - nem elegância! - sem empatia. Se não nos colocarmos no lugar do outro, fica difícil respeitá-lo e não ferir seus direitos.
A etiqueta anda de mãos dadas com a boa educação - aquela que vem sendo esquecida em função do crescente aumento da casualidade, seja no jeito vestir, seja no relacionamento com as pessoas. E também devido ao aumento da importância que damos a nós mesmos, a nossas vontades, mandos e desmandos. Todo mundo acha que pode tudo e que o outro não pode nada... Bem, querida leitora, não é assim que deve ser! E é para melhorar esse mundo cheio de egoísmo e arrogância que vamos usar e abusar da etiqueta e seus preceitos. Não dá para ser elegante sem ser genuinamente gentil. Não adianta sorrir delicadamente para quem está sentado à sua frente no restaurante, enquanto se destrata o garçom, não é mesmo? Não há acabamento de luxo que resista a um alicerce medíocre...
Essa, querida leitora, é minha visão sobre etiqueta, que a partir de hoje compartilho com você. E se dúvidas sobre o tema já começarem a aparecer em sua cabecinha, por favor, mande-as para mim. De como portar-se à mesa a como usar o celular com elegância, as dúvidas mais interessantes serão respondidas na coluna.
Até a próxima e um abraço do tamanho do mundo!
Ana Vaz é consultora e palestrante em Etiqueta e Imagem Pessoal. Iniciou sua carreira no Reino Unido, onde foi treinada pela First Impressions Image Consulting. É autora dos guias “Pequeno Livro de Etiqueta” e “Pequeno Livro de Estilo”, ambos lançados pela Verus Editora.  Leia mais deste autor.
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