• Crédito: Pacha Urbano


Aumentando a família
Eles pedem, gritam, choram e esperneiam. “Manhê, eu quero um cachorrinho!”. Levar um animal de estimação para dentro de casa requer tempo, dedicação e dinheiro. Será que sua família está pronta para crescer?
Por Laura Cavallieri • 17/09/2005

Chega uma época em que toda criança desperta para os animais ao seu redor. Afinal, eles são fofinhos, estão sempre dispostos para brincadeiras, e lembram bastante os bichos de pelúcia espalhados pelo quarto. Começa então a choradeira, seus filhos querem porque querem um animal de estimação. Esta não é uma decisão fácil e, por mais que eles peçam, ou você mesma simpatize com a idéia de ter um bichinho dormindo esparramado no tapete da sala, criar um animal é uma enorme responsabilidade.

Antes de fazer uma surpresa para seus pimpolhos, e chegar com um lindo filhote com uma fita no pescoço, pense se você está preparada - e disposta – para mais trabalho. Na hora de tentar te convencer a aumentar a família, seus filhos se comprometerão com toda e qualquer regra, mas basta o primeiro xixi aparecer no chão da sala para você ter certeza de que as promessas não duram muito. Pode procurar o pano e se ajoelhar: sobrou pra você dar cabo da sujeira.

A psicoterapeuta Waléria Gonzalez acredita que a decisão de levar um animal para dentro de casa deva partir de toda a família. "Por mais que a solicitação venha dos filhos, acaba envolvendo a família toda. Um animal requer atenção, cuidados de higiene e investimento financeiro. Não é um brinquedo do qual se pode desfazer a qualquer momento, e só podemos começar a pensar em responsabilidade para crianças a partir dos sete anos", analisa Waléria. Se, mesmo ciente de todo o trabalho que vem pela frente, você acha que chegou a hora, informe-se para fazer uma boa escolha. As opções são muitas, mas gatos, cachorros, hamsters e peixinhos estão na lista dos preferidos da criançada. Será que você sabe qual se adapta melhor à sua rotina? Se seus dias são corridos, e sua família viaja com freqüência, fique entre os peixes e os hamsters. O motivo é simples: se você se arrepender, um hamster dificilmente viverá mais do que dois anos, e um peixe beta não passa dos quatro. Além disso, é muito mais fácil convencer a sogra a passar o final de semana com um quieto peixinho, do que com um cachorro que precisa passear e pode tirar-lhe o sono com latidos e uivos de saudade.

A veterinária Sheila Contente, proprietária da pet shop carioca Bichos e Caprichos, leva o assunto a sério. “Bicho não é brinquedo, mas, sim, um amigo que fará parte da família. Não se deve comprar um animal só para agradar a um filho”, desaconselha a veterinária. Acostumada a ver famílias se desfazendo de seus animais de estimação, ela acredita que um filho a caminho é um dos principais fatores para o abandono. “Elas não conseguem conciliar a maternidade com um animal em casa, e acham que o bebê corre o risco de ser contaminado por alguma doença. Por isso, antes de levar um animal para casa, é importante levar em consideração o tempo de vida dele”, diz Sheila.

Cães de pequeno porte podem facilmente chegar aos 14 anos, enquanto que os de grande porte não costumam passar dos 10. Já os gatos são um pouco mais longevos, chegando com freqüência aos 18 anos. Faça as contas, e cheque qual será a sua idade depois desses anos. Se você está disposta a assumir um compromisso por tanto tempo, parabéns! No caso de ter optado por um cachorro, um dos passos mais importantes é escolher a raça. A veterinária Sheila ajuda: “Grande parte de nossas clientes tem cães e, após anos de contato com esses bichinhos, sei que há algumas raças que lidam melhor com crianças”. Se você pensou em poodles, yorkshires e outros pequeninos companheiros, pensou errado como a maioria das pessoas. “Diferentemente do que se costuma imaginar, essas raças são impacientes com crianças. Os poodles, por exemplo, podem se tornar extremamente possessivos, e latem muito”, esclarece Sheila. Se você procura por um grande companheiro, que tratará seus filhos com muito carinho, não se iluda pelo tamanho. “Para famílias, costumo recomendar boxers, labradores e golden retrievers. São raças extremamente dóceis e facilmente adestráveis, além de adorarem crianças”, conta Sheila, ela mesma proprietária de um labrador e de um golden retriever, que se dão maravilhosamente bem com seus dois filhos, uma menina de 12 e um menino de 14.

A veterinária Simone Maia, que trabalha no Instituto do Centro de Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, é enfática: “Na dúvida, não compre um animal”. O Centro de Controle de Zoonoses recebe animais abandonados diariamente, pelos mais diversos motivos. “Quem vai a uma feira de filhotes, na hora acha o bichinho fofo e lindo, mas se esquece que aquele animalzinho vai crescer. Esteja também ciente da idade que ele pode atingir, e, se precisar doar, não ache que abrigo é a solução”, ensina Simone. Além destas premissas, há também a questão financeira. Um animal precisa de ração, vacinas, remédios contra pulga e carrapato, vermífugos, coleira e banho. Tudo isso pode sair muito mais caro do que se imagina. Que o diga Paulo Roberto dos Santos. Quando levou para casa Hércules, um boxer, na época de apenas dois meses, Paulo não esperava que os gastos pudessem chegar a tanto. “Como foi meu primeiro cachorro, eu não fazia muita idéia dos valores. No começo é pior, pois além dos custos fixos, como com a ração, ainda há diversas vacinas que precisam ser dadas antes do cachorro poder sair de casa”, recorda Paulo. E não são poucas! Só nos primeiros meses, Hércules tomou três doses da vacina V8, que protege contra oito doenças, além de duas doses de anti-rábica, e mais outras contra giardíase, pneumonia e leptospirose. Só em vacinas foram mais R$ 300.

Paulo, que também tem um gato, calcula gastar pelo menos R$ 150 em ração todos os meses. Isso sem contar as consultas no veterinário, e os eventuais brinquedos e biscoitos, mimos que todo dono faz questão de prover ao seu bichinho. E a conta ainda poderia ser mais salgada. “Como moro numa casa, eu mesmo dou banho no cachorro”, diz. Assim como é com os filhos, a adoção de um animal também exige um bom planejamento familiar.






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  • pattygatinha


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