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Falta de ar, tosse, chiados no peito... Toda noite é aquele martírio com seu filho. Problemas respiratórios são comuns em crianças, e entre as doenças de maior incidência está a bronquite alérgica, mais conhecida como asma. Estima-se que entre 20% e 30% dos brasileiros sofram do problema e mais de 10% das crianças em idade escolar sejam asmáticas. No Brasil, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), a asma é a terceira causa de hospitalização, provocando cerca de 370 mil internações ao ano. Diante do problema, os pais entram em pânico - parece que é a eles que lhes falta o ar. Mas até que ponto essa preocupação é justificável?
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Em primeiro lugar, é preciso que os pais fiquem atentos e entendam o que exatamente é a asma. Trata-se de uma inflamação crônica (ou seja, para sempre) das vias aéreas do pulmão. Segundo o alergista e imunologista pediátrico Angelo Leal, da Rede Labs D'Or, esse tipo de bronquite é caracterizada pelo espasmo da musculatura que envolve os canais de passagem de ar dos pulmões, denominados brônquios. "Esse espasmo da musculatura, somado a uma inflamação das paredes dos brônquios, reduzem o calibre das vias aéreas pulmonares, o que limita o fluxo de ar, gerando dificuldade para respirar e sibilos (chiados)", explica o médico.
Nas crianças, é normal que o diagnóstico seja mais difícil porque, além de não saberem expressar muito bem o que estão sentindo, elas podem apresentar chiados ao respirar devido a várias outras doenças. No entanto, os pais podem prestar atenção a alguns sintomas que não sejam apenas os ruídos no peito. "Crises de tosse repetidas, pouca vontade de brincar, cansaço precoce (a criança pára de brincar antes dos amigos, por exemplo), necessidade de inalações freqüentes e os chiados são os principais sinais. A criança pode ter dificuldade de praticar esportes e reclamar de dor abdominal ocasionada pelo esforço respiratório", especifica Ana Paula Moschione Castro, imunologista e alergista do Núcleo Avançado do Tórax do Hospital Sírio-Libanês e membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI).
O médico Angelo Leal ressalta que a falta de ar ocorre principalmente durante a noite e no início da manhã. Foi assim que Luciana Vigo percebeu que seu filho João, de 7 anos, tinha asma. "Eu já o levava à clínica para fazer nebulizações quando era mais novo, pois percebia que ele fungava muito e sempre estava com o nariz entupido. No ano passado, comecei a notar que o João tossia bastante ao dormir e resolvi averiguar com o pediatra o que era", conta Luciana. É bom lembrar que a asma é mais comum quando pai, mãe ou algum tio já apresentou a doença. "Este caráter genético, que faz com que a doença passe de pai para filho, vem associado a características ambientais, como contato precoce com poeira doméstica ou fumaça de cigarro, desencadeando um processo inflamatório que culmina com o fechamento dos brônquios", esclarece Ana Paula.
De acordo com os especialistas, um histórico alérgico na família reforça a hipótese de asma. Em boa parte das vezes, a doença é precedida por episódios de alergia. Para se ter uma idéia, de 70 a 90% dos asmáticos na infância apresentam intolerância a alérgenos, e 80% dos asmáticos sofreriam também de rinite alérgica. Além disso, há outros fatores de risco, como as infecções virais, os refluxos e o contato com poluentes ambientais. Recentemente, um estudo revelou que uma alimentação pobre em antioxidantes e vitaminas também pode ser uma das maiores causas do aumento da incidência e da intensidade da asma.
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